TV PressEdson Celulari e Giulia Gam: par caliente em ‘‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’’A Rede Globo de Televisão começou, domingo, a colocar no ar sua nova programação. Durante toda esta semana, novos e diferentes programas vão rechear a telinha da TV - ainda - mais assistida no Brasil. E, para tentar manter a posição de líder em audiência, a emissora aposta alto no seu núcleo de dramaturgia, trazendo de volta as séries brasileiras e o formato consagrado das minisséries. Para abrir a programação com chave de ouro, o tema não poderia ser diferente: mulheres. Hoje traz a estréia da minissérie ‘‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’’ (22 horas, somente hoje. Nos demais dias, às 22h45) e amanhã (21h45) a série brasileira ‘‘Mulher’’.
Em 20 capítulos, ‘‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’’, baseada na obra de Jorge Amado e adaptada por Dias Gomes, com co-autoria de Marcílio Moraes e Ferreira Gullar, traz no elenco Giula Gam, Edson Celulari e Marco Nanini, nos papéis principais. Dirigida por Mauro Mendonça Filho, a minissérie retrata todas as cores e os temperos da Bahia, através de uma nova leitura do romance, avançando um olhar diferente sobre o retrato da Bahia traçado por Jorge Amado.
A história revela o universo da professora de culinária Florípedes Paiva (interpretada por Giulia Gam) e seu envolvimento com os maridos Vadinho (Edson Celulari) e Teodoro (Marco Nanini). Mais conhecida como Dona Flor, uma ex-viúva que, insatisfeita com o segundo marido, o respeitado farmacêutico Teodoro Madureira - um tipo certinho e metódico que só faz sexo duas vezes por semana, com direito a bis no sábado - deseja (e consegue) trazer de volta o primeiro marido, o ‘‘politicamente incorreto’’ Valdomiro dos Santos Guimarães, para reviver a paixão sensual que os unia.
A fidelidade à obra de Jorge Amado dá o tom da adaptação do romance, que chega à TV respeitando a essência da cultura popular baiana presente no livro. A minissérie vai desfiar, em uma outra linguagem, os mistérios, a sensualidade, o sincretismo religioso, a música e todo o colorido urbano da Bahia. Segundo o escritor Dias Gomes, que pela primeira vez se aventurou em uma adaptação da obra de um autor vivo, não é fácil transformar um romance em uma minissérie de 20 capítulos. A equipe de escritores trabalhou com a preocupação de recriar sem desvirtuar o original, procurando não fugir ao espírito da obra.
TV PressCassio Gabus Mendes, Patrícia Pillar e Eva Wilma estão no elenco de ‘‘Mulher’’
Com as bênçãos de Jorge Amado, a história foi atualizada e personagens secundários, como o bicheiro Calabrês (Otávio Augusto), passaram a ter maior importância na trama. Mas, para desenvolvê-lo, Dias Gomes precisou desenvolver também a sua família e tocou na questão da ascensão dos bicheiros, acrescentando um lado de violência à história. ‘‘Pensamos que, se o Jorge escrevesse o romance agora, ele faria dessa forma. Tivemos de considerar as diferenças da cidade de Salvador daquela época para os dias de hoje (o jogo do bicho era livre quando ele escreveu o romance). Seria impossível não abordar o jogo, porque o Vadinho é um jogador compulsivo. Assim, fizemos um cassino clandestino’’ - explica o escritor, referindo-se ao Novo Tabaris, cenário frequentado pelos bicheiros e boêmios.
Quem espera, aliás, um repeteco do filme homônimo, da década de 70, dirigido por Bruno Barreto e com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça no elenco, vai ter uma bela surpresa. Tirando a história básica, as diferenças entre a minissérie e o filme foram uma das preocupações da direção que, inclusive, escalou uma intérprete de Dona Flor bem diferente daquela que está no imaginário popular (a morenice sensual de Sônia Braga). ‘‘O filme tem pouco mais de uma hora de duração. Nós vamos ter pelo menos umas 15 horas, então é preciso inovar na condução da história e no visual. Não temo comparações. As pessoas verão como é diferente’’, diz o escritor.
Para Dias Gomes, a minissérie vai caracterizar o bom humor do romance. ‘‘É uma comédia, embora tenha o drama encarado de uma maneira crítica’’ - explica. E, como no romance original, a história tem o ponto de vista de Flor. A reaparição de Vadinho, por exemplo, é decorrência de sua vontade, é ela quem comanda a ação. ‘‘Flor buscou no outro o que não tinha no primeiro: segurança, tranquilidade do lar. E acabou verificando que isso também é muito chato. Como o Jorge diz no livro, a felicidade é uma coisa chata’’ - diverte-se Gomes.
E salienta que a história deixa claro o adultério. ‘‘Em decorrência da grande ansiedade pelo retorno de Vadinho, ele reaparece. É a força do amor que leva a um certo surrealismo. O adultério existe, Vadinho não é só um fantasma. Mas ninguém vê, porque não é permitido’’ - analisa Dias Gomes, explicando que a história está recheada de cenas sensuais e picantes, algo já banal no horário.
Já a série ‘‘Mulher’’ tem a a direção geral de Daniel Filho, que também é responsável pela supervisão de textos e roteiros escritos por Euclydes Marinho, Álvaro Ramos, Maria Helena Nascimento e Leandra Pires. A série mantém a linha dos programas produzidos em películas de 35mm para a televisão. Segundo Daniel Filho, ‘‘Mulher’’ foi criada no formato de episódios que apresentam histórias completas, mostrando os problemas cotidianos de uma clínica carioca especializada no atendimento a mulheres. A cada história, no mínimo, dois novos assuntos serão abordados: nascimento e morte, doenças e curas.
Os 22 episódios previstos são protagonizados pelas atrizes Eva Wilma e Patrícia Pillar, que interpretam as doutoras Martha e Cris, respectivamente. Além delas, ‘‘Mulher’’ tem grandes profissionais em seu elenco fixo, nomes como Carlos Zara, Maurício Mattar, Cássio Gabus Mendes, Carla Daniel, Lúcia Alves, Mônica Torres, Nildo Parente e outros. Porém, um elenco convidado vai enriquecer os episódios.
É no episódio de estréia, ‘‘O Princípio de Tudo’’, escrito por Euclydes Marinho e Álvaro Ramos, com a colaboração da roteirista americana Lynn Mamet, que as doutoras Martha e Cris se conhecem durante um vôo para o Rio de Janeiro. No avião, a jovem Tetê (Natália Lage), grávida de oito meses, passa mal e um parto de emergência precisa ser improvisado. Martha se apresenta como médica. Cris também. As duas acabam ajudando a menina. Essa primeira situação dramática é um dos pilares da história das personagens da clínica. Impressionada com Cris, Martha, que é médica-chefe da clínica, a convida para trabalharem juntas, vislumbrando, assim, sua possível sucessora.
A temática da série já havia sido explorada por Daniel Filho - ele já retratou o universo feminino, com suas belezas, dores, prazeres, medos, inseguranças e a infinita diversidade dos sentimentos humanos. ‘‘Estou me repetindo na medida em que este programa vem a ser, de certa forma, uma nova versão do Malu Mulher 20 anos depois. É um espaço inteiramente dedicado às mulheres, mas que vai trazer também, por consequência, o universo masculino querendo entender a alma feminina’’ - conclui o diretor.

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