Novo disco de Djavan já está nas lojas; é o primeiro gravada ao vivo em 25 anos de carreira
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 03 (AE) - É uma espécie de comemoração pelos 25 anos de carreira. Djavan nunca havia feito um disco ao vivo. Não via muita graça na prática. Foi, afinal, convencido pela gravadora. O CD duplo "Djavan ao Vivo" está na praça desde hoje. São, ao todo, 24 músicas - apenas 2 inéditas. Foi gravado entre os dias 14 e 18 de julho, em show no Teatro João Caetano, no Rio. Djavan responde pela produção do disco e por direção musical, arranjos e roteiro do show. No item roteiro contou com ajudas - da família, dos músicos e, mais uma vez, da direção da gravadora.
O resultado é uma retrospectiva, uma coleção de sucessos
revistos - com novos arranjos, nova roupagem instrumental - por quem tem mais autoridade para fazê-lo, o autor. Houve a preocupação de manter, na mixagem do disco, bem nítida a participação da platéia - há recursos técnicos que permitem eliminar som de vozes, palmas, coros. Djavan não quis fazer isso. Preferiu que o ouvinte estivesse no clima do espetáculo. Como se, ouvindo, estivesse participando do espetáculo.
"Ocorre que eu achava que não ia sentir graça em fazer disco ao vivo", conta o cantor e compositor. "Habituei-me ao estúdio; por motivo semelhante, nunca fiz um disco em que atuasse só como intérprete, pois me habituei a compor para cantar", diz. "Compor, arranjar, produzir, entrar em estúdio, gravar - são coisas trabalhosas, mas que me dão muito prazer".
Na verdade, nem sempre Djavan compôs o que cantava. E o disco ao vivo não deu menos trabalho do que outros: ele fez arranjos novos para quase todas as músicas, mesmo para aquelas que já tinham tido arrranjos modificados no show anterior, "Bicho Solto". Por isso, quase nada foi modificado na mixagem final. "Entrei em estúdio para consertar um microfone que havia falhado, uma voz que não afinou direito, um instrumento que não entrou na hora", conta.
Os sucessos estão quase todos lá: "Samurai", "Azul", "Meu Bem Querer", "álibi", "Serrado", "Oceano", "Açaí"
"Fato Consumado", "Flor de Lis", "Faltando um Pedaço", "Esquinas", "Sina", "Pétala..." "Compreenderei, se alguém discordar da seleção", concede. "Mas a escolha obedeceu a critérios meus, mais do que a êxitos", diz. "Preferi músicas que representaram momentos marcantes da minha vida - de alegria ou de tristeza".
"Esquinas", por exemplo, foi feita em Los Angeles, num momento ruim da vida do compositor - sozinho, numa cidade estranha, trabalhando com um produtor de quem não gostava, cercado de gente por quem não tinha muita simpatia. A letra, de certa forma, reflete isso. Já "Fato Consumado" representa um momento feliz - foi a música que ficou em segundo lugar num festival produzido pela TV Globo (concorriam Alceu Valença, Luís Melodia, o vencedor Carlinhos Vergueiro, Luís Melodia). O segundo lugar levou Djavan ao primeiro disco. A história começava ali.
Djavan acha um absurdo que não haja mais festivais - acredita que, se os festivais, como espetáculo, não interessam mais às emissoras de televisão, deveriam ser bancados pelas gravadoras: "É o momento em que se pode fazer surgir novas vozes, independentemente do mercado e até para criar mercado", entende. "Existe um espírito imediatista na política das gravadoras e festivais poderiam servir de contraponto", completa.
"Djavan ao Vivo" é um disco dançante (um impulso já anunciado no disco anterior) e um acento funkeado que o percorre
de fio a pavio. "Isso se deve, principalmente, à minha descoberta do prazer de dançar no palco - e não há ritmo mais delicioso de dançar do que o funk", explica Djavan, que transformou "Seduzir" num reggae-blue: "Era uma balada blues, no original", lembra. "É difícil mexer no consagrado, expor-se ao teste de tornar interessante o que já era interessante, e tornar interessante primeiro para você mesmo, para que você possa convencer o público", raciocina.
Correu o risco. Sabe que há músicas que não podem ser mexidas - "Rota do Indivíduo", acredita, é uma delas. Mas a possibilidade de rever a própria obra faz o cantor revelar coisas inimagináveis: detestava, por exemplo, as gravações de "álibi" e "Açaí". "Acho que cantava "álibi" muito mal; ouvir-me cantando "Açaí" deixava-me incomodado". Certamente, ninguém concordará. Mas é o que ele sente.


