Novo álbum já vendeu mais de 100 mil cópias
Novo álbum já vendeu
mais de 100 mil cópias
O vozeirão de Agnaldo Rayol com as vozes afinadas de Christian e Ralf, em Gioconda, tomou de surpresa o Brasil. A música incluída na trilha da novela Rei do Gado, teve o dom de fazer com que o público, e muito especialmente a mídia, voltassem a cortejar o artista. Considerado por muitos o Rei da Voz, Agnaldo também foi confundido como astro estrangeiro por outra parcela menos informada.
As gravadoras disputaram o cantor; ganhou a BMG-Ariola, que acaba de lançar o CD Agnaldo Rayol. Antes mesmo de chegar às lojas, já tinha vendido mais de 100 mil cópias. Saiu com Disco de Ouro. Estou felicíssimo, conta Agnaldo. Não só pelas vendas como pelo cuidado na feitura do CD.
O produtor foi José Milton, um dos maiores do País, pessoa sensível que não quer ensinar ninguém a cantar; foi convocada uma orquestra de 60 músicos, regida por quatro maestros igualmente importantes: Daniel Salinas, Cristóvão Bastos, Eduardo Souto Neto e Jacques Morelembaum. O repertório recheado de clássicos nacionais e internacionais como Lábios que Beijei, Fascinação, Ouvindo-te, e Começaria Tudo Outra Vez.
O disco anterior de Agnaldo, Todo Sentimento, deu ao maestro Eduardo Souto Neto o Prêmio Sharp de melhor arranjador. O cantor esteve na festa, e sentiu de perto o interesse dos artistas em vir ao programa que irá estrelar na CNT. De Rita Lee a Ed Motta, foram muitos os que acharam bárbaro estar no Noite de Gala.
Basta estrear o programa na CNT e Agnaldo Rayol começará a se dedicar com maior afinco a um projeto ambicioso que já está em andamento - a produção de um grande show que começaria pelo Teatro Municipal de São Paulo, passaria pelo Municipal do Rio, viria a Curitiba - no Guairão ou Ópera de Arame -, e desceria até Porto Alegre.
Esses lugares têm fortes razões para o artista. São significativos para mim, conta. Para que o projeto vingue, é preciso um patrocínio de peso. Estamos vendo tudo isso. O diretor que fará toda a magia do palco está na mira do cantor. Tenho alguns nomes de pessoas maravilhosas, que não posso dizer agora.
Rei da VozUma das maiores emoções de sua vida foi em 1967, durante um show montado especialmente para ele pela TV Record. Foi na série Show do Dia 7 (a emissora em São Paulo era sintonizada no Canal 7), quando deu-se a cerimônia do coroamento de Rei da Voz.
Essa história começara meses antes com o jornalista Luiz Tadeu que passou a sugerir o título ao jovem cantor, tirando-o de Francisco Alves, falecido nos anos 50. A ovação foi uma das mais impressionantes, no momento em que Agnaldo adentrou ao palco. Ele conta:
- Quando fui agradecer, não aceitei o título. Muita gente não se lembra disso porque quando falei humildemente aceito esta homenagem, começaram a aplaudir e não ouviram direito o que falei depois: Mas o título devolvo às pessoas que o criaram para mim. Resumindo, o Brasil é ainda um País sem memória e naquela época mais ainda; e você não pode mexer com certas coisas que fazem parte da nossa história cultural musical. Rei da Voz é o Francisco Alves.
O cantor acha que estaria traindo uma coisa de memória se tivesse aceitado o título. A música brasileira tem em Orlando Silva o Cantor das Multidões, Carmen Miranda como A Pequena Notável e Carlos Galhardo como o Rei da Valsa. Não sou Rei da Voz, sou Agnaldo Rayol e ponto, decreta.
Que título seria o seu? Nenhum. Sou Agnaldo Rayol e só. Um cantor. Um cara que gosta de cantar e que faz da voz o seu instrumento de trabalho. Se as pessoas me chamam assim, respeito a homenagem que me fazem. Mas é importante lebrar de Francisco Alves, Orlando Silva e tantos outros.
Os fãs de Agnaldo podem respirar sossegados. Se um dia o encontrarem na rua podem chegar sem medo e pedir autógrafo, tirar fotografia e fazer toda a tietagem a que têm direito. Sendo artista você não pode exigir que as pessoas não cheguem perto de você, não te peçam autógrafo, não te queiram dar um beijo. Atendo mesmo, com o maior carinho, o maior prazer, afirma.
Essa é a consciência que ele tem de sua vida pública e do talento que Deus lhe deu. Quando você tem o privilégio de chegar às pessoas através da voz, da música, da canção, é uma coisa maravilhosa. Não tem nada no mundo que se compare a isso. Agradeço a Deus todos os dias pelo dom que me deu.
A carreira do artista é uma eterna renovação, afirma. Cada vez que você se apresenta num palco é como se fosse uma estréia, cada vez que você grava um disco é como se fosse o primeiro. Isso faz a vida da gente ser diferente. Satisfeito com o sucesso, sente que houve uma retomada das coisas. Para Agnaldo essa consciência é primordial, mas além dela é preciso também ter humildade para poder receber tudo isso e saborear, sem perder o norte da vida. Humildade não é baixar a cabeça, é saber levantá-la. (Z.C.L.)





