NOVIDADE - A ciência ganha espaço
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terça-feira, 10 de maio de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Acho que todo mundo um dia já sonhou em conhecer pessoalmente o Professor Pardal, personagem do gibi Tio Patinhas, que com suas engenhocas estimulava a nossa imaginação. Nos seus experimentos, havia sempre uma forma de desvendar mistérios e achar resposta para as mais variadas situações. E, trazendo para a vida real, além da fantasia das histórias em quadrinhos, a ciência não foge muito disso: a sua lógica é feita da experimentação e é na busca incessante para a comprovação de hipóteses que se consegue superar obstáculos e estabelecer novas idéias.
Com o objetivo de estimular o espírito ciêntífico desde a infância, a partir desta sexta-feira entra em funcionamento o Museu de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O prédio, construído especialmente para o museu, abriga diversos experimentos. Um dos mais interessantes é o ''Atrasador de Som'' que mostra que a velocidade do som não é instantânea na verdade, 340 metros por segundo. A engenhoca é um equipamento montado com vários tubos plásticos curvos que permite que perceba-se com mais facilidade o tempo que o som leva para chegar ao ouvido.
Outro equipamento que deve chamar a atenção dos alunos é o ''Disco de Newton''. Ao apertar um botão, o disco com várias cores gira em alta velocidade fazendo com que se enxergue apenas a cor branca. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a cor branca não é a ausência de cores e sim o resultado da composição de várias delas. Além de cartazes explicativos ao lado de cada experimento, haverá monitores especialmente treinados para fornecer explicações didáticas sobre cada uma das experiências.
No Salão de Exposições do museu, também será montado um aquário, como parte da área de biologia e uma maquete de foguetes, dentro do conceito de museu aeroespacial. Outra novidade é a seção de automoção e robótica que em breve irá conter uma mesa de sinuca computadorizada. A idéia é mostrar como vários ângulos e velocidades podem garantir o sucesso do jogo. Na mesa, haverá um sistema de sensores que irão acompanhar o desenvolvimento do jogo, retroalimentando o computador com informações, fazendo com que o computador passe a ser um jogador também. O equipamento está sendo desenvolvido em parceria com alunos da Unopar e deve estar pronto até o final do ano.
O museu também vai sediar o setor de videomicroscopia. Nesta sala, haverá um microscópio com filmadora acoplada que joga imagens de células minúsculas para uma televisão. Microscópios com lupas também vão ser disponibilizados para facilitar as atividades em grupo. Um conjunto de caixas com experimentos nas áreas de física, química e biologia vão permitir que as escolas abriguem durante uma semana diversos experimentos. Chamadas de ''Experimentoteca de Ciências'', as caixas podem ser emprestadas para as escolas com agendamento prévio (confira telefone nesta página). Um veículo fica responsável pela entrega e recolhimento das caixas dos experimentos. Os professores que utilizarão os experimentos devem passar por curso rápido de capacitação feito no próprio museu.
Segundo o coordenador do museu, o professor de física Sérgio de Mello Arruda, a idéia de construir o espaço surgiu no início da década de 90 envolvendo a UEL e oito núcleos regionais de educação da região. Mais conhecido como Projeto Renop Rede de Disseminação em Educação Científica do Norte do Paraná , ele deu origem a projetos voltados à capacitação de professores, pós-graduação, pesquisa, assessoria e divulgação científica, onde se enquadra o estabelecimento do museu. ''O museu faz parte de um movimento de divulgação de educação científica, ensino e pesquisa externa. Pretendemos ser um centro de iniciação científica voltado às escolas'', disse Arruda.
Para a construção do prédio foram investidos R$ 100 mil, sendo desse total R$ 60 mil provenientes do Ministério da Cultura através de emenda do deputado federal Alex Canziani, R$ 20 mil da Milênia Agrociências e R$ 20 mil de contrapartida da UEL. Os equipamentos do museu, totalizados em R$ 830 mil, foram comprados com recursos da Vitae sociedade civil sem fins lucrativos que investe na área de educação.
No mesmo terreno onde está instalado o museu será construído um observatório que abrigará um telescópio e está prevista a construção de mais salas para o museu a partir de agosto. Para isso, já estão alocados R$ 36 mil do CNPQ e R$ 120 mil da UEL. O planetário, que está desativado e fica ao lado do Pronto Atendimento Infantil (PAI), também fará parte da administração do museu. Um novo projetor, importado da Itália, já foi pago e o museu aguarda a reforma do local de responsabilidade da Prefeitura para instalar o novo equipamento e retomar o funcionamento do planetário.
Serviço:
- Informações e agendamento de experimentos de ciências para as escolas podem ser feitos pelo telefone 943) 3371-4566.


