NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
MARTHA’S VINEYARD




Blanca Bonilla

Vista dos Barcos de Martha’s Vineyard: refúgio dos bambambãns

Gilberto Smaniotto

Placas e cartazes tentam atrair a filha do presidente Bill Clinton

Blanca Bonilla

A visita da família Clinton foi festejada por todos os cantos de Martha’s Vineyard



Diário do verão dos
ricos e famosos
‘‘Nova York por Aqui’’ saiu por aí neste final de semana. Fomos para a ilha de Martha’s Vineyard. Muita gente considera este lugar o mais chique da Costa Leste americana. Tanto que é lá que o Presidente Bill Clinton e família passam as férias. Fomos com um casal de amigos - mas saímos decepcionados. Não com os amigos. Com o lugar. Sugerimos que o prefeito de Antonina convide Clinton no próximo verão. Apostamos que nossa cidadezinha é mais bonita e mais divertida. E se os convidados quiserem mar, na Ilha do Mel eles pegarão praias melhores.
Caçando celebridades
Precisamos confessar que fomos atraídos pela mundanidade. Nosso objetivo era contar aos leitores tudo sobre a vida de alguns americanos ricos e famosos. A lista dos big shots anunciados era grande. Havia boatos que a princesa Diana estaria na cidade, com o novo namorado, Dodi Fayed - aquele bilionário egípcio quarentão e mulherengo. Outras notícias diziam que Barbra Streisand iria casar na capelinha local, tendo a primeira dama Hillary Clinton como madrinha. E o bilionário Donald Trump teria reservado todo restaurante Hot Tin Rof para um jantar com sua namorada, uma miss desconhecida . E mais: Michael Jordan e Tiger Woods, estrelas do momento. Todo mundo junto numa festança na casa de John Kennedy Junior.
Em busca do paraíso
Tarde de sexta, saímos de Manhattan, de carro, pra viagenzinha de quatro horas até o pedaço. Passamos pela ponte de New London, onde uma turma de paranaenses de Reaserva trabalha na manutenção. Depois enfrentamos um grande congestionamento no caminho do paraíso prometido. O primeiro mundo também tem problemas. Os motéis - que aqui não são para uma horinha de amor, mas apenas uma versão mais barata dos hotéis tradicionais, estão salgados nesta época de ano. De US$ 80 a US$ 100. Aqui não tem café da manhã. E ainda eles vivem lotados.
Farofeiros de luxo
Manhãnzinha de sábado, prometendo um belo dia de sol. Atravessamos o braço de mar em Cape Cod, no confrotável iate Schomanchi. Breakfast a bordo, rosquinhas e café com leite. Conferimos nossos companheiros de viagem: a maioria turistas da região, pagando US$ 16 para entrar na ilha do paraíso. Ficamos desconfiados que as sacolas Dona Karan, Louis Vuitton, Prada e Calvin Klein escondiam farofas. Farofa de primeiro mundo, mas ainda assim, farofa. Desembarcando na ilha, a multidão de farofeiros - perdão, turistas de primeiro mundo - começa a correr em busca de carros e bicicletas para alugar. Às 10 da manhã, acabou o último Fusca, diária de 100 dólares. Pronto. Os turistas estavam prontos para correr de um canto a outro da ilha atrás das celebridades. E aí ficou comprovado que as sacolas tinham farofa.
Tubarão e
água gelada
A ilha de Martha’s Vineyard é famosa, vá lá, mas sua água é geladérrima. Verão de gringo: sol de rachar, ventinho gelado, temperatura de 17 graus. Brasileiro nenhum bota o pé num mar daqueles. Quase tudo lá é ilusão - não é à toa que filmaram Tubarão na State Beach. O lugar tem seu lado bucólico, agradável, mas para praia não é mesmo! Foram escritores como Lillian Hellmann e Dashiel Hammett que fizeram a fama do lugar, quando a usavam como refúgio para fugir do Macarthismo, na época da caça às bruxas.Ilha concentra metade do PIB de Massachussets
Hoje, a antiga vila de pescadores de Edgartown, no leste da ilha, tem um PIB que é quase a metade do PIB do estado de Massachussets, tantos são os bilionários que vivem lá. Repetimos: quando esta turma quer tomar banho, deve usar as piscinas aquecidas de suas casas. Um dos poucos charmes do lugar é sua frota de embarcações de recreio. Quem tem dinheiro usa avião para entrar na ilha e sai de iate. Um dos pontos mais nobres e inacessíveis do pedaço é a ponta Gay Head. Está lá a casa que John Kennedy Junior e a irmã Caroline ganharam de herança da mãe, Jaqueline Onassis. Outro é a fazendola Oyster Pond, onde Clinton passa as férias, na casa do milionário Milton Friedman.


Tem brasuca na ilha
Nem tente visitar Martha’s Vineyard de mochilas nas costas. Farofeiro terceiro mundista não tem vez. E até turista gringo que ficar na ilha depois das 11 da noite vai dormir na cadeia - é lei local, na terra da liberdade. As opções de lazer do pedaço são poucas. O anfitrião do presidente é também dono do melhor barzinho do pedaço, o Hot Tin Rood. É bar de praia, mas não dá nem para imaginar alguém chegando de chinelos, tomando caipirinha e comendo camarão no palito. Tem chef francês e só toca blues.
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Um lugarzinho aprazível é o restaurante da cantora Carly Simon - há décadas fora das paradas de sucesso, mas boa de fogão. Clinton foi jantar no restaurante dela, na sexta. Quem trabalha para a cantora, na reforma de sua loja e outros negócios, é um catarinense de Joinville. André Michereff, de 32 anos, era técnico de segurança em Santa Catarina. Agora é pintor das casas dos ricos e famosos. Ganha US$ 700 por semana. Trabalha sete horas por dia. Tem sábado e domingo livres. Entre um trabalho e outro André fica sabendo da vida dos bilionários. ‘‘Não é difícil encontrar Tina Tunner andando pelas ruas. Ela também tem uma casa por aqui’’, conta. André foi parar na ilha a convite de um amigo. Ele se queixa do preço da região que não tem McDonald’s nem Burger King. ‘‘Jantar fora por aqui custa muito’’, diz ele. Em alguns restaurantes um jantar sai US$ 55 por pessoa.
Há vagas para...
Vendedores, garçons, caixas, arrumadeiras, porteiros. Martha’s Vineyard depois do ti-ti-ti da reunião de gente famosa, tem tanto movimento que faltou mão-de-obra. Cartazes estão espalhados por toda a ilha. Junto estão as fotos de Clinton e da mulher. E recados de boas-vindas ao casal não faltam. Estão por todas as vitrines. Na loja onde a filha Chelsea tomou sorvete, o movimento é assustador. E o sorvete perde em cheio para o de qualquer cidadezinha do interior do Paraná. O preço é pra rico. Quase US$ 4 dólares a bolinha pequena. Testamos o de baunilha. Tinha gosto de nada. Outras lojas para atrair a atenção do consumidor também colocaram cartazes convidando a família Clinton para uma visitinha. Na loja de cartões postais e posters um enorme recado convidava Chelsea para decorar o seu novo quarto na faculdade com os quadros vendidos alí. Bandeiras americanas durante toda a semana estavam penduradas nas portas das casas dos veranistas. Que patriotismo!
Golfe & mentira
Nossos anfitriões estavam reclamando do excesso de gente na ilha no fim de semana. Com razão: o povo caminhava em ondas pelos acostamentos das estradinhas do interior, esperando a hora de ver alguma das celebridades. O Presidente foi à missa no domingo. Mas a maioria das pessoas teve que se contentar com a foto dele em exibição nas vitrines das lojas. Cadê a Lady Di? Ninguém viu. Aliás, foi vista na europa, em Saint Tropez, ainda nos braços do tal de Dodi. Isto nos lembra que na terça-feira vimos a Kelly Fisher na rua, em Nova York. Quem é Kelly? A outra do Dodi. Uma modelo americana, de 31 anos, com quem o namorado da princesa estava comprometido. A moça abanava um enorme anel de safira e chorava pitangas pelo fim do romance.
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Cadê Michael Jordan? Estava na ilha. Na dele, bem entendido. Fica no Hawaí. Outro que não apareceu foi o golfista Tiger Woods. O Presidente teve que jogar golfe, sua paixão, com os amigos de sempre. Mas deu uma tacada infeliz: disse que tinha feito uma jogada muito difícil, acertando um buraco de bem longe. As testemunhas o desmentiram. Resultado: aquilo que seria uma bravata inocente, virou tema de um debate nacional. Os críticos aproveitaram para chamar o homem de mentiroso - nem nas férias ele escapa.

É Carnaval por aqui
Agora os americanos não precisam mais ir até o Rio de Janeiro para ter uma palhinha de como é o nosso Carnaval. A Cork Gallery, no Lincoln Center, tem até dia 2 de setembro, um pouquinho do charme e magia desta festa brasileira. ‘‘Carnaval e Samba’’, mostra 11 fantasias com muitas plumas, penas e pedrarias do Carnaval carioca. É de encher os olhos. Tem também 15 desenhos, verdadeiras obras de arte, e ainda mais de 30 fotos, tiradas entre 1952 e 1997, do Carnaval das ruas de Salvador, na Bahia. Para quem nunca viu, já dá para ter uma boa idéia. Big party .
O peso do luxo
E quem acha que tudo é festa nunca usou uma fantasia. A modelo e dançarina carioca Rosana Oliveira, 29 anos, também é uma atração da exposição. Rosana veste ‘‘A Noite do Esplendor’’, de Hermínia Paiva. A roupa, que foi destaque da escola Beija-Flor em 96, é toda em rosa e preto. É impossível passar pelo local sem parar para admirar o luxo e grandiosidade da fantasia. Todos querem tirar fotos. E Rosana, que deveria ficar na mostra só 40 minutos por dia, sempre acaba ficando mais. Só que a linda roupinha pesa mais de 25 quilos. Too heavy .
Sala de visita
E quem estava desfilando pela Cork Gallery era a cantora Sandra de Sá. Sandra tem show neste sábado em Nova York com Emílio Santiago. A risonha diz que cada vez que aparece por aqui, não deixa de visitar as lojas e caminhar pelo Village. Isso no verão, porque não há nada que ela odeie mais do que o frio nova-iorquino. Snow and more snow. Ligados
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Edgar Schaffer, de São Paulo, disse que lê Nova York por Aqui toda a semana pela Internet. Obrigado pelas dicas. A reportagem sobre as charretes do Central Park ficou para a próxima quinta. Se você quer entrar em contato com a gente aí vai nosso e-mail:
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