Novela vai abordar o alcoolismo
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terça-feira, 11 de março de 2003
Jorge Barboza<br> Agência Folha 
O autor Manoel Carlos vai usar a personagem Santana (Vera Holtz), de ''Mulheres Apaixonadas', para tratar do alcoolismo. A atriz insiste que sua personagem é uma ''pessoa normal'', que apenas bebe um pouco mais. ''Não sei o que leva Santana a ter essa compulsão pelo álcool. A solidão é algo concreto, sim. Ela foi abandonada pelo noivo no altar. Mas isso já foi esquecido. Depois de uma certa idade, apagam-se coisas da juventude'', diz.
Não é bem assim para o autor, que afirma que a sua mestra de religião vai ''exemplificar'' o alcoólatra. ''Ela ocupa uma posição de responsabilidade e vai estar completamente em desacordo com a atividade de professora de adolescentes. Até corre o risco de perder o emprego'', sinaliza Manoel Carlos.
Se para Vera, que vem de uma família de professores - ela mesma, formada em Artes Plásticas, lecionou durante cinco anos em colégios da capital e do interior de São Paulo -, Santana apenas ''bebe e dorme'' e nunca aprontou nenhum ''esculacho'', para o autor, ela está fadada ao fiasco.
E descartando qualquer parentesco com a célebre Heleninha de ''Vale Tudo'' (1988), diz que a bebum de ''Mulheres'' não tem nada a ver com ''alcoólatras dondocas'', que bebem em festas. ''Santana bebe escondido, na xícara de café, para disfarçar. É uma personagem que viveu grandes desilusões e que não consegue controlar o vício, apesar de achá-lo horrível.''
O AA (Alcóolicos Anônimos) agradece. ''A mídia ficcional sempre tratou o problema com muito carinho e respeito. Sempre mostrou o alcoólatra com o máximo possível de realidade e transparência'', diz o ex-alcoólatra Nilo, que administra uma pensão em São Paulo e divulga os trabalhos do AA. Segundo ele, a doença é progressiva.
''Ninguém começa bebendo um litro. É assim, de pouquinho em pouquinho. O bebedor-problema começa a sentir o desconforto de não ter bebida, e chega a sair dos lugares quando não há o que beber. Eu ficava desesperado para dar uma escapada da empresa na hora do almoço.''
Pesquisas da Unesp e da Unifesp dão conta de que as mulheres não apenas estão bebendo mais como estão começando a fazê-lo mais cedo. Até o início dos anos 90, de cinco jovens que procuravam ajuda médica, apenas um era do sexo feminino. Hoje, a média é de dois rapazes para uma garota.


