DivulgaçãoBallet de Londrina mostra ‘‘Dois e Nada Mais’’: baseado em obras de Stravinsky e ShakespeareO Ballet de Câmara de Londrina abre hoje, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, a temporada 1998 com a estréia do espetáculo ‘‘Dois e Nada Mais’’. O espetáculo será apresentado também amanhã e dia 2, mas os ingressos para o último dia foram todos comprados por uma empresa londrinense.
O espetáculo foi baseado em duas obras distintas: o balé ‘‘Petruska’’, de Stravinsky; e ‘‘Romeu e Julieta’’ , de Shakespeare, mas na sua versão Broadway, ‘‘West Side Story’’, com músicas de Bernstein. Fundindo e ligando as obras, a execução das irmãs Labeque ao piano. A idéia central do trabalho é, segundo Leonardo Vítor Ramos, diretor e coreógrafo da companhia, deixar o público ‘‘ler’’ a obra. ‘‘Não há uma linha narrativa, embora certos trechos de Romeu e Julieta sejam facilmente reconhecíveis por ser uma obra que já caiu no gosto popular. Mas vamos trabalhar as emoções, as paixões dos personagens e do público’’ - diz.
Seguindo, porém, uma linha pessoal de trabalho, Leonardo Ramos utilizou a obra de Stravinsky para suavizar a tragédia shakespeariana. ‘‘Pessoalmente não gosto de coisas tristes, para baixo. Já fui muito criticado por isto, neste momento da dança contemporânea, mas acredito que, se a gente pode trabalhar a alegria, não há porque explorar a tristeza’’ - afirma. Mantendo o contexto básico da impossibilidade da relação, Ramos utilizou o espírito de Petruska para deixar a tragédia mais suave, de forma que a idéia pudesse ser mais positiva até mesmo na morte de Romeu e Julieta. ‘‘Para mim, eles não morrem. Ascendem’’ - garante.
‘‘Dois e Nada Mais’’ é o primeiro espetáculo da companhia londrinense que traz um único balé, com 52 minutos de duração. Todos os bailarinos são mantidos no palco, o tempo inteiro, em coreografias que se desenvolvem em tramas paralelas. ‘‘O tempo de duração corresponde a 14 coreografias completas. Mas se levarmos em conta estas tramas paralelas, com uma média de duas a cada vez, teremos 28 coreografias no total’’ - explica.
O espetáculo traz uma grande novidade na área: dois bailarinos cantarão, em dueto, quase no final do espetáculo. ‘‘É uma grande ousadia já que a dança e o canto necessitam de respirações diferentes. Além disto, eles vão cantar quase no final do espetáculo, depois de passarem o tempo todo no palco. Mas estão se saindo muito bem’’ - explica Ramos.
Estarão se revezendo no papel de cantores os bailarinos Wagner Rosa e Cláudio Cunha em parceria com a bailarina Ana Elisa Delorenzo. ‘‘Todos os sete integrantes masculinos poderiam executar a obra sem problemas, mas entre as meninas, o papel exigia uma soprano com grande potencial de voz. E a Ana Elisa foi a revelação’’ - conta Ramos.
O Ballet de Londrina estréia sua temporada em melhores condições, inclusive financeiras, que nos anos anteriores. ‘‘Estamos extremamente motivados. A nossa grande expectativa é sermos cada vez melhores. Estamos cada vez mais profissionais, com melhor som, melhor iluminação, cenários mais elaborados, e realmente integrados à comunidade’’ - diz o diretor.
Para ele, o potencial do grupo como ‘‘vitrine’’ da cidade também está cada vez mais definido, dentro e fora do País. ‘‘Nós começamos nossa turnê, este ano, com uma viagem a Cuba, no dia 24 de abril. E já temos convites para fazermos uma turnê de 20 dias na Argentina, apresentações no Peru e no Uruguai’’ - conta.
De Cuba, o grupo segue direto para a primeira fase da turnê nacional, com apresentações em Fortaleza, Sobral e Crato (CE); Mossoró e Natal (RN); João Pessoa e Campina Grande (PB); Recife (PE); Maceió (AL); e Belo Horizonte (MG). O grupo volta a Londrina somente no final de maio. Em junho se apresenta em São Paulo, no Sesc Ipiranga. Em setembro, faz temporada de um mês, no Rio de Janeiro, e volta a se apresentar em Belo Horizonte. ‘‘Isto é o que está praticamente acertado. Mas ainda estão surgindo outras propostas’’ - afirma.

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