A Globo estréia amanhã, a novela ‘‘Esperança’’ com um objetivo principal nada modesto: manter a excepcional média de 60 pontos conquistada por ‘‘O Clone’’ . Ao contrário da produção de Glória Perez, que era dúvida na emissora em relação ao Ibope devido aos controversos e ousados temas – clonagem, mundo muçulmano e drogas –, ‘‘Esperança’’ é uma aposta otimista da Globo. Além de reunir um elenco teoricamente mais forte que a novela anterior, com direito aos renomados veteranos Raul Cortez, Eva Wilma e Antônio Fagundes, além de jovens estrelas, como Reynaldo Gianecchini, Ana Paula Arósio e Maria Fernanda Cândido, ‘‘Esperança’’ é assinada por Benedito Ruy Barbosa. O autor é um dos mais prestigiados na emissora. ‘‘É a primeira vez que estréio uma novela herdando ibope alto e sem concorrentes fortes. Em ‘O Rei do Gado’, o Ratinho dava 30 pontos’’, ressalta Benedito.
Incensado tanto por Benedito quanto pela maioria dos atores do elenco, o diretor Luiz Fernando Carvalho retribui prometendo ser o mais fiel possível ao texto do autor de ‘‘Esperança’’. A novela começa no ano de 1931, quando o protagonista Toni, vivido por Reynaldo Gianecchini, decide deixar a pequena cidade de Civita, na Itália, para tentar a sorte no desconhecido, mas promissor, Brasil. Ele deixa a namorada Maria, papel de Priscila Fantin, na terra natal e vai parar em São Paulo. Logo conhece Camilli, interpretada por Ana Paula Arósio, e está formado o triângulo amoroso da novela. ‘‘É o personagem mais rico que ganhei. Espero dar conta do recado’’, comemora Reynaldo.
Apesar de repetir a dobradinha Raul Cortez e Antônio Fagundes como rivais na trama, assim como em ‘‘O Rei do Gado’’ e ‘‘Terra Nostra’’, parece ter havido um cuidado para não repetir as nacionalidades de duas atrizes que se destacaram em ‘‘Terra Nostra’’ como as italianas Paola e Giuliana: Maria Fernanda Cândido e Ana Paula Arósio. Em ‘‘Esperança’’, a primeira é uma operária brasileira e a segunda uma judia. ‘‘Achei ótimo mudar de nacionalidade, pois evita comparações’’, afirma Ana Paula.
Inicialmente a nova produção de Benedito seria mesmo a sequência de ‘‘Terra Nostra’’, mas o autor mudou de idéia quando a Globo colocou no ar ‘‘Aquarela do Brasil’’, minissérie que se passava durante a Segunda Guerra Mundial. Como a trama de ‘‘Terra Nostra 2’’ iria se desenrolar na mesma época, Benedito não só abandonou a idéia da continuação como resolveu mudar de parceiro na direção. Chamou Luiz Fernando, com quem havia feito ‘‘Renascer’’ e ‘‘O Rei do Gado’’, e dispensou Jayme Monjardim, que apesar da parceria de sucesso em ‘‘Pantanal’’ e ‘‘Terra Nostra’’, desagradou o autor por ter dirigido ‘‘Aquarela’’. ‘‘O que salvou ‘O Clone’ foi a abordagem sobre drogas’’, desdenhou Benedito. ‘‘Não sou diretor de usar efeitos para mudar a cor do céu. A mágica está na interpretação dos atores e no texto’’, cutucou Luiz Fernando, ciente que Jayme utiliza muitos efeitos.
Um fator que diferencia ‘‘Esperança’’ é que Benedito vai contar a história de emigrantes de várias nações e não só dos italianos. O autor criou personagens espanhóis e judeus, que terão seus núcleos. Também vai haver um prostíbulo com ‘‘moças’’ francesas e uma república com estudantes de vários locais do Brasil, incluindo o Nordeste. Com isso, Benedito areja a trama e poderá explorar outros costumes para não ter uma ‘‘overdose’’ de italianos na nova produção.
A prova de que a direção da Globo está apostando em ‘‘Esperança’’ é a cidade cenográfica. Construída especialmente para a novela, em um local do imenso Projac até então não utilizado, a de ‘‘Esperança’’ tem 13,5 mil metros quadrados. Pelo menos 20% maior que as cidades cenográficas das novelas anteriores, o lugar parece ter sido erguido sob medida para a megalomania de Luiz Fernando Carvalho.
Como gosta de utilizar a iluminação natural e gravar com apenas uma câmera, como é hábito no cinema, o diretor vai ter a oportunidade de produzir uma novela fora do clima frio dos estúdios da Globo. O diretor jura que o custo da novela segue o mesmo padrão das outras produções da Globo no horário: R$ 90 mil por capítulo.
As gravações de ‘‘Esperança’’ começaram em abril, na milenar cidade de Civita di Bagnoregio, localizada a 105 km de Roma, no norte da Itália. Luiz Fernando passou um mês gravando o núcleo italiano formado por Toni, seus pais Genaro e Rosa (Raul Cortez e Eva Vilma), o tio Giuseppe(Walmor Chagas), a namorada Maria (Priscila Fantin), o pai e a avó dela (Guiliano, vivido por Fagundes, e Luiza, papel de Fernanda Montenegro), além de seu pretendente Martino (José Mayer).
Além de uma fábrica em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a novela ainda teve cenas gravadas em fazendas nas cidades de Santa Gertrudes e Araraquara, ambas no interior de São Paulo. A fazenda Santa Gertrudes, por exemplo, foi escolhida porque foi referência mundial na fase áurea do café.

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