Gilberto SmaniottoUm mineiro, que não se identificou, desfila deslumbrado pela avenida: ‘‘Estou me sentindo uma estrela da Broadway’’‘‘Orgulho Gay’’ leva
brasileiros para
a Fifth Avenue
O dia do ‘‘Orgulho Gay’’ em Nova York foi comemorado com uma parada na Quinta Avenida. O encontro reuniu mais de quinhentas mil pessoas. Os brasileiros também estavam por aqui. Um grupo de 200 desfilou na Big Apple.
‘‘Vida Loca’’, de Ricky Martin, balançava a ala dos porto-riquenhos, e uma bateria em ritmo de samba mexia com a turminha verde-amarela e com a platéia.
Entre músculos e drags os brasucas estavam se sentindo em plena Sapucaí no Rio de Janeiro. Um mineiro de 50 anos, vestindo uma fantasia em preto-e-branco, não conseguia falar nem o nome dele de tanta emoção. ‘‘Nunca saí em Nova York num desfile como esse. Estou me sentindo uma estrela da Broadway’’, brincou.
O grupo desceu a avenida ouvido a platéia gritar ‘‘Braziiiiil, Braziiiiil’’. As tevês americanas reservaram parte do noticiário para os brasileiros. Eles apareciam em todos. Também, é impossível não serem notados.
Gilberto SmaniottoManifestantes portando faixas e cruzes protestam contra a parada gay. ‘‘Jesus não aprova’’Gente de todas as alas
A Gay Parade de Nova York foi aberta oficialmente ao meio-dia por mais de 200 motoqueiros. Este é uma dos maiores encontros de gays, lésbicas e simpatizantes do planeta. Vieram os policiais gays, os casais pedindo igualdade, os com mais de 60 anos, os políticos e a ala dos pais que não se importam com a preferência dos filhos.
Uma mulher emocionada assistiu à parada segurando um cartaz que dizia: ‘‘I adore my Lesbian Daughters’’ ( Eu adoro minhas filhas lésbicas). Ela chorou quando as filhas passaram pela avenida vestidas de Xena, a personagem da série de televisão.
Foram mais de quatro horas de desfile e tudo terminou onde tudo começou: em frente ao bar Stonewall, na Christopher Street, Village, onde o movimento gay ganhou força há 30 anos.














Dia de protesto
A parada gay da Big Apple foi recheada de protestos contra a política dura do prefeito Giuliani, que está terminando com os bares de strip-tease na cidade. Um grupo de homens mostrando quase tudo desafiava o regulamento da parada. O prefeito veio e foi vaiado.
Alguns manifestantes levando cruzes e cartazes protestaram contra a festa gay. ‘‘Jesus não aprova. É o fim do mundo’’, dizia um deles. Houve bate-boca. A polícia tomou a famosa St. Patrick’s Cathedral e não deixou que a platéia e os jornalistas ficassem naquele local. A explicação foi simples. ‘‘A Igreja não permite esse tipo de coisa e não quer que as pessoas tirem fotos aqui’’, avisou um policial.

Aids: tema de vários grupos
Entre as brincadeiras e os protestos estavam os grupos de apoio aos doentes de Aids. Eles desfilaram exibindo os números da doença. ‘‘No mundo todo 40 milhões de pessoas contaminadas pelos vírus vão morrer até 2010’’, dizia um cartaz. O outro contabilizava o sofrimento. ‘‘Cinco pessoas morrem todos os dias em Nova York vítimas da Aids.’’

MILKSHAKE
-Festival de Jazz termina com show de Caetano Veloso
-Quem foi assistir ao show de Carlinhos Brown, na quinta-feira, no Beacon Teather em Nova York, teve uma enorme decepção. O som. Simplesmente o som, o mais importante do ‘‘negócio’’ estava ruim, e atrapalhou o carnaval que ele fez por aqui.
-Quem foi ver Caetano, no domingo, saiu reclamando que o homem anda falando pelos cotovelos, mas este é o melhor show de Veloso.
-Na platéia, David Byrne, Marisa Monte, Tony Bennet, Sean Lennon com a namorada Yuka Honda, Lou Reed e Laurie Anderson, e presidentes de gravadoras.
-Agora Caetano leva o ‘‘Livro Vivo’’ para a turnê norte-americana. Serão 11 cidades até o dia 17 de julho.
-Depois desses dois enncontros é hora de ir para o Central Park ver Os Paralamas do Sucesso. Eles se apresentam ao ar livre no Summerstage neste sábado, às 15 horas.
-Liquidação de 4 de julho é fogo
-Mais do que fogos de artifício, o ponto alto das comemorações da independência americana são as liquidações na cidade. Elas deixam todo mundo louco. É uma das melhores épocas para renovar o guarda-roupa. As lojas neste sábado e domingo estão dando de 45% a 75% de desconto em tudo. Na Macy’s, a maior loja de departamento do mundo a promoção começa na quinta e vai até a segunda-feira.

Por aqui & Por aí
A campanha ‘‘Diga Não à Destruição do Parque Nacional do Iguaçu’’, da SPVS, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, já chegou em Nova York e está na Internet a todo vapor. Cada lista, quando atingir 100 assinantes, vai ser mandada para o presidente Fernando Henrique Cardoso no seguinte endereço: [email protected]
A intenção é evitar que o ‘‘Iguaçu’’, considerado Patrimônio Nacional da Humanidade pela UNESCO, seja destruído pela Estrada do Colono, um rasgo de 18 quilômetros que dividiu em duas partes o parque.
Nesta semana a família Souza, do cartunista Maurício de Souza, também assinou a lista pedindo ao presidente FHC para interromper este processo de destruição do parque. Uma decisão do presidente é tudo o que está faltando neste momento.
Informações no Brasil: [email protected], com Cláudia Belfort
See you quarta again.

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