NOVELA - 'Mulheres Apaixonadas' terá mais brigas, tapas e tiros
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terça-feira, 17 de junho de 2003
Débora Miranda eMarcia Pereira<br> Agência Folha 
Rio de Janeiro - O clima na novela ''Mulheres Apaixonadas'' promete pesar ainda mais na próxima semana. Cansada de apanhar do marido (Dan Stulbach), Raquel (Helena Ranaldi) se revoltará e o ameaçará com uma arma. ''O revólver é dele. Estará guardado em sua mesa de cabeceira'', conta o autor Manoel Carlos.
Depois de ser agredida pela terceira vez, Raquel perde a cabeça e chega a disparar tiros contra o marido. O autor só não quer adiantar se serão certeiros ou não.
''Esse será o início da revolta da Raquel contra ele, mas muita coisa ainda deve acontecer'', afirma Manoel Carlos, que ainda não decidiu, no entanto, quando o marido espancador será denunciado à polícia.
Outra vítima da violência que toma conta da trama é Fernanda (Vanessa Gerbelli). A ex-prostituta está andando pela rua com Téo (Tony Ramos) quando ambos são feridos por balas perdidas. Ele se salva e ela acaba morrendo. A cena ainda não foi gravada e não tem previsão de ir ao ar.
Segundo a assessoria de imprensa da emissora, a intenção do autor é fazer um registro da violência, cada vez maior, no Rio. Para Ednilson Quarenta, historiador e professor de ética e cidadania, a TV tem de tratar de assuntos atuais. ''Não pode ficar alheia, mas o problema das novelas é que elas mostram a violência fora de contexto, o que gera a banalização.''
Audiência- A audiência de ''Mulheres Apaixonadas'' tem crescido proporcionalmente ao aumento do número de cenas violentas na trama. Em 20 de maio, quando Heloísa (Giulia Gam) esfaqueou o marido, Sérgio (Marcello Anthony), atingiu 58 pontos. Naquele mês, a média, que oscilava entre 42 e 44, chegou a 48.
Para Esther Hamburguer, professora da USP, o interesse do telespectador tem a ver com o fato de a trama trazer parte da vida privada para a cena pública. ''A violência doméstica ainda é um tabu e, em geral, não aparece na TV.''
''Trata-se de uma estratégia para conseguir ibope'', diz Maria de Lourdes Motter, coordenadora do núcleo de telenovelas da USP. Segundo ela, mesmo quando a intenção é retratar a realidade dos grandes centros urbanos, as pessoas esperam uma abordagem mais leve.
Para Laurindo Lalo Leal Filho, professor da USP, a TV capta aspectos da realidade e os transforma em fenômeno. ''Para o telespectador, fica a idéia de que é por meio dela que se resolvem os problemas.''


