Nova York Por Aqui (By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
O príncipe americano desapareceu
Arquivo FolhaGilberto SmaniottoOs nova-iorquinos demonstraram a dor pela perda do seu príncipe, John-John, depositando flores, bilhetes e cartazes em frente ao prédio em que morava: uma nação dolorida e indignada com o desparecimento daquele que, junto com a Carolyn, vivia um conto de fadasJohn Kennedy Junior ganhou a licença para pilotar aviões há um ano, mas ele já era fascinado pelos helicópteros da Casa Branca desde pequeno quando o pai, John Kennedy, era presidente dos Estados Unidos.
Considerado o homem mais sexy do mundo pela revista People, o advogado John-John era editor chefe da revista de política George. A maior frustração dele era que o John era mais forte e famoso e ganhava mais destaque do que a própria George que ele comandava.
Apesar de viver atrás de figuras famosas para incluir numa das edições da sua revista, ele tinha uma relação de amor e ódio com a mídia. Os paparazzi não o deixavam em paz, mas o povo sim.
Na Big Apple ele podia ir a um restaurante sossegado porque os nova-iorquinos são acostumados com gente famosa. E os paparazzi? Eles estariam por toda parte mesmo. Não tinha como evitá-los.
Numa entrevista no ano passado à Barbara Walters, da rede ABC, John Jr. disse que gostava de espinafre. E respondeu com uma só frase à pergunta sobre sua candidatura a algum cargo político. Quero viver primeiro, depois pensar nisso.
Nova York perde o morador mais ilustre
Nova York tem famosos por todos o lados, mas John-John era um príncipe mesmo sem monarquia. Ele representava os valores americanos, dizia uma mulher chorando. Ele fazia parte de um conto de fadas e vivia próximo da gente, completava uma outra vizinha.
O galã jogava disco de plástico, o frisbee, no Central Park, comia sanduíche de ovo com café enquanto lia o jornal num bar perto da casa dele. Saía pela rua de terno e gravata e de bicicleta. Estranho? Era o jeito dele, bem americano. E ainda andava de rollerblade com um bermudão e camisa pólo.
Do trabalho para rua
John-John trabalhava no 42º andar do prédio Paramount Plaza, na Broadway, em frente ao Garden Theatre onde há 15 anos é exibido o espetáculo Cats. Os funcionários da farmácia o conheciam de perto. Ele ia pessoalmente comprar algo se precisasse. Todos confirmam que era um homem simpático e atraente.
A atendente da estação de metrô disse que John Jr. sempre se destacou na fila para comprar um Metrocard pela elegância, beleza e cordialidade Era impossível não prestar atenção naquele homem, falou com os olhos arregalados. Nos restaurantes da cidade nunca passava na frente de ninguém.
John também gostava de comida brasileira. Caminhava dois quarteirões para almoçar com os amigos no Rice and Beans da mineira Maria Aparecida Lemos, 55 anos. Ele adorava risoto de frango, arroz e feijão. A bebida era o guaraná, conta ela.
Difícil acreditar
Os americanos custaram a acreditar quando a Guarda Costeira informou à família que não havia mais chances de encontrar algum sobrevivente no avião com John Jr, a mulher Carolyn, e a irmã dela Lauren Besset. No domingo a porta do prédio do casal Kennedy já começava a receber flores, velas, bilhetes, cartazes, balões pretos e vermelhos. Algumas pessoas rezavam, outras choravam.
Depois de uma noite em frente as tevês, os poucos nova-iorquinos que ficaram na cidade num dia quente de verão, deram uma passada pelo número 20 da North Morre Street, em TriBeCa, o bairro do casal.
Um bilhete na parede do prédio dizia: Volte para casa, John. Outro escrito por uma criança mostrava a esperança:Quero te encontrar qualquer dia na rua. Um era de despedida: Boa noite doce príncipe.
O charme de Carolyn Besset
Madonna, Sarah Jessica Parker, Daryl Hannah, Brooke Shields, foram apenas algumas namoradas de John , que assim como o pai tinha fascínio por mulheres famosas. Mas foi a relações públicas de Calvin Klein, Carolyn Besset, com todo seu charme que conquistou o famoso e bonitão levando-o para o altar em setembro de 1996. A festa foi secreta numa ilha da Georgia.
Os olhos azuis da loira alta de 33 anos arrancava suspiros dos que a conheciam e elogios dos estilistas de moda que apostavam que ela se transformaria num símbolo americano, assim como a mãe de John Jr. que na década de 60 com seu estilo e beleza conquistou a américa.
Marthas Vineyard
O avião de John Jr. deveria pousar 1h e 20 minutos depois de sair de New Jersey, em Marthas Vineyard no estado de Massachusetts. Lá a família fazia suas principais reuniões. A ilha é para os gringos ricos. O PIB é quase a metade do PIB do estado de Massachusetts, tantos são os bilionários que vivem por lá.
As casas são enormes e ser patriota é lei. Bandeiras americanas sempre estão hasteadas nos locais públicos e na frente das casas. É nesta ilha do paraíso considerada para muitos a parte mais chique da Costa Leste americana que o presidente Clinton e a família passam as férias.
Foi lá que nós, simples mortais, ficamos um dia procurando pela princesa Diana e outros ilustres no verão de 1997. Ela tinha sido convidada para um fim de semana na casa de amigos e ia com o milionário egípcio Dody Fayed. Era uma festa com muita gente famosa. A imprensa estava de prontidão para o ti-ti-ti. Diana não apareceu. Na semana seguinte morreu num acidente de carro em Paris.
See you quarta again. Bye





