Nova York Por Aqui (By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
Nova York Por Aqui
(By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
France Presse
Gwyneth Paltrow com vestido rosa de Ralph Lauren na cerimônia do Oscar: comparada a Grace Kelly, mas também não lembra Barbie?
France Presse
Cate Blanchet: vestido bordado com assinatura de John Galliano emoldurou as costas mais bonitas da noite do Oscar
Steve Lehman/Reprodução
O Dalai Lama abençoa os monges tibetanos em foto de Steve Lehman que está em exposição e também em livro
Steve Lehman/Reprodução
Monges e mulheres jogando pedras numa delegacia de polícia do Tibet, durante protesto em outubro de 87
Steve Lehman/Reprodução
Lhasa, uma das cidades com arquitetura típica do Tibet aos poucos foi perdendo sua identidade, prédios chineses ganharam espaço
Princesa, você
levou nosso Oscar
Assistir à 71ª cerimônia do Oscar num bar em Manhattan, em meio a gringalhada, foi uma experiência e tanto. Quase todos ali conheciam o nosso Central Station e A Vida é Bela. Quase todos, estavam divididos, e todos aplaudiram muito quando Sophia Loren anunciou o nosso filme, assim como aplaudiram quando ela chamou o vencedor, Roberto Benigni.
Estávamos em Nova Angeles, mergulhados num grande telão. Nós orgulhosos de nosso País, e pela primeira vez, podendo dizer aos americanos, que temos sim todos aqueles problemas, que eles viram muito bem através do filme, mas além disso, temos Fernandas, Walters e gente que sabe contar o que somos sem esconder nada.
Quando o Oscar não veio para a gente, um grupinho que estava ao lado, fez questão de nos cumprimentar e nos consolar, dizendo que a estatueta não era tudo, e que o filme cumpriu com seu dever de mostrar uma realidade crua, capaz de sensibilizar todos os cantos do planeta para os problemas do terceiro mundo. Que problemas amiguinhos do Tio Sam? Generosos eles.
Oscar
apaixonado
Shakespeare ficaria ainda mais criativo se visse Gwyneth Paltrow, 25 aninhos, naquele vestido Ralph Lauren rosa. Um dos jornalistas responsáveis pelo que vai sair na Revista People, a bíblia do tititi dos astros e estrelas, vai dizer que ela estava soft, romântica e parecendo Gracy Kelly. Isso antes da recaída na hora do discurso. Depois só Deus sabe.
Mas o que era aquele cavalo do Val Kilmer? Esse sim parecia o italiano Roberto Benigni. Não parava um segundo para o moço falar para gente o que ele decorou.
Monica Lewinsky não levou nenhum Oscar, mas foi à festa da Vanity Fair toda de viúva negra. Contam as más línguas que ela fazia questão de estender a mão para todo mundo, até para os garçons de Hollywood, acostumados com as celebridades. A menina agora vai se soltar.
As costas mais bonitas do Oscar deste ano ficaram por conta da atriz australiana do filme Elizabeth, Cate Blanchet. Num vestido de John Galliano, ela levava um beija-flor e muitas flores penduradas num tecido transparente.
A celebridade que pior se vestiu na noite do Oscar, segundos os especialistas, foi Celine Dion. Antes de ir para o palco cantar, ela usou um casaco com abertura para as costas, e uma calça assinada por John Galliano para a legendária casa de Christian Dior. Coitada, virou alvo dos especialistas de moda de Hollywood. Dizem que nesse modelito a cantora do tema de Titanic afundou de vez. Exagerados. Metade da festa então deveria afundar junto.
Para quem os
americanos
votariam?
A AOL - América Online, maior provedora de Internet, com mais de 12 milhões de usuários americanos - fez uma pesquisa, durante a entrega do Oscar. Ela queria saber qual era a preferência dos que estavam acompanhando a festa.
Melhor Filme
Estrangeiro
O filme italiano A Vida é Bela, foi escolhido por 64% dos eleitores que votaram via Internet, como o melhor filme estrangeiro. Central do Brasil ficou em segundo lugar na preferência, com 18,17%. Quase 16 mil americanos votaram nesta categoria.
Melhor Ator
Mais de 55 mil americanos escolherem pela AOL o Melhor Ator. Tom Hanks recebeu 38,8% dos votos, e logo em seguida, com uma diferença muito pequena veio Roberto Benigni com 34,7%. Só que para os membros da academia o italiano foi o melhor ator deste ano.
Melhor Atriz
Quase 54% dos 55.377 eleitores acharam que Gwyneth Paltrow, de Shakespeare in Love, foi a melhor atriz. 20,3% preferiram Cate Blanchet de Elizabeth. Meryl Street ficou com 16,3% da preferência do eleitorado, e Fernanda Montenegro com 6,2%. Emily Watson ficou em último com 2,5%.
Melhor diretor
Dos 36.250 votos computados nesta categoria, até a segunda-feira, um dia depois da entrega do prêmio, Steven Spielberg tinha recebido 46,3% da preferência e o italiano Roberto Benigni 31,9%.
Melhor Filme
Quase 100 mil internautas fizeram questão de votar para o Melhor Filme, e escolheram, com 60,15%, Saving Private Ryan. Shakespeare in Love, que levou a estatueta, ficou em segundo na opinião dos internautas, com 19,5%. Uma grande diferença. Life is Beautiful em terceiro com 12%, e depois Elizabeth com 4,9%.
Whoopi e sua melhor performance
Durante a entrega do Oscar, longa e chata, foram mais de 4 horas, Whoopi Goldberg comandou o show e teve momentos memoráveis. Para 6.207 americanos que votaram neste item, 56% acharam que o melhor dela foi quando a apresentadora apareceu vestida de Rainha Elizabeth II, e 12%, acharam que a grande sacada da atriz foi quando ela agradeceu aos músicos da orquestra porque eles estavam rindo. Se até a orquestra riu é porque eu estou me saindo bem, diz ela.
Celine Dion: parando de vez?
A Rede de televisão ABC, que transmitiu ao vivo o Oscar para os Estados Unidos, mostrou antes da festa o programa Barbara Walters Especial, a primeira jornalista a entrevistar Monica Lewinsky, semanas atrás.
Desta vez, Barbara conversou com Celine Dion, 31 anos, casada com Rene Angelil, o empresário que descobriu o talento da moça. Ele tem 26 anos a mais do que a cantora e três filhos dos últimos casamentos na bagagem.
A colecionadora de sapatos, ela tem quase mil pares, revelou que teve uma infância pobre. Era de uma família de 14 pessoas, e numa cama tinham que dormir em 4 ou 5 irmãos.
Nesta nova fase da vida de Celine, ela diz que quer parar de cantar, ter um filho, jogar golfe e fazer o que gosta. Nem motorista particular a estrela quer mais. Prefiro pegar minha medalha de ouro agora aos 31 anos. Eu amo o meu trabalho mas quero ter uma vida normal, avisou. O show, para encerrar a carreira da cantora, pode acontecer no último dia deste milênio.
Milkshake
Feira do Sexo
A Sexexpo, que acontece em abril no Javitz Center, está dando o que falar. De um lado a Igreja, dizendo que não há necessidade de fazer uma feira de produtos deste tipo, do outro, os organizadores que se defendem dizendo que não terão modelos nus fazendo demonstrações. Em meio ao bate-boca o prefeito conservador, Rudolph Giuliani, não falou nada por enquanto. Acontece que nessa batalha está um detalhe importante para a cidade: impostos, impostos, impostos.
MoMA vai à Rússia
Pela primeira vez os russos vão poder ver de perto um pouco da arte americana do pós-guerra. O Museu de Arte Moderna de Nova York já está empacotando três pinturas abstratas expressionistas de sua coleção permanente. As obras White Forms de Franz Kline, Elegy to the Spanish Republic de Robert Motherwell e Tree in Naples de Willem de Kooning vão parar nas paredes do Hermitage Museum em São Petersburgo ainda neste primeiro semestre do ano. Long Trip.
Fotojornalismo
Tibet em fotos
Um bonito mas intrigante retrato do Tibet está em exposição no Newseum até 5 de junho. O esplendor e as ruínas que marcam esta região podem ser vistos através das lentes do premiado fotógrafo Steve Lehman, 35 anos. As fotos revelam a beleza da cultura tibetana em torno dos conflitos políticos na terra do Dalai Lama. Mostra um povo ansioso em manter suas tradição na luta pela independência e contra a repressão chinesa.
Para mostrar as transformações do Tibet, com minas de urânio, templos demolidos e delegacias de polícia queimadas, Steve cruzou as montanhas e morou lá por dois anos, além de visitar a região por 5 vezes nesta década.
O fotógrafo flagrou momentos históricos como monges e mulheres jogando pedras numa delegacia de polícia chinesa durante um protesto em outubro de 1987. O protesto se tornou violento quando cerca de 30 monges do monastério de Sera, durante uma manifestação pacífica, foram presos e agredidos em público com cintos e pás. A população se revoltou exigindo a libertação dos monges.
Steve também acompanhou a destruição dos prédios tibetanos para a construção de casas chinesas. Lhasa, uma das cidades mais importantes do Tibet, aos poucos vai perdendo sua identidade arquitetônica. Ela está sendo demolida, dando lugar a prédios utilitários chineses. Nos últimos 10 anos, 2/3 da cidade velha de Lhasa já foram destruídos.
Tibetanos: a luta pela sobrevivência
As melhores fotos de Steve Lehman sobre o Tibet Contemporâneo foram reunidas em The Tibetans: A Struggle to Survive. O livro é um grande documento sobre a cultura da região e os acontecimentos dos últimos anos. Muitas das fotos são inéditas e outras já foram capa das revistas Newsweek, National Geographic, Time e jornais como The Washington Post e New York Times. (Newseum - 580 da Madison Avenue, entre a 56th e 57th Streets).
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