Novelas investem em nomes do cinema
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domingo, 28 de dezembro de 2008
Mariana Poli<br> Folhapress 
O que André Ramiro, Leonardo Medeiros, Hermila Guedes, Dáblio Moreira e Micael Borges têm em comum? Todos tiveram sua carreira na TV impulsionadas por suas atuações no cinema.
De olho nas produções cinematográficas, as emissoras apostaram pesado em rostos do cinema em 2008.
O maior exemplo é Leonardo Medeiros. Com 22 filmes no currículo - atualmente, ele está em cartaz com ''Feliz Natal'', longa de Selton Mello -, o ator estreou no horário nobre como o prefeito Elias de ''A Favorita'' (Globo). ''Havia três anos que eu vinha recebendo convites. Mas só deu para aceitar agora'', conta. Segundo ele, no Brasil, é preciso fazer TV. ''Lá fora dá para ganhar muito dinheiro fazendo cinema. Aqui não. Antes de qualquer coisa, o ator precisa sobreviver.'
Para Fernando Meirelles, diretor de ''Ensaio sobre a Cegueira'', hoje se faz mais filmes, portanto há mais atores sendo descobertos. Em 2002, ele rodou ''Cidade de Deus''. O filme caiu nas graças da crítica e do público e levou atores como Jonathan Haagensen e Micael Borges para a televisão.
Questionado se faria o caminho inverso, ou seja, levar um ator da televisão para o cinema, Meirelles pondera: ''Se for um bom ator, eu não terei problema algum. Embora, às vezes, uma cara muito exposta possa tirar o frescor de um personagem''.
Dáblio Moreira, 21 anos, que vive o menino de rua Demorô em ''Chamas da Vida'', experimenta pela primeira vez o sucesso na TV. Antes de ganhar um papel de destaque na trama da Record, ele foi Zezé Di Camargo (criança) em ''Dois Filhos de Francisco'' (2005). ''Não imaginava que iria para a TV'', revela.''Até hoje uso o que aprendi no filme, como trabalhar os sentimentos.''
Acostumados à linguagem do cinema - que é bem mais lenta e trabalhada-, todos são unânimes: fazer novela não é fácil. ''No começo foi bem difícil, eu ficava muito tensa. O ritmo é diferente'', conta Hermila Guedes, que recebeu convite da Globo depois de estrelar ''O Céu de Suely'', filme de Karim Anouz.
''Em um longa, há tempo para aprofundar e digerir o personagem. Filma-se no máximo cinco sequências por dia. No estúdio (de televisão), você grava 20 cenas em um dia'', afirma Medeiros.
Os atores de cinema que vão para a TV também concordam quando o assunto é visibilidade. ''Outro dia estava fazendo as contas. Nos 22 filmes que fiz, fui visto por 600 mil pessoas. Em um minuto de novela, milhões me vêem'', diz Medeiros. ''Fazer Ciranda de Pedra foi bom para que minha família pudesse conhecer meu trabalho. Como não faço filmes comerciais, eles não chegam a Cabrobó (cidade do interior do Pernanbuco). Com a novela, minha avó e minhas tias conseguiram me ver atuar. Nesse aspecto, a televisão é mágica'', comenta Hermila.


