Nelson Sato
De Londrina
Elas estão na fita outra vez – para a alegria dos moderninhos, que têm pelo menos um título de cada uma na coleção de CDs. Com novos discos nas lojas, as duplas Everything But The Girl e Pizzicato Five já não trazem o frescor de outras temporadas mas ainda desfilam com algum estilo na passarela pop.
A primeira se converteu de vez à eletrônica. A segunda segue reciclando tudo o que sai dos alto-falantes do mundo. Em ‘‘Temperamental’’ (Virgin), o Everything But The Girl mergulha nos timbres sintetizados, três anos depois de estourar nas pistas com o hit ‘‘Missing’’, carro-chefe do álbum ‘‘Walking Wounded’’.
Naquela ocasião, as batidas dançantes e os efeitos computadorizados ainda eram uma novidade para o compositor e multiinstrumentista Ben Watt e para a vocalista Tracey Thorn, que tinham despontado na década de 80 com apelos bossanovísticos e melodias delicadas. A mudança deixou os antigos admiradores desconfiados, mas gerou um frisson entre os clubbers.
Para os dois irmãos ingleses, a virada foi oportuna, já que eles andavam por baixo após lançarem alguns discos frouxos e Ben ser abatido por uma doença que o deixou de coma por vários dias. No auge do sucesso de ‘‘Missing’’, podia-se até folhear revistas chiques gringas e flagrar sorrisos naquelas caras pálidas de quem parecia fugir do sol há três verões.
Radicalizando o trabalho anterior, ‘‘Temperamental’’ soa enfadonho em muitas passagens, desperdiçando a voz de rouxinol de Tracey sob beats burocráticos. Mas a melancolia de ‘‘Hatfield’’, as pinceladas jazzísticas de ‘‘No Difference’’ e a aeróbica ‘‘The Future of the Future’’ (assinada e mixada pelo produtor Deep Fish) tentam se contrapor aos deslizes e sustentar a correria dos fãs às lojas.
É o que se pode falar também de ‘‘Playboy & Playgirl’’, terceiro CD da dupla japonesa Pizzicato Five, que finalmente é lançada no Brasil. O disco faz parte do primeiro pacote de títulos do selo norte-americano Matador comprado pela gravadora Trama, que inclui discos do Pavement e do grupo de hip hop Arsonits. O próximo lançamento será Cornelius, outro expoente do pop nipônico.
Pizzicato Five é formado pelo DJ Yasuharu Konishi e pela vocalista e ex-modelo Maki Nomiya. A dupla já foi definida como ‘‘retrô-futurista’’ e ‘‘kitsch-chique’’. Combina texturas extraídas de tecnologia de ponta com timbres de instrumentos de época. Recicla de bubblegum dos anos 60 a Burt Bacharach.
Às vezes lembra jingle publicitário. Outras vezes remete a trilha de desenhos animados. Como o disco do Everything But The Girl, o novo repertório deste duo oriental oscila entre faixas bacanas e outras chatinhas. Mas depois de ser fisgado pelos ecos de drum’n’bass, a linha de baixo e os arranjos para piano e sax de ‘‘Rolls Royce’’, perceber a influência do Stereolab em ‘‘A New Song’’, encantar-se com a candura de ‘‘Magic Twin Candle Tale’’ e se chapar com ‘‘I Hear a Symphony’’, vai ser difícil não vestir a camisa da dupla.
Foi o que fez a banda mineira Pato Fu, que compôs a música de abertura de seu último CD totalmente inspirada nos japas.As duplas Everything But The Girl e Pizzicato Five têm seus novos discos lançados no Brasil
ReproduçãoPizzicato Five: reciclando jingle publicitário, trilha de desenho animado, Sterolab e bubblegum dos anos 60ReproduçãoEverything But The Girl: convertidos à eletrônicaReproduçãoNovo CD do Everything But the Girl traz drum’n’bass e technoReproduçãoCD do Pizzicato Five é o primeiro do grupo lançado no Brasil

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