NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
As faces da Floresta Amazônica
no flash de um paranaense

Gilberto SmaniottoO outono colore as árvores do Central Park e dá o tom à season nova-iorquina‘‘Faces of the Rainforest’’, é uma série de belas fotografias em preto-e-branco tiradas nos últimos três anos, pelo paranaense de Guarapuava, Valdir Cruz. Há muito tempo ele vem mostrando a intimidade dos índios. São retratos dos Ianomami que vivem na região amazônica. Homens, mulheres e crianças com corpos e rostos pintados e enfeitados vivendo num habitat natural.
Embora as fotos não mostrem diretamente, o artista diz que a idéia é chamar a atenção para a mineração ilegal que está poluindo o meio ambiente dos índios. Hoje, cerca de 7 mil garimpeiros no lado do Brasil e mais milhares na Venezuela trabalham na exploração de ouro, contaminando as águas da Amazônia com mercúrio.
DivulgaçãoAs Rockettes são protagonistas do ‘‘Christmas pectacular’’, assistido por mais de 12 milhões de pessoas
Valdir Cruz vive há 18 anos nos Estados Unidos, mas grande parte do seu trabalho enfoca o povo e a paisagem brasileira. No momento, o fotógrafo está se dedicando a uma série de retratos de tribos localizadas no norte da Floresta Amazônica. Este projeto é apoiado pela fundação Guggenheim.
(‘‘Faces of the Rainforest’’ está no Throckmorton Fine Art até 10 de janeiro, 153 East 61st Street, fone 212 223 1059).

Papai Noel leva susto em Nova York
Uma das maiores lojas dos Estados Unidos, a Bloomingdale’s, quis desafiar uma tradição do Natal. A direção anunciou que iria retirar o Papai Noel de suas lojas neste final de ano, substituindo-o por outras promoções de marketing. A decisão durou apenas o tempo em que foi anunciada. Uma vigorosa reação popular sacudiu a cidade, forçando a empresa a se retratar, e anunciar a volta do bom velhinho como promotor de vendas. Ele vai ficar, sim, sentado na porta da loja, promete a empresa.
Parece uma discussão infantil, mas para o marketing nova-iorquino, cidade que espera três milhões de pessoas no Natal, atacar Papai Noel é uma atitude ofensiva. Até os políticos entraram na jogada.
Os concorrentes se beneficiaram da patacoada da Bloomingdale’s. A Macys, a maior loja de departamentos do mundo, aproveitou para anunciar a contratação de 40 Papais Noéis extras. Calcula-se que cerca de 3 mil pessoas vão se vestir de bom velhinho este ano, para atender lojas e ruas. Sem falar nos que animam festas particulares.
Estamos em novembro, mas Papai Noel já está dando muito o que falar na capital do mundo. Por aqui este velhinho de roupa vermelha e barba branca se chama Santa Claus.

As Rockettes no maior show de Natal
O Show ‘‘Christmas Spectacular’’ tem 90 minutos de muito sapateado, coreografias belíssimas, figurinos exuberantes, grande cenário e boa música. Isso sem falar no desempenho das Rockettes, as garotas do espetáculo. Cada uma delas troca de roupa sete vezes. Todas são escolhidas a dedo. São atrizes. Precisam saber cantar, dançar, ter pernas bonitas e compridas e ainda um belo sorriso.
Do espetáculo também participam animais como cavalos, ovelhas, e as renas que puxam o trenó do Papai Noel. Elas vieram de uma fazenda a 65 milhas ao Norte de Nova York.
Mais de meio milhão de ingressos foram vendidos para o ‘‘Christmas Spectacular’’ no Radio City, só no ano passado. É a maior bilheteria de espetáculos teatrais da história. Até hoje, mais de 12 milhões de pessoas assistiram a essa produção desde a estréia do formato novo, em 1979.
(O show das Rockettes no Radio City vai até 4 de Janeiro - Sexta Avenida com a 50th Street - Preço: de US$ 25 a US$ 57. Fone 212 307 1000 )



Aberta a temporada de leilões
Esta semana, a Galeria Christie chamou a atenção do mundo quando abriu as portas para leiloar a extraordinária coleção do casal Victor e Sally Ganz. No total, 115 quadros e esculturas. Entre as obras, uma das maiores coleções privadas de Picasso, nas mãos de americanos. Só na segunda-feira à noite foram arrecadados US$ 206 milhões de dólares. Big deal .
Mais de duas mil pessoas apareceram no leilão, incluindo célebres colecionadores, como o pai de Bill Gates, o presidente da Microsoft. Gente que não queria aparecer comprando, teve salas separadas e pode acompanhar o leilão através de circuito fechado de televisão, fazendo os lances por telefone. Secret life.
A maior venda da noite foi a obra ‘‘O Sonho’’ de Picasso, (1932). O quadro que ele pintou da amante Marie-Therese Walter, foi vendido por US$ 48 milhões. Esta também foi a primeira obra que o colecionador Victor Ganz comprou em 1941, quando ele nem sonhava em ter tantas raridades como as que juntou. Na época ele pagou US$ 7 mil pelo quadro. Good bargain.
Victor era dono de uma joalheria que herdou da família, e Sally cuidava de organizações culturais e educacionais. Às vezes o casal tinha de economizar para alimentar a paixão pela arte. Ele morreu em 1987 e a mulher em janeiro deste ano.
Agora, sobrou para os quatro filhos do casal a árdua missão de gastar o dinheiro. Poor kids.




As cores do outono
Um zoom através de uma janela qualquer de Manhattan num pedacinho das cores do Central Park. Verde, amarelo, laranja, vermelho, marrom. A cidade está de um jeito muito especial, colorida, mostrando todo o charme do outono nova-iorquino. As árvores mudam de cor rapidamente, até todas as folhas caírem. A marca do outono dura pouco, mas o visual é um espetáculo de encher os olhos. Don’t you think?
O Brasil em fotos
Artísticas, institucionais, casuais. O Brasil tem mostrado sua cara, gente e história através das exposições dos fotógrafos que passam por Nova York. Vários brasileiros, conhecidos internacionalmente, já deixaram marcas na Big Apple. Até mesmo estrangeiros que se apaixonaram pela nossa terra, como o francês Pierre Verger (1902-1996), ajudaram a divulgar a cultura brasileira. Agora é a vez do paranaense Valdir Cruz e do baiano Mario Cravo Neto mostrarem mais um pouco dos mistérios da Floresta amazônica e as muitas faces do povo brasileiro. Os dois são conhecidos nos Estados Unidos, têm fotos no Museu de Arte Moderna de Nova York e agora apresentam seus trabalhos em exposições individuais.
Out of Bahia
A exposição de Mario Cravo Neto, ‘‘Out of Bahia’’, tem um pequeno mas seleto grupo de fotografias em preto-e-branco. São imagens feitas em estúdio, durante os últimos anos e algumas poucas tiradas em 1960, quando ele ainda era um garoto de 13 anos. A mostra reúne fotos de pessoas de diferentes raças e culturas: negros, japoneses, brancos e toda a mistura que existe em nosso País. Uma das fotos que mais chamam a atenção é a do cantor Carlinhos Brown, como Exú. Ele foi fotografado em 1996.
O artista passou a trabalhar no seu estúdio, em Salvador, na Bahia, depois de um acidente que o deixou incapacitado por um ano. Pessoas e estranhos objetos são agora o cenário de suas fotos. Ele define sua obra como uma linha divisória entre o mundo que conhece e a interpretação que ele faz desse mundo. ‘‘Minha fotografia não traz somente o aspecto físico, social, racial e religioso do desenvolvimento, mas a idéia de uma nova cultura em processo de expansão rumo ao futuro’’.
Mario Cravo Neto é filho do escultor baiano Mario Cravo Junior, muito conhecido nos anos 50 e 60. Neto tem oito livros publicados com o seu trabalho. Ele já mostrou suas obras com um pouco de Brasil pelo mundo todo, incluindo Itália, México e Alemanha.
A exposição ‘‘Out of Bahia’’ vai até 6 dezembro. (The Witkin Gallery, 415 West Broadway, fone 212 925 5510).




Por hoje a gente fica por aqui. Semana que vem tem mais. See you.
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