Nova York Por Aqui (By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
Nova York Por Aqui
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Reprodução
Heraldic Call - details, 1995 - óleo sobre tela do alemão Hans Hofmann (Metropolitan Museum of Art)
Figure on Trunk, 1998 - escultura da polonesa Magdalena Abakanowicz (Metropolitan Museum of Art)
Bird II, III e V e Bambini (Bambini são as pernas em segundo plano) (Metropolitan Museum of Art)
Box Mirror, bronze - Grécia, século 4 (Metropolitan Museum of Art)
Statue of Kouros (Youth) - mármore, Grécia, cerca de 590 anos antes de Cristo (Metropolitan Museum of Art)
Quando o elevador do Metropolitan Museum of Art, na segunda-feira, abriu as suas portas, no último dos quatro andares do prédio, muitos jornalistas não disfarçaram a surpresa. Foi um uaaau geral!
Estávamos no Roof Garden do museu, que abre oficialmente para o público só no sábado, dia 1º de maio, para comemorar a primavera-verão na América. Ele só vai fechar quando os primeiros flocos de neve voltarem a cair no final do ano.
Desta vez saíram as obras de Rodin, que estavam no jardim desde o ano passado, para dar lugar a uma coleção da escultora polonesa Magdalena Abakanowicz, considerada uma das mais surpreendentes e inovadoras artistas de todos os tempos.
Suas obras, Bird II, III e V, Bambini, e Figure on Trunk, todas recentes, feitas especialmente para esta mostra, podem ser admiradas num cenário de filme. No Roof do Metropolitan dá para ver parte de Manhattan e O Central Park de todos os lados.
Magdalena Abakanowicz
Desde 1970, a forma humana tem sido o principal destaque da escultora, que hoje tem 69 anos e suas obras já foram mostradas em mais de 60 museus espalhados pelo mundo todo.
Seu trabalho, em alumínio e bronze, está relacionado com suas experiências durante a Segunda Guerra Mundial e todo o regime comunista na Polônia.
De uma família aristocrata, Magdalena teve uma infância tranquila, mas sozinha. Foi isolada das outras crianças por causa da diferença de classe. A guerra marcou a artista. Em 1943, com apenas 13 anos, viu um soldado alemão embriagado atirar contra sua mãe. Ela perdeu uma das mãos.
Hoje quando a artista fecha as portas de seu estúdio, depois de um dia inteiro de trabalho ela acha que suas obras ganham vida. Eu tenho sempre a impressão que deixei sozinha minhas esculturas e elas vão poder se comportar do jeito delas, se libertando das pressões. Aí elas vão se mover.
Hans Hofmann no Metropolitan
Às vezes achamos que é overdose de Metropolitan, mas acredite, nenhum museu em Nova York traz tantas novidades todas as semanas quanto este. Saindo do Roof fomos direto para outra exibição, que já abriu para o público, e vai ficar até 17 de outubro. Desta vez a do pintor abstrato Hans Hofmann, (1880- 1966).
O alemão, naturalizado americano, é um artista da primeira geração do modernismo. Começou sua carreira em Munique lá pelos anos de 1895. Se comunicava sempre com Picasso, Braque e Matisse.
Dispensado do exército, durante a Primeira Guerra Mundial, porque estava com tuberculose, Hans abriu em Munique uma escola de arte. Foi uma das primeiras dedicadas aos princípios da arte moderna. Logo ele atraiu estudantes americanos, e por isso foi permitido a ele imigrar para os Estados Unidos quando a situação política na Alemanha estava deplorável.
Sem mesmo falar bem o inglês, na América se tornou professor em Nova York e Provincetown, no estado de Massachusetts. As idéias do artista, que tinha dificuldade de se expressar com palavras, foram a principal característica que marcou seus alunos da américa.
Novas galerias
E não dava para deixar de visitar as novas galerias de arte que reabriram dia 20 de abril. A arte grega e a romana voltaram a ser exibidas em sete galerias. Foram três anos de reformas para uma reabertura digna de festa. O museu tem novas peças, verdadeiras obras-primas dos períodos arcaico e clássico. São esculturas em mármore dos heróis gregos, e delicados trabalhos em vidro e ouro. Tudo sobre a beleza e a riqueza da história do antigo mundo.
(Metropolitan Museum of Art - 1000 Fifth Avenue. Fone: 212 879 5500 )
Alfred Hitchcock no MoMA
Cinéfilos do mundo todo, Alfred Hitchcock está no Museum of Modern Art até 15 de junho. É a maior exibição das obras dele até agora nos Estados Unidos.
Tem fotografias, desenhos de produções, cartazes dos filmes, e muitos documentos sobre o trabalho do diretor. De quebra, até 15 de junho, o MoMA exibe todos os filmes de Hitchcock, menos Janela Indiscreta, de 1954, que está sendo restaurado e um dos filmes mudos que foi perdido.
O MoMA também criou o Multimídia Hitchcock. É um curso intensivo que analisa os filmes com vidoclipes e audioclipes. Quem participar também vai poder decupar algumas cenas enquanto ouve os comentários sobre elas.
Se não tem como chegar a Nova York para ver a mostra no MoMA, procure no seu computador - www.moma.org - ali tem parte do que você vai ver no museu.
(MoMA - 11 West 53rd Street 212 708 9400 ).
AMERICAN PRESS
Cher: Do you believe?
A cantora Cher está na revista Celebrity Style do mês de maio. Cher confessa que foi uma surpresa quando Believe alcançou o primeiro lugar nas paradas de sucesso da Europa, logo na primeira semana de lançamento. O último CD da cantora foi para as lojas dos Estados Unidos em novembro, um mês considerado competitivo. No final de ano, as gravadoras põem no mercado lançamentos pra dedéu. Acho que este é um tipo de milagre. Pop Music é música para jovens, feita pelos jovens, disse a quarentona para a revista.
Bruno Campos: pensando alto
Outro famoso, que desfila na Celebrity Style de maio, é o brasileiro Bruno Campos, o Diego do seriado Jesse da NBC. Fã de carteirinha de Pablo Neruda, o ator confessou que quando pequeno queria ser assaltante de banco. Não gostava de aventura o garoto? O tititi em Hollywood é que o brasileiro, que confessa ser ambicioso, vai parar nas telas do cinema. Quem sabe ele pode ganhar um papel de bandido ou mocinho que assalta banco e dá para os homeless o que roubou. Go ahead.
Divas que te quero perto
O Divas Live da tevê VH1s aconteceu há duas semanas, mas ainda está dando o que falar. É que pela primeira vez um cantor do sexo masculino participou do projeto Divas, que reuniu no palco entre outras Tina Turner, Shania Twain, Mariah Carey e Cher. Elton John conseguiu fazer com que todos até hoje tentassem descobrir o que realmente significa ser Diva. Para alguns entrevistados Diva é sinônimo de beleza, talento, e mais do que isso, dinheiro, muito dinheiro.
O bebê de Woody Allen
Casados desde dezembro de 1997, o ator e diretor Woody Allen, 63, e Soon-Yi Previn, 28, confirmaram ao New York Post, que os dois têm um bebê, depois de serem flagrados no sábado pela equipe do Post em plena Madison Avenue. Mas o casal não revelou quantos meses tem a criança e também não confirmou se a filha foi adotada. Segundo o jornal, fotos recentes de Soon-Yi não revelavam sua gravidez.
O nome da garota? Bechet Dumaine Allen. Talvez o casal estivesse homenageando o saxofonista Sidney Bechet que morreu em 1959. Allen toca clarinete e é apaixonado por Jazz.
Só para lembrar, a coreana Soon-Yi e o diretor foram notícia no mundo todo depois dele revelar um affair com ela em 1992. Soon-Yi na época tinha apenas 21 anos. Ela foi adotada pela ex-mulher de Woody Allen, Mia Farrow, quando era pequena. Farrow que ficou com Allen por 12 anos, na época da adoção era casada com o compositor André Previn. A atriz tem 14 crianças, 10 delas adotadas.
Ricky Martin e
Fernanda Montenegro
O cantor porto-riquenho, Ricky Martin, se prepara para lançar em maio o seu primeiro disco em inglês. Com destaque na Rolling Stone Magazine, ele falou do que gosta e elogiou nossa brasileira Fernanda Montenegro. Eu vi Central Station no avião quando estava voltando da Itália e fiquei admirado pela sua atuação. Ela é honesta, amável e elegante ao mesmo tempo. Ela me tocou de alguma maneira ou de outra.
MILKSHAKE
Pelados com a mão no bolso
Desde que o prefeito Giuliani começou a guerra contra os bares de striptease em Nova York, a cidade não via tanta gente sem roupa num mesmo lugar. O cenário foi a Sétima Avenida, em plena Times Square. Eram 5h45 da manhã de domingo, quando 150 homens e mulheres ficaram nuzinhos para ser clicados por Spencer Tunick, 32. Ele é um artista que não faz fotos tradicionais. Usa centenas de pessoas nuas para seu trabalho abstrato em espaços públicos. Já fez isso em Los Angeles, Paris, Londres e até em Jerusalém. Aqui na Big Apple, depois de tirar suas fotos, acabou indo para cadeia. Mas já está acostumado. Tudo pela arte.
Por Aqui & Por Aí
E agora para terminar. Ainda na guerra do sexo, a revista alternativa Pop Smear, resolveu investir pesado contra o prefeito. Lançou Its Giuliani Time, uma campanha contra a prefeitura que luta para pôr fim à indústria do sexo em Nova York. A foto é de Abby Gennet e o cartaz em papelão diz que ela vai fazer striptease em troca de comida.
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