Os novos critérios de classificação da rede hoteleira publicados pela Embratur no Diário Oficial da semana passada, farão com que mais de dois terços dos hotéis brasileiros considerados cinco estrelas percam essa condição na nova classificação que a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) está adotando.
‘‘O Brasil tem mais hotéis cinco estrelas do que a França e os Estados Unidos’’, diz o presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho. Segundo estimativas de técnicos da entidade, dos atuais 102 cinco estrelas existentes no País apenas 20, no máximo, terão condições de se manter nessa categoria.
Pelos novos critérios de classificação, a qualidade dos serviços oferecidos aos clientes passa a ser o critério mais importante para definir a categoria dos hotéis. As instalações físicas, que hoje ocupam o topo da lista, passam para o quarto e último lugar, em termos de importância. Os demais critérios de classificação passam a ser os métodos de gestão do estabelecimento (segundo critério mais importante) e a qualidade dos equipamentos.
Carvalho diz que, com a nova classificação, mais rigorosa, a rede hoteleira do País passa a ser avaliada por critérios internacionais, tornando mais transparente a qualidade dos serviços oferecidos aos hóspedes. A mudança deve melhorar a recepção de turistas estrangeiros, dando maior confiabilidade aos pacotes vendidos por agências de viagem. ‘‘Muitos turistas reclamam que os hotéis brasileiros não oferecem serviços à altura do prometido’’, diz um técnico da Embratur.
Avaliação periódica O Brasil possui atualmente 2.500 hotéis classificados, que não passam por uma checagem desde que o sistema de estrelas foi adotado, há 28 anos. Segundo Carvalho, a reclassificação deverá afetar principalmente os hotéis de quatro ou cinco estrelas, que terão inclusive de reavaliar o preço das diárias, pouco alterando, entretanto, a situação dos estabelecimentos de duas ou três estrelas.
Com os novos critérios, a classificação hoje existente perderá validade e os hotéis terão que devolver à Embratur as placas que mantém na fachada. Para os hotéis, o enquadramento nos novos critérios será opcional, mas Carvalho acredita que, por questões de mercado, poucos estabelecimentos irão se recusar a passar por um novo exame.
No novo sistema, a Embratur continuará fornecendo os certificados de classificação, mas a análise e a fiscalização dos hotéis serão feitas por 12 entidades privadas, as mesmas que concedem o certificado de qualidade ISO 9000 para as indústrias. A avaliação dos hotéis passará a ser feita periodicamente, o que permitirá a mudança de categoria dos hotéis de um ano para outro.

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