Curitiba - ''... As pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração...''. Esta frase, extraída do livro ''O Perfume'', de Patrick Suskid, traduz o fascínio que aromas provocam no homem desde os primórdios da civilização. A história do perfume tem cerca de 5 mil anos e está contada no Espaço Perfume, uma espécie de museu com os olhos para o futuro, aberto ao público desde ontem dentro do complexo Estação Embratel Convention Center.
O empreendimento na casa dos R$ 2 milhões traça o desenvolvimento do perfume desde 3000 A.C. mostrando os cheiros da civilização egípcia e vem até o final do século XIX quando o produto passou a ser industrializado. Nesta primeira parte, 20 nichos mostram importantes momentos dessa evolução como os rituais de beleza que Cleópatra vivia ou a cerimônia do incenso. Pode-se adentrar também na Renascença até chegar nos requintes franceses, berço da perfumaria mundial.
O Espaço Perfume nasce com o título de único lugar no mundo dedicado apenas ao tema. Para que tudo que foi montado esteja realmente de acordo com a história, a curadora Renata Ashcar, autora do livro ''Brasilessencia - A Cultura do Perfume'', viajou várias vezes à Europa em busca de informações. ''Foi uma pesquisa muito trabalhosa. Essa inauguração é o fechamento de um processo para mim.'' Renata começou a estudar para seu livro em 1998. Como foi patrocinada pelo grupo O Boticário recebeu o convite do presidente do grupo, Miguel Krigsner, para a curadoria do espaço. Juntaram-se a Krigsner como patrocinadores os grupos Givaudan (fragrâncias) e Saint-Gobain (frascos). E ainda as empresas de incenso Nippon Kodo, a Swarosvski dos famosos cristais austríacos encravados no céu de uma parte do espaço a OpúsMultipla e a Posigraf, como apoiadoras. O projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo Estúdio Votupoca. Foram feitas pesquisas em museus europeus. Ao todo foram seis meses para finalizar as instalações.
Entre os destaques do museu parte da rara coleção de frascos Givaudan do século XVIII, um equipamento que libera fragrâncias por múltiplos canais, com sincronização de imagens e cheiros; um precioso acervo de peças milenares relacionadas ao tema; e ainda, peças doadas, como um raro exemplar, original, da célebre Eau de Cologne Royale - Jean Marie Farina, a famosa Água de Colônia, desenvolvida especialmente para Napoleão Bonaparte carregar dentro de sua bota, e um frasco em vidro fenício de 1200 A.C.
O Espaço Perfume funcionará gratuitamente até o início de agosto quando passa a ser cobrado o ingresso de R$ 3,00 para visitação conjunta com outros museus. Existem no complexo o Ferroviário, o Estação Natureza e o de Bonecos, entre outros. Metade da renda obtida será revertida para o Centro de Ação Voluntária de Curitiba, um conglomerado de diferentes instituições de caridade.
Uma outra característica é que o espaço será democrático. Lá poderão ser vistos frascos de concorrentes de O Boticário. Numa segunda parte do espaço, há uma conexão com o perfume e a moda. É o século XX quando as grandes maisons francesas descobriram que através dos aromas era possível faturar tanto quanto com as luxuosas roupas que vendiam.
Também há no Espaço Perfume um momento mágico onde os visitantes entram numa garrafa de perfume. E existem particularidades que conectam o Brasil de hoje com a Europa do passado. ''No mercado Ver-o-Peso em Belém do Pará até hoje vendem-se fragrâncias para mau-olhado, para felicidade, um hábito que era comum na Europa no passado. Temos muita história no nosso País que desconhecemos'', contou em entrevista coletiva Renata, para explicar a existência de um imenso boneco de pano cheio de frascos pendurados ao lado de uma banquinha.

mockup