NOVIDADE - Londrina vai se render ao jazz
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O que há tempos se especulava pelos bastidores, vai se concretizar no próximo mês. Após algumas tentativas frustradas de outros empreendedores culturais locais, a produtora MadameX anuncia a realização do primeiro Festival de Jazz de Londrina. A programação, quase fechada, ocupará diversos palcos da cidade entre os dias 18 e 21 de dezembro.
A lista de atrações já confirmadas inclui nomes como Egberto Gismoni, Bocato, DJ Don Cab e o legendário J.T.Meirelles acompanhado pelo seu grupo Copa 5. Também estão escalados músicos e grupos locais como Big Band, André Siqueira, Londrina Jazz Trio e Batistela Trio. Os shows principais estão previstos para o Teatro Marista, enquanto que os outros ocorrerão em espaços como o Anfiteatro do Zerão, auditório da Associação Médica, Concha Acústica e bar Valentino.
''A idéia é levar o jazz para o grande público'' explica André Guedes, da Madame X. ''Hoje em dia, ele se tornou um gênero musical de elite. Queremos resgatar suas origens populares apresentando shows em lugares públicos. Estamos pensando até em programar algumas apresentações em bairros distantes do Centro, como o Eucaliptos. Os preços dos ingressos também serão acessíveis, custando entre R$ 5,00 e R$ 10,00''.
Ele salienta que o jazz possui um contingente numeroso de aficionados na região. Acrescenta que o programa '''Londrina Jazz Clube', apresentado por José Flavio Garcia, conta com grande audiência na Rádio Universidade FM. ''Temos ainda os músicos formados na cidade, o curso de Música na UEL, o pessoal do Clube do Jazz e o Festival de Música que abre espaço para a música instrumental. Todo esse pessoal estava carente de um festival específico'' diz.
André observa que, no Brasil, o jazz funde-se à música instrumental criando uma sonoridade peculiar. É o que se constata no trabalho desenvolvido pelos artistas elencados no Festival. Egberto Gismonti, o nome mais conhecido entre os convidados, atua na fronteira entre o legado de Villa-Lobos, o jazz e a música de concerto. Integra o time de compositores brasileiros que conquistou suficiente prestígio internacional para manter-se na contramão dos apelos mercadológicos. Com 53 discos lançados em mais de trinta anos de carreira, apresenta-se mais no exterior do que em seu próprio país. Em meados da década de 80, teve grande inserção entre o público universitário alcançando popularidade com a música ''Palhaço''.
Nesta fase, já estava consagrado mundialmente lançando discos pelo selo norueguês ECM, especializado em free jazz e música experimental. Seu último álbum, ''Meeting Point'', foi gravado em 1997 com a Orquestra Sinfônica Estatal da Lituânia. Compositor e multiinstrumentista, ele produziu ainda dezenas de trilhas sonoras para cinema, teatro e balé.
Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, tornando-se um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo. Nos últimos anos sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Há três meses, foi homenageado com um concerto em Londrina pelos músicos curitibanos Hélio Brandão (saxofone), Sérgio Justen (piano), Glauco Solter (contrabaixo) e Endrigo Bettega (bateria).
A apresentação-tributo fez parte da série ''Concertos Matinais'', um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina coordenado pela professora
Magali Kléber. A outra grande atração já confirmada para o Festival é o maestro, arranjador, saxofonista e flautista J.T.Meirelles, figura legendária que foi redescoberta pelas novas gerações.
Pioneiro do samba-jazz, ele tornou-se um ícone da música instrumental verde-amarela ao lado do grupo Copa 5. Fundindo a fluidez jazzística com o drive rítmico do samba, o artista deu origem a um som único, elegante, juntando o melhor de dois mundos. E que também por ser filho indireto da bossa nova transformou-se em um dos estilos de música brasileira mais apreciados mundo afora.
Pegando carona no revival do gênero, o selo Dubas relançou recentemente seus álbuns ''O Som. Meirelles e os Copa 5'' (1964) e ''O Novo Som. Meirelles e os Copa 5'' (1965). No ano passado, ele entrou no estúdio para gravar um novo disco, o aclamado ''Samba Jazz''. Com o prestígio em alta, foi convidado para participar do bloco jazzístico do Tim Festival, realizado há poucos dias no Rio de Janeiro.
No palco, apresentou-se com os músicos Guilherme Dias Gomes (trompete), Laércio de Freitas (piano), Adriano Giffoni (baixo) e Robertinho Silva (bateria). Talvez seja a mesma turma que desembarque com o mestre, por aqui, em dezembro. Completando a trinca de craques convocados para o Festival, o trombonista Bocato começou a despontar acompanhando Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção.
Em 1980, tocou e gravou com Elis Regina no show ''Saudades do Brasil''. Depois, sua carreira como instrumentista se intensificou atuando ao lado de Rita Lee, Ney Matogrosso, Roberto Carlos e outros famosos. Em 1985 lançou seu primeiro disco solo. Em 1997 lançou um CD só com músicas de Pixinguinha. Segundo André Guedes, ''faltam mais 2 nomes'' para fechar o elenco do Festival.
Sua produtora, a Madame X, foi responsável pela programação musical das últimas edições do Festival Internacional de Teatro (Filo). Além disso, colocou a cidade na rota dos shows internacionais de rock trazendo artistas e bandas como Stephen Malkmus, Fugazi, Man or Astro-Man?, Superchunk, Atari Teenage Riot, Stereo Total e Make Up.


