Novo Astérix desafia a dublagem
Quase três anos depois do lançamento da primeira (e catastrófica) adaptação cinematográfica em carne e osso das aventuras de Astérix, realizada por Claude Zidi, o pequeno herói gaulês está de volta à tela grande, desta vez sob a direção de Alain Chabat na mais cara produção já realizada na França: 50 milhões de euros. Com uma espantosa e inspirada velocidade de gags, o filme é muito superior ao primeiro. Pelo menos na versão original em francês, com legendas oferecendo o melhor que se poderia desejar na tradução. Um problema de razoáveis proporções pode estar na cópia dublada em exibição a partir de hoje em Londrina (veja a programação de cinema na página 2). Há um bom número de gags nos diálogos, seja em francês, seja na ''latinização'' das piadas. O tradudor das legendas resolveu da melhor maneira possível, sem comprometer o sentido do humor muito fiel ao texto de Goscinny, mas não se sabe o que esperar da sempre temerária dublagem.
Estamos no ano 52 A.C. O caso entre a sublime rainha egípcia Cleópatra e o poderoso imperador Julio César (o próprio diretor Chabat, se divertindo com o personagem) anda tendo altos e baixo. Ele só faz irritá-la e ela custa cada vez mais a se acalmar. Furiosa que o amante latino ouse duvidar da capacidade produtiva de seu povo, a bela (e que bela! Monica Bellucci, esmagadora) diz que ao incrédulo que os egípcios poderiam construir em pleno deserto, e em apenas três meses, o mais suntuoso dos César-Palace. A tarefa impossível é confiada ao arquiteto avangardista Numerobis (atenção a Jamel Debbouze, responsável por grande parte da comédia mais hilária). Se ele der conta, será coberto de ouro; caso contrário, vira aperitivo dos crocodilos reais. Numerobis recorre a velhos amigos de seu pai, Panoramix (Claude Rich), Astérix (Christian Clavier) e Obelix (Gerard Depardieu), um grupo de irredutíveis e inconquistáveis gauleses que detêm o único meio de acelerar o passo dos operários egípcios, a famosa poção mágica. Mas Amonfobis, invejoso arquiteto oficial da rainha, tem planos para sabotar o projeto.
O filme segue a narrativa contida em ''Astérix e Cleópatra'', publicado em 1965, e o sexto e um dos mais bem sucedidos ''comics'' franceses criados pela dupla René Goscinny (texto) e Albert Uderzo (desenhos). O filme é muito fiel ao espírito do humor tipicamente francês da dupla, ágil, ácido, energizado, às vezes niilista. Há momentos de grande comicidade, verbal e visual, e uma boa dose de atenção é requerida do espectador, para que nada se perca neste filme que tem, entre outros méritos, a capacidade de manter intacta a pureza gráfica dos quadrinhos originais.





