NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Gilberto Smaniotto

Roberto Carlos: o Rei decepcionou os fãs brasileiros em Nova York

Arquivo Smaniotto

Roberto Carlos em 1980 com Elizabeth e a mãe, Célia: ‘‘são tantas emoções...’

Arquivo Pessoal

Roberto Carlos, Elizabeth e a mãe, Célia, no show em Nova York, 18 anos depois do primeiro encontro

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Cartaz do festival de marionetes, que acontece em setembro

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‘‘Pinóquio’’: espetáculo que vem da Inglaterra

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‘‘Salom钒: teatro de bonecos para adultos



Nova York recebe
Roberto Carlos
Enquanto os aeroportos, os prédios mais visitados pelos turistas, as estações de trem e ônibus recebiam segurança redobrada, com medo de um atentado em resposta ao ataque dos americanos contra o Sudão e Afeganistão, Roberto Carlos cantava no Madison Square Garden para mais de 5 mil pessoas.
Nenhum louco se atreveria a colocar uma bomba nesse local. Se a intenção dos terroristas é atingir os americanos, no Madison, na noite de sábado, não ia dar certo. Era o público hispânico e brasileiro que aplaudia e gritava ‘‘Roberto eres el mejor’’ ou ‘‘Roberto, eu te amo’’.
Pode vir quente que
eu estou fervendo
A platéia também estava fervendo. Quem gosta de Roberto, gosta mesmo. Ainda é o Rei. Um rei que segue à risca a cerimônia oficial. Roberto foi incapaz de conversar com a platéia além do que estava no script. E olha que os brasileiros fizeram de tudo para que isso acontecesse. Mas o cantor não respondeu a nenhum chamado. Recebeu flores e não fez um só comentário sobre elas.
Roberto Iglesias Miguel
Este Rei não é mais o mesmo, dizia a mulher sentada perto da gente. Outra gritava aos prantos: ‘‘please, canta Caracóis, Roberto’’. Faltou pouco para os brasileiros vaiarem o cantor. ‘‘Vim ver Roberto e estou vendo um Julio Iglesias ou Luis Miguel piorado’’, lamentava a senhora de óculos. Também pudera, o show era para mostrar o CD ‘‘Canciones que Amo’’. Com exceção de uma música, todo o disco é em espanhol. O jeito era amar ou ignorar.
‘‘Ele é brasileiro. Vem aqui nos Estados Unidos, reúne toda essa gente e só quer cantar em espanhol. Que falta de respeito’’, disse uma mineira que mora há 10 anos em Nova York. ‘‘Estou decepcionada com a maioria dos nossos cantores. No show do Caetano, um ano atrás, aconteceu a mesma coisa. Pedimos para cantar em português e o Caetano respondeu que cantar em espanhol agora dá mais dinheiro’’, comentou Carmensita Aguiar, abraçada ao marido. Raiva maior tinha uma mulher que, cansada de pedir uma música em português, gritou : ‘‘muda para o México, Roberto’’.
Entre aplausos e protestos
Os hispânicos acharam os brasileiros sem educação. Os brasileiros não estavam nem aí. Reclamavam dizendo que o cantor tem 40 discos gravados e 70 milhões de cópias vendidas graças a eles, por isso ele tinha que cantar para os brasileiros. Nada adiantou. O Rei seguiu à risca tudo o que estava planejado. Só cantou uma ou outra música em português, como ‘‘Cavalgada’’ e ‘‘Jesus Cristo’’. Também fez poucos comentários na nossa língua.
Descontraiu um pouco quando pediu para os músicos da banda o acompanharem num refrão. Brincou timidamente com os músicos mais antigos e relembrou o encontro histórico, com o tenor Luciano Pavarotti, em abril deste ano no Estádio do Beira Rio em Porto Alegre. ‘‘Já que não se pode ter Pavarotti em todos os shows, vou cantar ‘Ave Maria’ sozinho’’, disse ele.
No final, Roberto voltou ao palco mais duas vezes para cantar as últimas três músicas. De despedida distribuiu rosas brancas e vermelhas para o público. Os brasileiros, mesmo um pouco chateados, curtiram todos os momentos do show.
Um encontro
todo especial
Quando soube que o encontro com Roberto Carlos nos camarins seria possível, Célia Bacelar, 39 anos, se emocionou e até passou mal. Ela estava com a filha Elizabeth, de 21 anos. A mesma garota que o ‘‘Rei’’ carregou no colo 18 anos atrás, quando cantou na inauguração do Ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte. Na época, Célia era fotógrafa e estava fazendo a cobertura do evento. Como é fã de carteirinha, levou a pequena Beth, de apenas 3 anos, para ver o show.
Em Nova York, o encontro com Roberto foi uma surpresa que Elizabeth fez para a mãe. A família mora há mais de dois anos nos Estados Unidos por causa do problema de saúde de Célia. Ela sofre do coração. Não foi uma tarefa fácil. Sem saber com quem deveria falar, Elizabeth começou pelo número de telefone de contato para shows que viu nos discos antigos da coleção da mamãe. O número não é mais o mesmo, mas a tentativa deu certo. Depois de muitas ligações e cartas ela conseguiu chegar até a produção atual.
Roberto Carlos recebeu as duas depois do show. Foi um encontro rápido mas já deu para matar a saudade. Elizabeth havia mandado para o ‘‘Rei’’ cópia das fotos feitas no Mineirinho. Assim, quando o cantor viu mãe e filha juntas foi logo dizendo: ‘‘Vamos reviver aquele momento. Só não vai dar para segurar Elizabeth no colo desta vez’’. Para mãe e filha esta lembrança vai ser guardada para sempre. Nice meeting.




Sites para saber
mais sobre o Rei
Se você quer saber mais sobre Roberto Carlos anote alguns sites e bom divertimento.
http://www.montreal.com.br/~rdrf
http://www.geocities.com/Broadway/6508
http://www.betobrito.com/RobertoCarlos/index.html
http://www.zaitek.com.br/~luanna
http://www.conectanet.com.br/robertocarlos
http://www.sony.com.br/Music/artistas/final.htm
MILKSHAKE
Semana sem taxa
Já foi anunciado para a felicidade geral dos Nova-iorquinos e alegria dos turistas da região. Na primeira semana de setembro, as lojas de Nova York não vão cobrar a taxa de 8,25% na venda de roupas e calçados. É a quarta vez em dois anos que a prefeitura decreta Tax Free. Essa é uma briga antiga com o governo do Estado. Por causa das taxas, muita gente vai para Nova Jersey fazer compras. O prefeito Rudolph Giuliani quer segurar todo mundo aqui. Ele defende a idéia de que sem a cobrança das taxas as vendas vão aumentar e mais 13 mil empregos poderão ser criados. O prefeito quer pôr um final definitivo nas taxas a partir do dia 1º de dezembro de 1999 em todas compras abaixo de US$ 110. Go ahead Mr. Giuliani.
A guerra da Little Brazil
Até o New York Times foi lá para conferir. As lojas da Rua 46 estão acusando proprietários de outras lojas que se dizem brasileiras de estarem vendendo gato por lebre. É como se fosse no Paraguai. Só quando você chega no Brasil com uma mercadoria comprada por aqui, é que se dá conta que ela está com defeito ou tem porcaria dentro do som ou do computador.
Para atacar de frente o problema, empresários da Rua 46 estão criando uma associação. Na Little Brazil existem cerca de 15 lojas brasileiras, mas muitas outras usam a bandeira verde-amarela para chamar a atenção e pescar os turistas desavisados. Para acabar com a propaganda enganosa, a associação vai lançar um símbolo para ser colocado nas vitrines de brasileiros. A preocupação agora é reverter o movimento na Little Brazil, que caiu 70% nestes últimos três meses.
ANOTE NA AGENDA
Festival Internacional
de Marionetes
Quando setembro chegar, Nova York vai se transformar no palco do Festival Internacional de Teatro de Marionetes. Vêm produções de 16 países, incluindo Japão, Alemanha, Colômbia, Espanha, Itália, África, Israel e Holanda. Serão 18 dias de espetáculos em 13 teatros da Big Apple.
Alguns dos shows são infantis, outros são direcionados para adultos. Da Holanda vem o conto bíblico ‘‘Salom钒, considerado pelos críticos o que tem de mais sublime e poderoso em se tratando de apresentação com marionetes. Youki-Za, uma companhia tradicional do Japão fundada em 1931, chega para mostrar ‘‘Fishing for a Wife’’ - um conto cômico de um homem tentando conseguir uma mulher. Ao todo são 498 bonecos que estarão desfilando nesse que é considerado o maior espetáculo do gênero. Entre os shows para o público infantil está ‘‘Pinóquio’’ da Inglaterra.
( International Festival of Puppet Theater - de 9 a 27 de setembro. Ingressos de US$ 10 a US$ 30. Fone: 212 279 42 00).
Filmes de marionetes
Não só os teatros da Big Apple serão invadidos pelas marionetes, mas também as telas. Paralelo a este encontro, também estará acontecendo o Festival Internacional de Filmes de Marionetes.
É uma série para cinema e vídeo que mostra do tradicional até as mais recentes inovações na arte de filmar marionetes. Dá para conferir as produções históricas e as contemporâneas, incluindo apresentações ao vivo, animações, técnicas experimentais, curtas e documentários.
Os filmes serão exibidos no Centro de Educação de Arte do Museu Salomon Guggenheim, de 11 a 26 de setembro. A entrada é gratuita, basta comprar o ticket de acesso ao museu. ( 1071 Fifth Avenue com 89th Street. Informações: 212 423 3587).




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Thanks pelas mensagens desta semana. Todas serão respondidas. Nice to meet you today. See you quarta again. Bye.

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