Novamente ao som da tarantela
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de junho de 2002
Rodrigo Teixeira<br>TV Press 
A Globo estréia amanhã, a novela Esperança com um objetivo principal nada modesto: manter a excepcional média de 60 pontos conquistada por O Clone . Ao contrário da produção de Glória Perez, que era dúvida na emissora em relação ao Ibope devido aos controversos e ousados temas clonagem, mundo muçulmano e drogas , Esperança é uma aposta otimista da Globo. Além de reunir um elenco teoricamente mais forte que a novela anterior, com direito aos renomados veteranos Raul Cortez, Eva Wilma e Antônio Fagundes, além de jovens estrelas, como Reynaldo Gianecchini, Ana Paula Arósio e Maria Fernanda Cândido, Esperança é assinada por Benedito Ruy Barbosa. O autor é um dos mais prestigiados na emissora. É a primeira vez que estréio uma novela herdando ibope alto e sem concorrentes fortes. Em O Rei do Gado, o Ratinho dava 30 pontos, ressalta Benedito.
Incensado tanto por Benedito quanto pela maioria dos atores do elenco, o diretor Luiz Fernando Carvalho retribui prometendo ser o mais fiel possível ao texto do autor de Esperança. A novela começa no ano de 1931, quando o protagonista Toni, vivido por Reynaldo Gianecchini, decide deixar a pequena cidade de Civita, na Itália, para tentar a sorte no desconhecido, mas promissor, Brasil. Ele deixa a namorada Maria, papel de Priscila Fantin, na terra natal e vai parar em São Paulo. Logo conhece Camilli, interpretada por Ana Paula Arósio, e está formado o triângulo amoroso da novela. É o personagem mais rico que ganhei. Espero dar conta do recado, comemora Reynaldo.
Apesar de repetir a dobradinha Raul Cortez e Antônio Fagundes como rivais na trama, assim como em O Rei do Gado e Terra Nostra, parece ter havido um cuidado para não repetir as nacionalidades de duas atrizes que se destacaram em Terra Nostra como as italianas Paola e Giuliana: Maria Fernanda Cândido e Ana Paula Arósio. Em Esperança, a primeira é uma operária brasileira e a segunda uma judia. Achei ótimo mudar de nacionalidade, pois evita comparações, afirma Ana Paula.
Inicialmente a nova produção de Benedito seria mesmo a sequência de Terra Nostra, mas o autor mudou de idéia quando a Globo colocou no ar Aquarela do Brasil, minissérie que se passava durante a Segunda Guerra Mundial. Como a trama de Terra Nostra 2 iria se desenrolar na mesma época, Benedito não só abandonou a idéia da continuação como resolveu mudar de parceiro na direção. Chamou Luiz Fernando, com quem havia feito Renascer e O Rei do Gado, e dispensou Jayme Monjardim, que apesar da parceria de sucesso em Pantanal e Terra Nostra, desagradou o autor por ter dirigido Aquarela. O que salvou O Clone foi a abordagem sobre drogas, desdenhou Benedito. Não sou diretor de usar efeitos para mudar a cor do céu. A mágica está na interpretação dos atores e no texto, cutucou Luiz Fernando, ciente que Jayme utiliza muitos efeitos.
Um fator que diferencia Esperança é que Benedito vai contar a história de emigrantes de várias nações e não só dos italianos. O autor criou personagens espanhóis e judeus, que terão seus núcleos. Também vai haver um prostíbulo com moças francesas e uma república com estudantes de vários locais do Brasil, incluindo o Nordeste. Com isso, Benedito areja a trama e poderá explorar outros costumes para não ter uma overdose de italianos na nova produção.
A prova de que a direção da Globo está apostando em Esperança é a cidade cenográfica. Construída especialmente para a novela, em um local do imenso Projac até então não utilizado, a de Esperança tem 13,5 mil metros quadrados. Pelo menos 20% maior que as cidades cenográficas das novelas anteriores, o lugar parece ter sido erguido sob medida para a megalomania de Luiz Fernando Carvalho.
Como gosta de utilizar a iluminação natural e gravar com apenas uma câmera, como é hábito no cinema, o diretor vai ter a oportunidade de produzir uma novela fora do clima frio dos estúdios da Globo. O diretor jura que o custo da novela segue o mesmo padrão das outras produções da Globo no horário: R$ 90 mil por capítulo.
As gravações de Esperança começaram em abril, na milenar cidade de Civita di Bagnoregio, localizada a 105 km de Roma, no norte da Itália. Luiz Fernando passou um mês gravando o núcleo italiano formado por Toni, seus pais Genaro e Rosa (Raul Cortez e Eva Vilma), o tio Giuseppe(Walmor Chagas), a namorada Maria (Priscila Fantin), o pai e a avó dela (Guiliano, vivido por Fagundes, e Luiza, papel de Fernanda Montenegro), além de seu pretendente Martino (José Mayer).
Além de uma fábrica em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a novela ainda teve cenas gravadas em fazendas nas cidades de Santa Gertrudes e Araraquara, ambas no interior de São Paulo. A fazenda Santa Gertrudes, por exemplo, foi escolhida porque foi referência mundial na fase áurea do café.


