Cannes (França) - Trinta anos depois de Mel Gibson dar adeus ao personagem Max Rockatansky, o ex-policial em busca de vingança pela morte da mulher e do filho, a saga apocalíptica "Mad Max" retorna aos cinemas mais atual do que nunca.
"Mad Max: Estrada da Fúria", que estreia hoje no Brasil e no Festival de Cannes, discute fanatismo religioso e escassez de água. "Venho de um país onde não há água. O filme é um reflexo de problemas atuais, o futuro parece cada vez mais a Idade Média", diz o cineasta australiano George Miller.
Ele criou o futuro desértico de "Mad Max", em que o petróleo era objeto de disputa, tanto no filme original, de 1979, quanto nas sequências "Mad Max 2: A Caçada Continua", de 1981, e "Mad Max - Além da Cúpula do Trovão", de 1985.
O diretor agora retorna para o quarto longa da série, substituindo a gasolina pela água e com Tom Hardy ("Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge") no lugar de Mel Gibson.
"Ao encontrar Tom, tive a mesma sensação de quando conheci Mel. Um carisma especial. Ambos são adoráveis, mas perigosos como chimpanzés. São brincalhões, mas podem arrancar sua face. Além disso, são dois ótimos atores", brinca Miller.
Hardy, por sua vez, só topou o desafio de substituir Gibson após almoçar com o ator e receber sua bênção.
"Mel Gibson é Mad Max. Não há discussão ou competição. Eu sabia que as pessoas iam me odiar por assumir esse papel e eu mesmo tive medo de ser péssimo como Max, mas havia um ponto em comum que me deu confiança no legado: George Miller", conta o ator britânico.
O mais louvável na superprodução de R$ 450 milhões é que Miller manteve sua personalidade. Quase não há efeitos especiais, apesar de o filme ter as perseguições de carros e caminhões mais insanas dos últimos dez anos.
"Usamos dublês e especialistas que fizeram aberturas de Olimpíadas para as cenas perigosas. A segurança sempre veio em primeiro lugar, porque se algo desse errado, ia dar muito errado", diz Miller.
Mas não deu. "Havia um dublê que se acidentou no segundo 'Mad Max' trabalhando conosco. Ele ficou p... da vida porque não conseguiu capotar o carro 12 vezes como nos filmes de James Bond. Foram apenas dez capotadas", diverte-se Hardy, que tem a companhia de Charlize Theron no elenco.
Ela interpreta a imperatriz Furiosa, guerreira a serviço de um líder messiânico que "rouba" suas mulheres procriadoras e sai em busca de um paraíso feminino com ajuda de Max. "É um alívio fazer um filme de ação no qual a garota não fica atrás do homem arrumando o sutiã", comenta Theron.
Miller ainda consegue representar a insanidade dos extremistas religiosos atuais, apesar de usar termos da mitologia nórdica. "Quando ele escreveu o roteiro, não havia esse cenário de hoje, então a inspiração foram mais os camicases e mártires", diz Hardy.

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