Reúna alguns jovens bonitos, escreva uma história do tipo amor à primeira vista, escolha um cenário paradisíaco: está pronta uma novela. Foi isso o que ‘‘Perdidos de Amor’’ mostrou nos primeiros capítulos. A novela da Band conta a história de um triângulo amoroso entre Pedro Henrique, Maria Luísa e Rodrigo. Os dois primeiros estão de casamento marcado e o terceiro entra para atrapalhar a relação. Mas o que poderia ser uma história romântica passa a ser uma grotesca apologia à riqueza.
Se o objetivo da autora Ana Maria Moretzsohn é proporcionar ao espectador algo diferente do seu cotidiano, ‘‘Perdidos de amor’’ corre o risco de virar um tédio. A novela mostra um mundo distante do brasileiro, que assiste com enfado a trama recheada de uísque e carros importados.
A inexistência de pobres pode ser considerada, no mínimo, diferente para quem está acostumado a assistir às novelas da Globo, com o típico núcleo suburbano, suas piadas e tipos característicos. Entretanto, o maior problema de ‘‘Perdidos...’’ não é a inexistência de pobres, mas a overdose de riqueza. O empresário da novela, Fabiano, tem uma mansão no Leblon e anda de limusine. A filha dele, Maria Luísa, vai com os amigos passar uma temporada na África, num hotel seis estrelas, como se fosse para a casa de veraneio da família.
O personagem mais pobre de ‘‘Perdidos...’’ é Rodrigo, um papel que sem dúvida alguma é fictício. A autora o fez romântico, bom caráter, um jovem idealista vindo da classe média e que enriqueceu aos 25 anos com o fruto do próprio trabalho. Não dá para acreditar que uma pessoa assim exista.
Como contraponto de Rodrigo está Pedro Henrique, um garanhão e playboy que nunca levou um não de uma mulher. Até aí, sem dúvida, um personagem mais próximo da realidade. Narcisista e prepotente, Pedro dá vazão à criatividade da autora da novela tendo como hobby alimentar tubarões debaixo d’água, escalar o Aconcágua de bicicleta e descer cachoeiras com material de alpinismo.
Tanta inverossimilhança em ‘‘Perdidos de Amor’’ certamente vai dar à produção muito trabalho para realizar as cenas e organizar verdadeiros banquetes com muito uísque escocês, champanha francesa e caviar russo. Tudo legitimamente falso, como devem ser as comidas das novelas. A aposta da Band é arriscada. Será que os telespectadores vão acreditar que vale a pena assistir tanta ostentação?

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