Nova York Por Aqui (By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
A explosão das revistas americanas
ReproduçãoNa capa da Vanity Fair de setembro o rosto de Carolyn Bassete, a mulher que conquistou John JohnReproduçãoCapa da Talk: nova revista tem um pouco de tudo e no número 1 traz declarações de Hillary ClintonReproduçãoCapa de George: revista que era editada por John John ainda não fez uma homenagem ao seu ex-presidenteA venda de publicidade nas revistas americanas, no mês de julho deste ano, subiu 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado. As revistas faturaram, em apenas um mês, quase US$ 1 bilhão em anúncios.
Segundo a Magazine Publishers of America, nunca se viu tanta novidade no mercado como nestes últimos tempos. No ano de 1998 foram lançadas 124 revistas especializadas em esportes, 82 que falam de sexo, 40 sobre carros, 23 de entertainment, 20 de música, 17 especializadas em saúde, 16 novas revistas sobre moda. E tem mais e mais, para todos os gostos e necessidades. O mercado editorial festeja.
Na semana passada chegou às bancas mais uma. Veio com pompa e circunstância. Talk apareceu com uma bomba: Hillary Clinton em campanha para o senado fala dos probleminhas do marido e tenta justificar o modo com ele agiu até agora. De que maneira? Sendo safadinho.
Mas outras revistas também chamam a atenção este mês. A Vanity Fair mostra Carolyn Bassette em fotos exclusivas, e a George, uma brincadeira com o ator Ben Stiller, de Mystery Men, expulsando John Kennedy Jr. da redação. Cenas engraçadas com final triste. John John foi embora para sempre.
George: pura coincidência
Enquanto os editores discutem o futuro da revista que fala de política de uma forma diferente, a edição de agosto de George foi parar nas bancas sem nenhum comentário sobre a morte do presidente e editor chefe John Kennedy Junior. A edição estava quase fechada quando o acidente com o avião de John matou ele, a mulher e a cunhada.
Mas por ironia do destino, John tinha convidado o ator de Mystery Men, Ben Stiller, para ser editor da revista por algumas horas e ser capa da George do mês de agosto. Uma George mais alegre, cheia de humor.
Ben aceitou correndo, e entre as muitas brincadeiras, expulsou John Jr. da sala e riscou o nome de presidente e editor-chefe do cartão de visitas. Daquele momento em diante John John não mandaria mais em nada. O ator tomaria conta de tudo, do jeito dele. E assim fez. Ele pintou o sete.
Depois das reportagens bem-humoradas, incluindo uma entrevista com Ricky Martin, Ben Stiller voltou para casa, e agora pensa na sua nova investida no cinema. John John nunca mais voltou para a redação. A vida real imitou em parte a ficção.
Depois de John John é a vez de Carolyn
Depois da morte de John Junior, quando todas as magazines americanas estamparam na capa o rosto do filho do ex-presidente Kennedy, a Vanity Fair de setembro chega às bancas agora mostrando com exclusividade as poucas imagens da mulher que conquistou John John com um olhar e um sorriso. As 10 páginas fazem parte do portfólio do fotógrafo Bruce Weber que clicou Carolyn Bassette sozinha e com o cachorro Friday.
Os especilistas em moda descobriram que a relações-públicas da Calvin Klein tinha beleza e charme. Agora não param de falar dela.
O designer Tom Ford, da Gucci, diz que nas fotos do dia-a-dia Carolyn parecia petulante, mas pessoalmente era atraente, cativante e dona de um sex appel magnético: Ela tinha um grande charme e um grande estilo. Ela era individual e verdadeiramente linda.
Carolina Herrera diz que milhões de mulheres copiaram Jackie, (Jacqueline Kennedy), quando ela estava na Casa Branca. Jackie nunca encontrou a mulher de John John. Mas o amor pela privacidade, que tinha Carolyn Bassette, com certeza ia fazer dela uma de suas preferidas: Ela amaria a simplicidade de Carolyn - completa Herrera.
Valentino revelou à Vanity Fair, que num jantar em Roma, oferecido por ele e pelo sócio Giancarlo Giammetti, eles tentaram agradar de todas as formas o solteiro e bonitão John John.
- O playboy está vindo. Vamos trazer também as mais bonitas mulheres do mundo. Convidaram Helena Christensen e outra mulheres maravilhosas. Ninguém acreditou no resultado.
- John nem prestou atenção. Ele disse que estava apaixonado - completou Valentino.
Talk: querendo ser diferente
Uma festa para centenas de celebridades na Estátua da Liberdade, no dia 2 de agosto, marcou oficialmente a entrada de Talk no mercado editorial americano. Comandada pela toda-poderosa editora Tina Brown, ex-Vanity Fair, e The New Yorker (ela conseguiu em um ano diminuir as perdas da revista que estava condenada a desaparecer), a britânica vai ser responsável pela vitória ou fracasso da revista que sai todos os meses com mais de 500 mil exemplares.
Pedra no sapato de muitos, a editora bem-sucedida se mudou para Nova York e está sentindo de perto os ciúmes dos americanos da gema. Mas ela é forte, decidida e quer fazer da Talk a Life do próximo milênio.
Para começar entrevistou Hillary Clinton, que mudou toda a história sobre o maridão. Primeiro defendia a idéia de que todas as acusações contra o pobrezinho Bill não passavam de uma conspiração. Agora defende que o marido é o que é porque sofreu abusos da família, quando pequeno. Hillary, em meio à campanha para o senado, quis deixar claro de que os dois se amam acima de qualquer coisa. (E se mercecem).
Mas voltando a Talk, especialistas acreditam que a revista vence por ser inteligente. Faz uma mistureba de jornalismo com amenidades do dia-a-dia e está longe de ser comparada com qualquer revista que aparece todos os dias nas bancas por aqui.
No primeiro número a Talk mostra ainda uma entrevista com Mohammed Al Fayed, o pai de Dodi Al Fayed, namorado da princesa Diana. Ele continua defendendo a tese de que o casal foi assassinado por agentes secretos britânicos. É tido como louco e racista pelos membros da família real.
O Brasil também está em Talk. A embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, amigona de Diana, desmente que a princesa estaria grávida e amando o milionário.
E para fazer o gênero cheguei, tem ainda na capa a atriz Gwyneth Paltrow, do Shakespeare in Love, mostrando que ela pode ser uma Bad Girl.
Sucesso ou não, tudo vai depender agora dos leitores.
Para terminar: uma revista americana custa em média US$ 3.





