Nove dias de sons renascentistas
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Zeca Corrêa Leite 
Durante nove dias - de hoje até o dia 1º de dezembro - as cidades de Curitiba e Paranaguá serão sede do Festival de Música Antiga e Tradição Oral, evento programado pela Secretaria Estadual de Cultura, que será responsável pela vinda de instrumentistas, estudiosos e cantores do gênero. Concertos, palestras, exposição de instrumentos antigos e feiras no Bosque do Papa e no Museu da Imagem e do Som (em Curitiba) formam a programação do encontro.
Da Suíça veio especialmente o conjunto Violadarcho, cujos músicos foram responsáveis pela trilha sonora do filme Todas as Manhãs do Mundo, que impulsionou os europeus a colocarem a música antiga na pauta do dia. Para interpretar obras de Haendel e compositores contemporâneos estará presente o cantor Edson Cordeiro.
São apenas duas das muitas atrações que o público terá no transcorrer do encontro. Palestras e concertos acontecerão em variados endereços da capital, com o Museu da Imagem e do Som, Teatro da Reitoria, Guairão, Igreja da Ordem, Auditório Brasílio Itiberê, Guairinha, Teatro da Federação Espírita, Auditório da Copel, etc.
O festival está sendo realizado por iniciativa do secretário da Cultura, Eduardo Rocha Virmond. Foi um projeto relâmpago, com os músicos Flávio Stein e Janete Andrade nos postos de diretores artísticos. Eles apostam no sucesso do evento, levando em conta o gosto do curitibano pela arte renascentista. Daqui saíram excelentes profissionais, alguns deles radicados na Europa. A nossa intenção é retomar essa tradição como um reconhecimento à cidade, afirma Janete.
Tradição oral O objetivo do Festival de Música Antiga e Tradição Oral é divulgar um repertório renovador como está acontecendo atualmente na Europa. Parte desse sucesso deve-se ao filme Todas as Manhãs do Mundo, que tinha na trilha sonora peças de Marais e Saint Colombe. Foi um dos fatores a puxar pelo fio da memória do povo.
Também a música de tradição oral estará na pauta das discussões. Assentada no século 14, atravessou o oceano nas embarcações dos aventureiros que deixavam o Velho Mundo interessados em alcançar o novo continente. Eram transmitidas de pais para filhos, sem haver registros documentais. Os trovadores têm grande importância nesta história. E como há diferenças fundamentais entre os vários gêneros musicais, estas serão analisadas através de palestras, explica Klein.
O público que comparecer aos concertos e recitais voltará no tempo. A maioria dos grupos estará executando as peças com cópias fiéis dos instrumentos da época. Uma curiosidade é que os originais europeus deram origem a adaptações americanas. Assim, as rabecas muito utilizadas no litoral, lembram iconografias medievais, também a nível de interpretação.
Homenagem A abertura do festival está marcada para hoje, às 21 horas, no grande auditório do Teatro Guaíra, com o grupo suíço Violadarcho. Nos nove dias seguintes o evento estará dividido em cinco séries, cada qual batizada com o nome de um grupo local. Foi a maneira encontrada para se homenagear os artistas que mantêm essa arte.
Assim, os concertos do horário das 12h15, no Museu Paranaense, serão chamados de Paraphernalia. Haverá troca de local nos domingos (24 e 1º de dezembro), quando serão levados na Igreja da Ordem no mesmo horário. Os itinerantes serão chamados de Camerata Antiqua; os das 18h30, no Teatro da Federação Espírita do Paraná, Quadro Cervantes, os das 21 horas, Musikantiga.
Debates e palestras acontecerão no auditório Brasílio Itiberê, uma exposição de instrumentos antigos fabricados no Brasil e sua evolução será levada no Museu da Imagem e do Som e uma festa ao ar livre com danças, concertos, performances, músicos vestindo roupas de época irá movimentar o cenário do bosque João Paulo II.


