Novo álbum de Devendra é seu melhor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Marco Aurélio Canônico<br> Folhapress 
É fácil entender de onde vem o preconceito dirigido ao cantor e compositor norte-americano Devendra Banhart, 28.
O sujeito faz o estilo hippie-maluco-sujo, acha que Caetano Veloso é deus, canta folk-psicodélico misturando inglês, espanhol e português e cria canções com títulos herméticos como ''Samba Vexillographica''. Ou seja, nessa visão, é uma espécie de Beck que deu errado.
Mas preconceitos não servem para nada, e a verdade é que quem ouvir ''What É claro que o álbum mantém algumas ''devendrices'', como o hábito de misturar trechos completamente díspares em uma mesma canção. Mas mesmo esse tipo de idiossincrasia (presente em ''Angelika'', ''Chin Chin & Muck Muck'' e ''Maria Lionza'') não soa tão bizarro como outrora.
Talvez as indicações da mudança por que passou Devendra estejam na letra (em inglês) da divertida ''Baby'' (não, não é cover do Caetano), primeiro single do disco: ''Eu finalmente sei do que estou atrás/ Estou aprendendo a me permitir rir''. É uma grande canção, que poderia facilmente estar num disco do Little Joy.
De fato, esse clima alegre perpassa a maior parte de ''What Will We Be'' e é responsável por seus melhores momentos - além das já citadas, destaca-se os rocks ''16th & Valencia Roxy Music'' e ''Rats'', mais ''Foolin''', outra que o Little Joy tocaria facilmente, um reggae/ ska dos primórdios.
É claro que esse novo Devendra, mais acessível, não foi unanimidade entre os velhos fãs. Mas sua abrangência tem potencial para conquistar novos.
SERVIÇO
- What Will We Be
Artista - Devendra Banhart
Gravadora - Warner Music
Quanto - R$ 30


