São Paulo, 21 (AE) - Representante do chamado Novo Circo Francês, a companhia Les Frres Kazamaroffs apresenta o espetáculo "Cirque Clandestin" amanhã e quarta-feira no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Já tendo percorrido festivais da Bélgica, Suécia e Inglaterra, a trupe francesa faz sua primeira incursão pela América do Sul, iniciada no sul do País, onde integrou a 32.º edição do Festival Internacional de Londrina, no início do mês. De lá seguiu para apresentações em Campinas, Santos, Belém, no Rio e, finalmente, encerra sua turnê brasileira em São Paulo.
Em "Cirque Clandestin", os atores Gérard Clarté e BenoŒt Belleville interpretam Vladimir e Aliocha Kazamaroffs, dois irmãos gêmeos que teriam fugido de um país imaginário do Leste Europeu. Disfarçados de múmias, eles viajam clandestinamente de navio, num container, misturados a outros objetos de uma exposição de arte egípcia. Depois de atravessar fronteiras e driblar a fiscalização, eles finalmente podem sair do container. Porém vão deparar-se com a realidade de ser clandestinos num país onde nem ao menos dominam o idioma.
Segundo os atores, que trabalharam sob direção de Vincent Lorimy, a dificuldade de comunicação é o tema central do espetáculo. Eles afirmam ter criado as cenas a partir de observações recolhidas na ruas. "Na França, existem muitos imigrantes clandestinos, os sem documentos, que se confrontam com problemas de comunicação e diferenças culturais", explica Belleville. "Mas acho que a inadaptação de grupos dentro de um país não é um problema restrito à França, no Brasil existe o movimento dos sem-terra", compara Clarté.
Apesar da fonte de inspiração, o humor e a linguagem circenses são as principais características do espetáculo. "Quando a comunicação é difícil, o jeito é apelar para os gestos e é isso o que os personagens fazem, utilizando o que sabem fazer, a linguagem circense", conta Belleville. No fim, o tema funciona como pretexto para BenoŒt e Clarté mostrarem suas habilidades como malabaristas e equilibristas em números tradicionais de circo, que arrancaram risos e aplausos entusiasmados do público no Festival de Londrina.
O talento para descobrir novas maneiras de realizar uma ação aparentemente banal e transformar o simples em complicado - característica essencial da arte de clowns e palhaços - é revelado logo nas duas primeiras cenas: a tentativa de sair do container e, depois, de livrar-se do disfarce de múmia. É só o começo. Também integram a companhia o iluminador Régis Durant e o músico Jean-Cristophe Camps. "A trilha sonora é um elemento fundamental nesse espetáculo", afirma Clarté. Serviço: "Cirque Clandestin". Direção de Vincent Lorimy. Com a companhia francesa Les Frres Kazamaroffs. Duração de 1h15. Amanhã e quarta-feira, às 21 horas. R$ 10,00. Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3147.

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