São Paulo, 20 (AE) - Já está nas locadoras o pacote de abril da Cult Filmes. Traz três obras exibidas na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A melhor delas é "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, mas também merecem atenção "Barril de Pólvora", de Goran Paskaljevic, e "Bem-Vindo, Mr. McDonald", de Koki Mitani. O destaque para Kiarostami explica-se. Trata-se de um dos poucos diretores em atividade no cinema atual que são, indiscutivelmente, gênios.
"Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" compõe uma trilogia com outros dois filmes de Kiarostami - "E a Vida Continua e Através das Oliveiras", todos interligados pelo terremoto que assolou a região de Koker, nos anos 80. É a história de um menino que, após a escola, ao fazer a lição de casa, descobre que levou por engano o caderno do seu amigo. Ele tenta devolvê-lo e para isso precisa saber onde fica a casa do amigo. Kiarostami chegou ao cinema depois de ter sido reprovado na Escola de Belas-Artes de Teerã. Queria ser pintor. Pinta com a câmera. Seu cinema exibe grande refinamento visual.
Na época de "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?", trabalhando com crianças, ele extraía poesia do cotidiano. Tornou-se um pensador progressivamente mais complexo em filmes como "Gosto de Cereja e O Vento nos Levará", que deve estrear este ano nos cinemas de São Paulo. Como todo o cinema iraniano, Kiarostami começou influenciado pelo neo-realismo italiano. Mas ele próprio explica que a proximidade entre os cinemas do Irã e da Itália no pós-guerra era ditada pela situação econômica de penúria dos dois países.
Seu cinema começou sem cenários nem maquiagem, com atores não profissionais (muitas vezes crianças, como Farha Kheradmand, de "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?") filmados na rua. Mas o estilo do artista evoluiu duplamente. No rumo de uma depuração técnica, que o levou a atingir a sofisticação na simplicidade, e no temático, em que os temas foram se aprofundando para discutir as grandes questões existenciais e sociais da sociedade iraniana. A revista Cahiers du Cinéma" chamou-o de "domador do olhar", dizendo que, em seus filmes, os planos e a própria narrativa são montados como armadilhas para o olho e a consciência.
"Barril de Pólvora" é uma co-produção franco-iugoslava
que coloca na tela os conflitos interétnicos nos Balcãs. Numa noite em Belgrado, diversos personagens vivem situações violentas ou absurdas, em meio ao horror dos combates. Um boxeador mata o melhor amigo, ex-policial é espancado por uma de suas vítimas, motorista é agredido após um pequeno acidente e um jovem sequestra um ônibus. A loucura toma conta de tudo e de todos. Vencedor do prêmio da crítica no Festival de Veneza de 1998, o filme também foi considerado o melhor daquele ano pelo National Board Review, dos EUA.
"Bem-Vindo, Mr. McDonald" mostra dona de casa que vence concurso de novelas radiofônicas. Mas, até chegar ao ar, sua história sofre todo tipo de inteferências. Elas começam pelos atores e chegam até os anunciantes, tudo isso contribuindo para descaracterizar o produto imaginado pela autora. É uma comédia deliciosa do diretor japonês Koki Mitani, que diverte com inteligência e ainda apresenta um retrato crítico (e lúcido) sobre a sociedade competitiva e consumista da era da globalização. Serviço - Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, Barril de Pólvora e Bem-Vindo, Mr. McDonald. Pacote de abril da Cult Filmes, já nas locadoras.

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