A vida louca dos latinos na américa
ReproduçãoCartaz de ‘‘Central Station’’, o nosso ‘‘Central do Brasil’’ que será exibido na Mostra ‘‘Latin Beat’’Gilberto SmaniottoTito Puente em seu bar, uma cópia do americano Planet Hollywood, só que com toque latinoO cantor porto-riquenho Ricky Martin teve seis indicações para o MTV Video Music Awards. Ele, que continua nas paradas de sucesso dos Estados Unidos com sua ‘‘Livin la Vida Loca’’, terminou a semana rindo à toa. Todos os latinos riram juntos. Eles estão dando o que falar na terra do Tio Sam e têm bons motivos para isso.
A imprensa e os americanos da gema estão abrindo cada vez mais espaço e defendendo a tese de que os hispânicos vieram com tudo e estão em alta. Não tem mais como negar. A lista de latinos de sucesso vem aumentando em todas as áreas.
Também pudera, nos Estados Unidos vivem 31 milhões de hispânicos. Um crescimento de 38% desde 1990, enquanto o resto da população cresceu apenas 9%. E eles sempre foram desprezados pela classe média e branca. Todo trabalho pesado e que não rende, eles fazem rindo. O salário em dólar compensa qualquer esforço.
Em Nova York com certeza você vai ouvir num restaurante, bar, sala de espera, lojas, um som latino como salsa, tango, e muita ‘‘Vida Loca’’. Na onda os gringos resolveram aderir. Estão enchendo as academias de dança para aprender requebrar. Há um tititi dando conta que a Estátua da Liberdade vai largar a tocha e levantar um copo de tequila para brindar aos latinos que estão por aqui.
Eles serão, em 2005, a maior minoria étnica do país, deixando para trás a população negra.
Movies from Latin America
Na onda ‘‘latin pop culture’’, vem aí, de 20 de agosto até 9 de setembro, o Latin Beat. Os recentes filmes rodados na América Latina serão exibidos no Walter Reade Theater, no Lincoln Center.
O cinema latino não quer ficar para trás e está tentando se mostrar neste mercado competitivo puxado pela indústria de Hollywood.
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Guatemala, México, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela têm, juntos, mais de 20 filmes que estarão sendo exibidos na mostra. Entre eles, o indicado para o Oscar deste ano, Central Station (‘‘Central do Brasil’’), de Walter Salles.
Homenagem a Fernanda Montenegro
Os dias 1º e 2 de setembro estão reservados para as produções brasileiras. Na quarta e quinta só tem ‘‘Brazil’’, das 13h até as 22h.
Passam pelo festival ‘‘A Falecida’’, ‘‘Elas Não Usam Black Tie’’, ‘‘Tudo Bem’’ e ‘‘Central Station’’. Nos dois dias os filmes têm horários diferentes.
O encontro, que começa oficialmente no dia 20 de agosto, é precedido de um debate sobre o ‘‘Cinema Latino hoje’’. É dia 19, às 7h30 na livraria Barnes & Noble da Union Square.
Na propaganda de divulgação, a chamada diz que o Latin Beat vai fazer um ‘‘Tributo a mulher da vida: Fernanda Montenegro’’. Ela é a atriz de todos os filmes brasileiros exibidos no festival e estará em Nova York para apresentá-los.
Os ingressos vão custar US$ 8,50 e estarão à venda a partir do dia 7 de agosto, nas bilheterias do The Walter Reade Theatre, na 165 west, 65 Street, entre a Broadway e a Avenida Amsterdã. Pela Internet: www.filmlinc.com ou www.moviefone.com
Dicas
Festa Latina
Quer requebrar no topo do mundo? Então vá ao Greatest Bar on Earth, (O maior bar da terra), que às quintas-feiras toca só música latina. O restaurante, que fica no 107º andar do World Trade Center, é muito caro mas a entrada para o Greatest Bar, às quintas, custa apenas US$ 5. De quebra depois de dançar à vontade você e ainda pode visitar o topo das torres gêmeas e ver, quase das nuvens, a Nova York dos latinos.
Uma noite de Jazz
Saindo de Manhattan a dica é ir no Tito Puente’s Restaurant em City Island. Abre 7 dias por semana. Enquanto você saboreia uma paella, ou frutos do mar de sua preferência, pode curtir o Live Latin Jazz deste porto-riquenho de sucesso.
Às quartas e quintas os amantes do charuto são convidados para um bate-papo ao som de boa música. Um dos fregueses mais famosos da casa, o ‘‘Zorro’’ Antônio Bandeiras, costuma passar lá quando vem para Nova York.
Tito Puentes fez um restaurante aos moldes do Planet Hollywood. Nas mesas há fotos de astros e estrelas latinas, entre elas Carmem Miranda. Preste atenção nos bancos do bar.
Durante a entrevista, Puentes mandou um abração para os brasileiros. ‘‘Do México para o Brasil é um pulinho, de Porto Rico até lá também. Somos todos irmãos’’, disse ele, via satélite, comemorando a onda de sucesso dos latinos nos Estados Unidos. (Tito Puente’s fica na 64 City Island Avenue. Fone: 718 885 3200 )
Cinema
O projeto que deu certo
Se estivesse vivo, o perfeccionista Stanley Kubrick não iria aguentar. Depois de ‘‘Eyes Wide Shut’’ (‘‘De Olhos Bem Fechados’’), com Tom Cruise e Nicole Kidman, que já ficou em primeiro lugar nos cinemas americanos mostrando ‘‘a obsessão sexual e o ciúme’’, com beleza de acabamento, chegou em julho nos cinemas americanos o filme que agora está chamando a atenção e dando o que falar, mesmo sem nenhuma beleza. E muito menos acabamento.
A crítica disse que o filme (documentário), ‘‘The Blair Witch Project’’, era assustador e real. Foi o suficiente para levar multidões para as filas dos cinemas para ver três atores desconhecidos entrarem na mata à procura de vestígios da bruxa que fez desaparecer mais da metade dos jovens da região de Burkittsville.
Os novatos, Eduardo Sanchez e Daniel Myrick deram aos atores Josh, Mike e Heather uma câmera HI-8 e uma 16mm e dirigiram o filme a distância. Deixaram que as coisas fossem acontecendo normalmente. Os jovens que nunca tinham mexido numa câmera antes filmaram do jeito deles, o dia-a-dia na mata. Eles se perderam, e parte do roteiro fictício se misturou com a realidade.
O problema que as imagens mexem tanto que já nos primeiros 10 minutos você fica tonto, com dor de cabeça e ânsia de vômito. Tonto também estão os diretores que não esperavam o sucesso do negócio. Eles gastaram o que tinham e o que não tinham nos cartões de crédito para filmar a estória. Foi uma fortuna para eles, mas não para fazer um filme. Apenas US$ 25 mil.
Venderam os direitos por US$ 1 milhão e de 28 salas de exibição o filme passou para 800 na segunda semana. Está em segundo lugar nas bilheterias dos Estados Unidos, perdendo apenas para o romântico Runaway Bride com Julia Roberts e Richard Gere. O Runaway custou US$ 70 milhões.
Em tempo: Pegamos fila para poder assistir ao ‘‘The Blair Witch Project’’, no domingo, 10h da manhã. Cinema lotado. No final da exibição só ouvimos reclamações. E a dor de cabeça continuava.
See you quarta again

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