Fotos: ReproduçãoUm fundo negro e Linda Evangelista garantem o visual da campanha de Donna KaranSetembro é o mês em que todas as revistas de moda engordam graças ao enorme fluxo de novas campanhas do mercado de moda. A ‘‘Vogue’’ norte-americana, por exemplo, saiu com 730 páginas - uma das maiores nos 105 anos da revista. A ‘‘Harper’s Bazaar’’ não ficou atrás, chegando a 488 páginas. Entre técnicas e estéticas variadas, algumas marcas fizeram trabalhos artísticos, enquanto outras não conseguiram o mesmo efeito. O principal destaque da temporada é, de longe, a da marca italiana Gucci, com uma campanha toda fotografada a partir de imagens em vídeo.
As fotos da Gucci mostram modelos homens e mulheres em poses sexy e detalhes de acessórios da coleção (como o salto agulha cromado que é o hit absoluto da marca para a temporada). Em uma versão para as revistas orientadas para o público gay, as fotos insinuam relações entre dois homens. As cores conseguidas pelo fotógrafo Mario Testino são as mais belas da temporada, com tons de azul e vermelho que não reproduzem com fidelidade os das roupas. A Cerrutti tentou usar o recurso do videoprint, mas não conseguiu chegar perto do resultado da Gucci.
A italiana Gucci apresenta fotografias a partir de imagens em vídeo e é uma das sensações do mercado publicitário
Em outro estilo, mas igualmente sofisticada, é a campanha da marca italiana Prada, que vem novamente influenciando todo o universo fashion com as fotos extremamente escuras de Glenn Luchford. A grife, que já investiu na mesma estética na temporada passada, se superou ao produzir imagens da modelo Amber Valetta e do ator Norman Reedus com clima de filmes densos. Em versões coloridas (com tons pastel) ou preto-e-brancas, as fotos são o veículo perfeito para as delicadas roupas do inverno da Prada. A escuridão proposta pela marca detonou uma febre de imagens sombrias em editoriais e também nas campanhas de marcas como Isaac Mizrahi, Fendi e Donna Karan.
Cada de ‘‘nada’’O colorido fake aparece nas fotos de Steven Meisel para a D&G, a linha mais jovem dos estilistas italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Com ambientação em um cenário tipo restaurante japonês, os modelos masculinos são caracterizados como samurais, enquanto as garotas aparecem com cara de ‘‘nada’’. Meisel usa iluminação ‘‘dura’’, que faz os modelos ficarem com o rosto brilhante e oleoso, recurso usado também por nomes como Juergen Teller e Terry Richardson.
A marca norte-americana Guess? é outra que apostou nas cores fortes - combinando os tons de amarelo, verde, azul e laranja das roupas com móveis e objetos de decoração. O resultado obtido pela fotógrafa Dahlia, no entanto, não é tão bom quanto o da D&G, que, por sua vez, é completamente oposta à da Dolce & Gabbana: escuras imagens em preto-e-branco de modelos com make-up gótico. O trabalho para a marca italiana também foi fotografado por Steven Meisel - o autor do livro ‘‘Sex’’, de Madonna.
Donna Karan e Calvin Klein, ainda que tenham apresentado imagens bonitas e modelos com looks frescos, não chegaram a trazer nenhuma inovação para a temporada. Enquanto Karan convocou Linda Evangelista para suas fotos com fundo preto, Klein continua apostando em Kate Moss como identificação máxima para sua marca. Mas, alívio, a modelo vem em versão bem maquiada. Giorgio Armani usou Stella Tennant em belas, mas insossas, fotos.
Há ainda a corrente que apostou no trabalho de fotógrafos de fora do circuito das revistas de moda ou quase. Helmut Lang acerta ao continuar usando imagens originais de Robert Mapplethorpe, enquanto Emporio Armani convocou Luis Sanchis, Albert Watson e Yoshinori Onda para interpretar suas roupas.

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