São Paulo, 23 (AE) - O premiado monólogo "Van Gogh", interpretado por Elias Andreatto, com direção de Márcia Abujamra
inaugura amanhã (24) um novo espaço teatral em São Paulo, o ágora. Os diretores Roberto Lage e Celso Frateschi são os responsáveis pela casa, que funcionará não apenas como sala de espetáculos, mas local de aperfeiçoamento de profissionais e debates em torno da atividade teatral.
O roteiro de "Van Gogh", criado por Andreatto e Márcia
baseia-se nas cartas deixadas pelo pintor, cerca de 850, para a mãe, a irmã, artistas como Paul Gauguin e Émile Bernard e, principalmente, o irmão, Theo. Em vida, Van Gogh vendeu apenas um quadro e as cartas revelam as angústias e conflitos com a falta de reconhecimento.
"O espetáculo serve como reflexão para o conflito entre a criação e o mercado", diz Lage. "Esse foi um dos motivos de ter sido o escolhido para inaugurar a casa, além, é claro, da qualidade da montagem e do excelente trabalho de Andreatto."
Além de abrigar uma sala com capacidade para 90 espectadores, o ágora - nome derivado do grego agorá, denominação da praça central da cidade onde se realizava o comércio e onde ocorreram as primeiras representações teatrais - tem ainda uma sala para cursos e um espaçoso saguão, no qual os diretores planejam realizar seminários.
Parceiros de longa data na atividade teatral, Frateschi e Lage contam que a idéia de se unir para ocupar o antigo Teatro Hall surgiu quase por acaso. Em 1998, os dois enviaram, isoladamente, projetos para a ocupação do Teatro de Arena, cuja concorrência foi vencida pela dupla de diretores Sérgio Ferrara e Marco Antônio Braz, com o projeto Quem Tem Medo de Nélson Rodrigues e Plínio Marcos.
Ao tomar conhecimento do resultado da concorrência, Lage e Frateschi perceberam que, embora aparentemente diferentes - o primeiro propusera um trabalho sobre a obra de Pasolini e o segundo, em torno da Odisséia -, os projetos tinham muitos pontos em comum. "Nós dois queríamos rediscutir a função social do ator e o compromisso do teatro com a realidade imediata, questões importantes que ficaram meio abandonadas nos últimos tempos", afirma Lage.
Justamente quando se deram conta da possível parceria, Lage encontrou a proprietária do prédio do antigo Teatro Hall, Arlete Ciolkowisky, que comentou estar planejando desmontar o teatro e alugar o espaço para outra atividade. Lage e Frateschi alugaram a casa, fizeram algumas reformas e a cidade ganhou um novo teatro. "Não temos a intenção de abrir somente uma nova sala de espetáculos, mas um ponto de encontro e discussão e de aperfeiçoamento de profissionais."
"Grande parte dos atores jovens vê na profissão um caminho para se exibir, ganhar dinheiro ou popularidade na televisão", comenta Lage. Já estão abertas no ágora as inscrições para vários cursos de reciclagem de atores, ministrados por alguns dos melhores profissionais das áreas de preparação corporal, vocal, interpretação e canto.
Para os diretores, a atividade precisa ser repensada, daí a idéia de reciclar profissionais e promover seminários com pensadores e críticos de outras áreas do conhecimento. "É importante discutir o teatro a partir de um olhar de fora, não adianta o fazer unicamente entre diretores, autores e atores." Lage e Frateschi têm uma programação fechada para o ágora até o fim do ano:
24,25 e 26/9 - "Van Gogh". Drama. Direção de Márcia Abujamra. Com Elias Andreato. Duração: 45 minutos. Sexta-feira e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. 15 reais. ágora. Rua Rui Barbosa, 672, tel. (11) 284-0290. Até domingo (26).

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