NOVA YORK – Oito meses após os atentados ao World Trade Center, Nova York vive a estação mais colorida do ano. Bela e cosmopolita como sempre, patriótica como nunca. As flores da primavera estão em todos os cantos. Brotando em cerejeiras no Central Park, decorando o concreto e simbolizando o renascer de uma cidade abalada, uma reconstrução que toma ritmo frenético não só na região de Lower Manhattan.
A Big Apple se veste também com bandeiras dos Estados Unidos, vistas ao longo das avenidas, nos luminosos da Time Square, na bicicleta de um esportista, na forma de bandana que cobre a cabeça de um jovem italiano, nas charretes que fazem o tour pelo parque. ‘‘Orgulhoso de ser americano’’, lê-se nas vitrines dos cafés da rede Starbucks.
Num passeio a pé por Manhattan, é fácil render-se ao consumismo, à febre cultural, e até se esquecer daquele 11 de setembro. Na esquina da Lexington Avenue com a Rua 52, uma muçulmana simpática, na casa dos 30 anos, exemplifica o clima de normalidade que toma as ruas. É nova-iorquina, de origem jordaniana, e vende café, chocolate quente, chá e bagels fresquinhos.
Pouco depois da tragédia, a moça sentiu-se bastante discriminada. ‘‘Até hoje passa aqui, quase diariamente, um homem que me insulta com as palavras: Osama bin Laden!’’ Mas ela não perde a pose nem se abala. Sorridente, diz ter uma clientela fiel, que faz fila na calçada na parte da manhã. ‘‘As coisas se assentaram. A vida continua.’’

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