As vozes femininas proliferam. Mas a quantidade nem sempre coincide com a qualidade na nova safra de intérpretes que chega ao mercado apostando no pop. Olivia estréia com um CD homônimo pela gravadora Trama. Patricia Coelho lança seu segundo álbum ‘‘Simples Desejo’’ pela Abril. E Carla Bueno também surge com seu segundo disco pelo selo Máxima Music.
A paulistana Olivia, a menos acessível, surpreende com referências eletrônicas e canções de própria autoria (uma raridade entre cantoras). Sua biografia inclui formação em piano clássico e estudos de canto lírico. No disco, assina os arranjos de teclado. Por ser uma estréia, empolga com a unidade de repertório e tratamento ambicioso das canções.
Envereda pelo trip hop em ‘‘Nada sai do Lugar’’ e ‘‘Aquilo que não Precisa’’, mistura inglês e francês e climas de trilha sonora em ‘‘Fun’’ e incursiona por sonoridades orientais em ‘‘Ayune’’ e ‘‘Manám’’. O problema é que a doçura de sua voz quase desaparece ao longo da dozes faixas, soando tímida sob as camadas de efeitos e o excesso de bases programadas misturadas às guitarras.
Olivia chega na esteira de Rebeca da Matta e Stella Campos, as outras novatas habitantes da seara eletrônica já com discos lançados. Patricia Coelho, por sua vez, é mais personalizada como intérprete embora sucumba aos padrões radiofônicos. Há três anos, lançou no mercado japonês o CD ‘‘Fim da Inocência’’, todo cantado em inglês.
Antes, participou da banda Projeto S (do ex-RPM Luiz Schiavon) e do grupo de dance music Sect (que teve a música ‘‘Crazy For You’’ incluída na trilha sonora da novela ‘‘Uma História de Amor’’ da Globo), além de ter gravado jingles publicitários. O novo trabalho levou um ano para ser elaborado. Foi produzido por Dudu Marote.
Traz participação especial de Toni Garrido (do Cidade Negra) no reggae ‘‘Canção de Amor’’, escolhida para ser a faixa promocional do CD. Outros hits em potencial desfilam entre exemplares de rhythm and blues meloso, funk e baladas românticas ao lado de versões roqueiras e dançantes de Sidney Magal (‘‘Meu Sangue Ferve’’), Lenine (‘‘Hoje eu Quero Sair Só’’) e Lô Borges (‘‘Tudo que Você Podia Ser’’).
Mas apesar do apelo comercial, parece até ‘‘experimental’’ perto do segundo trabalho de Carla Bueno, este sim coalhado de babas românticas e dance music poperô. A menina é de Curitiba. No ano passado, lançou o CD independente ‘‘Sonho de Menina’’, que a levou a abrir e participar de shows sertanejos na cidade ao lado de Sérgio Reis e Gian e Giovani culminando com o espetáculo ‘‘Amigos’’ de Zezé di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leonardo.
A música caipira-country, porém, não frequenta seu novo disco. O repertório traz versões de ‘‘All By Muself / Doce Paixão (Eric Carmen), Si Tu Te Vas / Se Você Vai’’ (Enrique Iglesias/Roberto Morales), além da regravação de ‘‘Destino’’ (Marcos e Paulo Sérgio Valle). O disco já está com alguns hits na praça.
A balada ‘‘Doce Paixão’’ compõe a trilha sonora da novela ‘‘Marcas da Paixão’’ da Rede Record e a dance ‘‘Ver o que Você V꒒ ganhou execução nos programas Caldeirão de Huck e Domingão do Faustão da Globo. Carla tem a idade de seu público-alvo. ‘‘Garotos e garotas têm problemas / E às vezes fazem coisas sem pensar / Acham que a vida é um filme de cinema / Uma história sem censura pra sonhar’’, observa ela em uma faixa.
‘‘Praia sol refrigerante / E bombom / Nessas horas / Ser adolescente é bom / Uma cola na escola é tão normal / Ser adolescente é o mó legal’’ – canta em outra. Senhoras e senhores, eis um disco proibido para maiores.

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