Gilberto Smaniotto

Herbert Vianna no show dos Paralamas do Sucesso que parou o Central Park: ‘‘Viva o rock brasileiro’’




Os Paralamas em Nova York
A equipe de produção do SummerStage, que rola todos os anos no Central Park, estava rindo à toa na tarde do último sábado. Nenhum show neste ano reuniu tanta gente como o dos Paralamas do Sucesso. O grupo se apresentou para mais de sete mil pessoas. Foi um recorde. Na platéia uma mistura de brasileiros, americanos e hispânicos.
O sábado brasileiro começou com a batucada de Pedro Luis e a Parade. Eles interpretaram músicas antigas, entre elas as do roqueiro Raul Seixas. Na pausa para mudar os instrumentos a galera levou um banho. Acontece que o calor estava insuportável.
Sem água gelada na cabeça dos brasileiros, o negócio virava gritaria. ‘‘Se a gente não tomar um banho não consegue ficar de p钒, dizia uma carioca, segurando a bandeira brasileira. ‘‘Eu só vim para cá, debaixo desse calor, porque não vejo os Paralamas há 8 anos’’, disse uma paulista em meio aos berros de ‘‘Paralamas jᒒ.
‘‘Tira a camisa Herbert Viana’’
O show, marcado para as 15 horas, começou com mais de 2 horas de atraso. Os Paralamas fizeram um revival, incluindo os principais sucessos do grupo. Na lista tinha ‘‘Alagados’’, ‘‘Óculos’’, ‘‘Bora, Bora’’, ‘‘Meu erro’’, e ‘‘Vital e sua moto’’. Eles também deram uma de Titãs. ‘‘Esta é uma homenagem a um grupo co-irmão que toca há 16 anos como a gente. Viva o rock brasileiro’’, gritou Herbert Vianna antes de interpretar ‘‘Marvin’’.
Nestas alturas do campeonato nem o grupo resistia ao calor de 35 graus, terrível para a úmida Manhattan. ‘‘Só o carinho de vocês faz a gente suportar esse forno. É muito quente’’, reclamou Herbert.
Da platéia surgiu a curitibana Patrícia Schille que não se conteve e gritou. ‘‘Então tira a camisa.’’ Patrícia é fã dos Paralamas e estava emocionada com o show do grupo aqui fora.
Para matar a saudade
Em meio a um gole e outro de água, o vocalista deu seu recado. ‘‘Se vocês não sabem ainda, o Brasil ganhou de 7 x 0 da Venezuela na semana que passou e hoje (sábado) ganhou de 2 x 1 do México.’’ Notícia quente para a galera comemorar.
Em meio ao nacionalismo e às recordações de quem deixou a terra, Herbert pediu para que levantassem o braço aqueles que achavam que a vida devia ser bem melhor. Até os seguranças americanos que não entendiam uma palavra em português levantaram. ‘‘They are amazing’’ (‘‘eles são fantásticos’’), dizia um rebolando conforme a música. Mas a vida precisa ser melhor até para os americanos.
Da Grécia tinha uma Maria. Quase todos os países ocidentais têm Maria. A moça nunca tinha visto ou ouvido os Paralamas, mas dançou como louca e disse que vai comprar todos os CDs do grupo. ‘‘Eu não sabia que no Brasil tinha esse tipo de música. Eu sempre achei que tivesse mais samba do que qualquer outra coisa’’, completou.
Central Park SummerStage
O SummerStage é famoso por trazer gente importante da música do mundo todo. A cada ano o local fica mais confortável. A entrada é pela 72nd Street e o palco, coberto por lona, está numa área entre as árvores. O chão que no passado era de terra pura, agora ganhou um forro verde imitando grama. Arquibancadas e cadeiras foram colocadas em pontos estratégicos. Mas quem curte Rock prefere ficar de pé.
O máximo que os organizadores pedem é que as pessoas doem US$ 1, para que eles possam trazer mais artistas internacionais. O próprio Herbert Vianna entrou na luta, e pediu que os brasileiros colaborassem.
Todas às quartas e quintas, durante o verão, há shows às 19h30, e aos sábados e domingos às 15 horas. Amanhã, por exemplo, tem uma noite flamenca. Dia 14 de julho, 4 e 11 de agosto se apresenta a New York Grand Opera e o melhor de Verdi. Para quem vem para Nova York neste verão a programação do Central Park é imperdível.
DICAS & LAZER
Dançando ao ar livre
No palco do Midsummer Night Swing, em frente ao Lincoln Center, você pode dançar à vontade de quarta a domingo no final de tarde. Sempre tem uma programação especial com muito merengue, rock, mambo, samba, música crioula e os sucessos dos anos 60, 70 e 80.
Na sexta-feira, dia 9, tem forró, xote e baião. Será a noite do tributo a Luiz Gonzaga. No palco Joaquina, Daniel Gonzaga e Oswaldinho do Acordeão. É só chegar e se divertir. A programação vai até dia 24 de julho.
Festival das Artes no Lincoln
-E começa hoje, no mesmo Lincoln Center, o festival das Artes. Até dia 25 de julho a mostra traz o melhor da dança, música e teatro. A orquestra Filarmônica de Nova York, regida pelo maestro Kurt Masur, é responsável pelo minifestival Beethoven de 7 a 15 de julho.
-Mikahil Baryshnikov estará na estréia de ‘‘Occasion Piece’’, no minifestival do coreógrafo Merce Cunningham de 21 a 25.
-De hoje até o dia 10 tem Isabella Rosselini e o mestre do teatro de vanguarda Robert Wilson em ‘‘The days before death, destruction & Detroit III’’. O espetáculo é baseado na novela de Umberto Eco, ‘‘The Island of the day before’’. No palco tem ainda Fiona Shaw e música de Ryuichi Sakamoto.
-Os ingressos para o Festival das Artes variam de US$ 20 a US$ 60 dependendo do espetáculo. (O Lincoln fica na Columbus Avenue, 62)
Para terminar
A temperatura nesta semana está passando dos 100 F (35 graus celsius). Entre uma caminhada pelo forno das ruas e uma entradinha nas lojas, com um ar condicionado tipo freezer, o turista sempre acaba levando de volta na bagagem uma inesperada gripe de verão. Se estiver embarcando para a Big Apple, vá tomando sua vitamina C com antecedência. É melhor se prevenir.
See you quarta again.

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