Novo CD é dedicado aos Beatles
São Paulo, 04 (AE) - No mundo do jazz os Beatles nunca foram ignorados pelos grandes gênios. De Ella Fitzgerald a Wes Montgomery, de Sarah Vaughan a Nina Simone, os quatro rapazes de Liverpool já foram cantados e tocados por quase todos os nomes que importam na enciclopédia de jazz. Parecia restar pouco para John Pizzarelli, mas seu disco dedicado aos Beatles é uma sofisticada prova da sobrevivência dessas clássicas canções, que marcaram toda uma geração.
Não é uma produção regular como o disco dedicado a Nat King Cole. Don Sebesky é um arranjador competente, mas irregular (por vezes, excessivo). Há cordas demais em algumas faixas e, evoque-se, violinos nunca foram bons aliados das canções dos Beatles, desde a época em que George Martin decidiu transformar os garotos ingleses em grandes clássicos do século 20.
Sebesky acerta quando atribui aos sopros a responsabilidade da introdução e da coda. Nesse sentido, as primeiras notas de "Things We Said today" desfazem qualquer dúvida sobre a vocação jazzística de Pizzarelli, mais à vontade quando pode seguir livremente a trilha aberta por seu pai, Bucky. Algumas interpretações são inferiores a outras versões jazzísticas (Oh! Darling, por George Benson, nos anos 70, era bem melhor), mas "Here Comes the Sun", "And I Love Her" e "The Long and Winding Road" são lentas e apaixonadas traduções de um romântico herdeiro de Nat King Cole.
O projeto do disco, enfim, é coerente. O resultado, nem tanto. De qualquer modo, a voz de Pizzarelli compensa eventuais deslizes e esse encontro com os Beatles é agradável demais para ser ignorado. Don Sebesky dá o ar da graça tocando acordeão em "When Im 64" e o trompete de Barry Ries grita em "Oh! Darling", dois bons motivos (além de Pizzarelli) para comprar o disco sem medo de levar para casa um produto híbrido e despersonalizado. John Pizzarelli continua o grande músico que gravou "All of Me" e "Dear Mr. Cole". (A.G.F.)





