Nova York Por Aqui (By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
O Parque Sócrates não está na maioria dos guias turísticos da cidade. Ele tem uma proposta original: é mais do que um simples parque. É um lugar onde o cidadão comum pode levar seus materiais e produzir suas próprias esculturas. Toda obra fica exposta por seis meses, e com sorte, vai para outros parques públicos.
O parque fica em Astória, perto da ponte Queensborough, bem na beirinha do rio que separa o bairro de Manhattan, na altura do Central Park. É do tamanho de dois campos de futebol. Ele é ocupado principalmente por imigrantes.
O Sócrates é também reduto de escultores e artistas americanos que produziram a maioria das peças hoje em exposição. O que o torna diferente dos demais parques é que lá sempre há um grupo de artistas trabalhando. Nesta semana, encontramos a afro-americana Chakaia Booker e o dominicano Nelson Tejeda, produzindo a instalação Conversational, seja lá o que for, será feita com restos de pneus, madeira e metal e com o sorriso simpático de Chakaia, uma figura e tanto.
Outra vantagem do parque Sócrates: se você acha que tem talento, basta apresentar uma proposta à administração. Se ela cair no gosto de um comitê de artistas e burocratas, dá direito a uma bolsa de estudos e materiais, para trabalhar ao ar livre no ateliê do parque. Mais democrático e aberto não pode ser.
Não espere nada formal. A administração é um trailer velho, mas tem ar condicionado e telefone. As oficinas são galpões de um estaleiro abandonado. Tudo improvisado, muito despojado, mas bastante criativo. Ninguém queria o pedaço, nós ocupamos e conseguimos criar um espaço de arte, conta Chakaia Booker.





