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sábado, 16 de março de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
O humor permeia a carreira de Otaviano Costa. Por isso mesmo, o ator já estava com vontade de interpretar um papel naturalista, como o Haroldo de "Salve Jorge". Principalmente por ter encarnado, por duas novelas seguidas de Walcyr Carrasco, tipos escrachados: o baiano Adenor de "Caras & Bocas", de 2009, e o malandro Élcio que se travestia de Elaine em "Morde & Assopra", de 2011.
Assim que terminou sua participação na trama mais recente, foi avisado da possibilidade de voltar ao ar em uma novela de Gloria Perez pelo produtor de elenco Luiz Antônio Rocha. Os dois haviam trabalhado juntos em "Amor e Intrigas", da Record, em que Otaviano viveu um vilão.
Os 23 anos de carreira de Otaviano na tevê são intercalados por trabalhos como ator e apresentador. A estreia na teledramaturgia aconteceu na "Escolinha do Golias", do SBT, em 1990. No mesmo ano, apresentou o "Clipes Animados", na MTV. Desde então, atuou em cerca de sete produções, entre elas "Éramos Seis", do SBT, em 1994, e "Macho Man", da Globo, em 2011. E apresentou mais de 15 programas, como o "O+", da Band, e o "Domingo Espetacular", da Record. "São duas formas de estar onde eu mais amo na vida, que é no estúdio, em contato com o público, com a câmara. Fico bem dividido", confessa.
Você é mais conhecido do público por personagens cômicos. Como foi seu processo de composição para o advogado Haroldo, de "Salve Jorge"?
A Gloria Perez não nos fornece tantos subsídios do personagem. Porque no ponto de vista da autora, que é muito interessante, ela prefere não criar uma história pregressa para não limitá-la criativamente. Ela prefere desenvolver os personagens a partir do ponto em que eles existem na trama. Esse esquema é instigante por um lado e difícil por outro, porque você não sabe como entrar na cena. Mas ela dá algumas palavras-chave. Por um lado, é desafiador porque você cria uma história a partir da escrita, cria a psicologia do papel. E o meu trabalho de composição é baseado em intuição. Vou no que acredito que está escrito e na cena em si. Aquilo que o outro ator me trouxer, eu desenvolvo. Eu não gosto de olhar referências, eu pesquiso referências. Se é um advogado, eu não vou ver um ator que fez um advogado. Não gosto, não consigo, não me permito fazer isso.
Por quê?
Porque eu tenho medo de pegar muitas coisas. Não que eu tenha receio de copiar um Robert De Niro, um Al Pacino, um Antônio Fagundes ou outro dos nossos grandes atores, não é isso. É que eu parto do princípio de que posso criar uma coisa minha e que, se parecer com alguém, legal. Ou se não parecer com alguém, melhor ainda. Eu só faço um trabalho de aprofundamento do universo. Flávia (Alessandra, esposa do ator) é advogada, minha mãe também. Fomos em dois, três escritórios no Rio de Janeiro para entender um pouco do dia a dia. E, por coincidência, conheci um cara cujo jeito gostei muito. Gosto de me apropriar de personalidades verdadeiras, não de trabalhos compostos.
Por que sua carreira foi mais pautada na comédia?
Porque foi onde as portas se abriram. Talvez agora, nesses últimos tempos, as pessoas tenham notado isso ainda mais, pelos papéis de comédia que fiz, pela participação no "Amor & Sexo", onde as pessoas viram essa coisa engraçada. As portas se abriram no início da minha carreira porque esse meu estilo de ser no dia a dia leva quem tem essa sensibilidade artística a pensar: "esse cara vai render fazendo humor". E rendeu. Mas tem outras portinhas que eu estou voltando a abrir. Como essa agora, com o Haroldo.
Mas você se considera engraçado no dia a dia?
Sou divertido na minha vida, bem-humorado. Mas tenho um lado muito sério, muito caxias. Sou estressado, sou bem chato em vários aspectos. Eu sou bacana, mas sou um ser humano normal. O próprio Nanini, dando uma entrevista, na Globo News, falou: "Ser ridículo, estar ridículo é um precipício em que a gente se joga de peito aberto". A gente joga toda hora. Mas as pessoas têm muita mania de confundir a realidade com o que você é ou faz na tevê.
Além de "Salve Jorge", você já fez outras duas novelas em que Flávia Alessandra também estava no elenco, o que faz algumas pessoas julgarem que você conquistou determinado papel por influência dela. Até que ponto isso incomoda?
Já me incomodou. Agora, não mais. Acho que é a bobagem mais fácil de se concluir quando existe um casamento desse tipo. Mas as pessoas esquecem que eu já trabalhei na Globo, as pessoas esquecem que eu tenho uma história. É mais fácil você subestimar o talento de um e superestimar o talento do outro. Outro dia, até brinquei e falei: "É fácil então para Flávia ligar para o Bonner (William) e falar que eu quero ficar no lugar dele por uma semaninha". É uma bobagem isso (risos).


