Nova York Por Aqui (By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
Nova York Por Aqui(By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich)
The Metropolitan Museum of Art
Jupter, Mercury, and Virtue, 1523-24 - óleo sobre tela - Dosso Dossi
Picasso Guggenheim Museum
Pescaria Noturna em Antibes - óleo sobre tela - 1939 Pablo
Relógio na Quinta Avenida
Uma briga de milhões
Los Angeles, Nova York, Los Angeles. Ano que vem, quem sabe, New York again. A briga pela cidade sede do Grammy parece infantil, um bate-boca de crianças, mas tem seu lado sério. O principal prêmio da música americana movimenta quase US$ 40 milhões em impostos e atividades econômicas.
A Capital do Mundo trouxe a festa para cá, depois de muito esforço, mas no ano passado, por causa de um desentendimento entre os organizadores e a equipe do prefeito Rudy Giuliani, o Grammy sumiu da cidade.
Tudo foi por água abaixo, quando o prefeito, que tinha sido convidado para anunciar os indicados para o prêmio de 98, foi deixado de lado e substituído na última hora por uma outra pessoa. Inconformada com a decisão da produção do Grammy, uma das funcionárias de Giuliani foi defendê-lo.
No meio do tititi, o presidente da National Academy of Recording Arts and Sciences, Michael Greene, teria gritado com a funcionária. O prefeito se zangou e disse que não iria participar da entrega do prêmio.
Greene, negou ter ofendido a lady, e mandou flores como pedido de desculpas. Ela mandou tudo de volta. Disse que preferia a verdade do que as cheirosas rosas. Resultado: o Grammy foi parar em Los Angeles. Há quem diga que não por muito tempo. A poeira já baixou entre os brigões, e quem sabe para o próximo milênio o brilho do espetáculo volte para a Big Apple.
Madonna e o Grammy 99
Indicada para concorrer a cinco Grammys, Madonna deu a entender que não está nem aí para o resultado de hoje à noite, quando o principal prêmio da indústria fonográfica norte-americana vai ser entregue em Los Angeles. Acontece que a cantora até agora nunca tinha recebido uma indicação importante, ou levado para casa um deles.
Eu apenas tive que esperar 16 anos, avisou ela no meio de uma entrevista especial para o jornal Daily News. E ainda arrematou: o Grammy não é nenhum negócio como o Oscar, que quando alguém ganha os produtores de Hollywood correm atrás e oferecem mais trabalhos para os atores. Não importa o resultado, eu vou gravando meus discos anyway.
The Best of Madonna
Ray of light, indicado para concorrer ao melhor álbum, se tornou o trabalho mais admirado pela crítica nesses 16 anos de carreira da quarentona. O álbum também é o mais vendido desde Like a Prayer de 1989.
A cantora, que fará o show de abertura da cerimônia em Los Angeles, confessou que não usava a voz adequadamente antes deste trabalho. Por causa do filme Evita, ela teve que estudar notas altas nunca tentadas antes. Até o professor de canto se espantou: meu Deus, você tem voz, disse ele. Madonna concorre ainda ao prêmio de melhor cantora também por Ray of light.
Mulheres fazem o show
Madonna acha que a principal concorrente dela neste 41º Grammy é a cantora negra Lauryn Hill, em quem ela votaria caso não estivesse no páreo. As mulheres estão com tudo nesta festa que vai entregar 92 prêmios. Elas dominam as principais categorias e as múltiplas indicações. Lauryn Hill, de 23 anos, lidera com 10 indicações, Shania Twain e Sheryl Crow, com seis cada uma, Madonna 5, e Celine Dion e Brandy, 4 cada.
Brasil x Cabo Verde
Quanta live, a edição americana do álbum Quanta gente veio ver, de Gilberto Gil, concorre na categoria World Music. Gil tem uma adversária de peso. A cantora de Cabo Verde, Cesária Évora, com o álbum Miss Perfumado. A cabo-verdiana costuma fazer turnês todos os anos pelos Estados Unidos e é aclamada pela crítica americana.
Grammy Latino
O porto-riquenho Ricky Martin, com a música Vuelve vai se apresentar ao vivo na festa do Grammy deste ano. Ele está concorrendo ao prêmio Latin Pop Performance com Enrique Iglesias e a música Cosas del Amor. Mas é em 2001 que os latinos vão ter um lugar de destaque. Está para ser lançado o Latin Grammy Awards, que vai premiar os melhores da América Latina. Este mercado, nos últimos anos, foi o único que se mostrou forte e crescente. A indústria fonográfica concorda que será a chance de outros bons artistas latinos aparecerem para o mundo. Ela diz que o Grammy Americano não tem espaço suficiente para tantos talentos.
Metropolitan Museum
Dosso Dossi
A obra de uma das principais figuras da arte renascentista, do fim do século 15 e começo do 16, está em exibição na Big Apple. É Dosso Dossi (1486/1542), um dos mais originais e criativos pintores da corte de Ferrara, na Itália.
O artista passou toda sua carreira ligado a corte da Família do Este. Serviu sucessivamente os Duques Alfonso I e o filho Ercole II. A corte do Este foi um dos mais significativos centros de pintura da Itália do século 15.
Cheio de humor e fantasia, os primeiros trabalhos de Dossi seguiram a mesma tradição poética e pastoral de Giorgione, considerado por ele o maior pintor de paisagens do norte da Itália. Mas a monumentalidade das figuras e a ambição espacial da estrutura de Raphael e Michelangelo, de Roma, também influenciaram o artista.
A exibição, que vai até 28 de março, inclui 60 trabalhos, cuidadosamente escolhidos, que melhor refletem a riqueza e a qualidade das realizações de Dosso Dossi. Estas obras não são vistas juntas desde o fim do domínio da corte do Este, no final do século 16, quando os tesouros artísticos da corte de Ferrara foram dispersos.
(The Metropolitan Museum of Art - 1000 Fifth Avenue - 82nd Street).
Guggenheim Museum
Picasso e os
anos da guerra
A guerra traz transformações para a vida de todos. Pablo Picasso (1881-1973), um dos mais famosos artistas do século 20, não escapou da influência dela. O mestre espanhol, conhecido pelas suas inovações no cubismo e sua marca indelével no curso da arte moderna, também teve seu trabalho afetado pelos acontecimentos terríveis do mundo.
Ele mesmo disse a um jornalista, em 1944, logo depois da liberação da França: Eu não pintei a guerra porque não sou desses pintores que, como um fotógrafo, vão atrás de algo para retratar. Mas eu não tenho a menor dúvida de que a guerra está nas pinturas que tenho feito.
Picasso usou uma linguagem pessoal e cheia de símbolos para mostrar seus sentimentos diante das atrocidades. A exposição Picasso and the War Years, 1937-1945, no Guggenheim Museum até 9 de maio, mostra justamente essa visão do artista sobre a guerra. São 80 obras entre pinturas, esculturas, impressões e desenhos.
A história vista
por Picasso
Guernica, de 1937, lembrando o bombardeio de civis, numa pequena cidade basca da Espanha, e The Charnel House, 1945, sintetizando o horror dos campos de concentração, são os marcos do trabalho de Picasso nessa era apocalíptica. A figura feminina - uma constante nas obras do artista - sentada, às vezes chorando, e quase sempre sozinha, representa a esposa, a amante, a máquina de sofrimento, como em A Suplicante, de 1937.
Na exposição há ainda trabalhos de interpretação dúbia como a tela A Pescaria Noturna em Antibes, de 1939. Ela pode ser vista como uma cena inocente durante um passeio pelo porto, ou uma visão apocalíptica, antecipando o ataque repentino que estaria para acontecer na Europa. Natureza Morta com Palheta, Castiçal e Cabeça de Minotauro, de 1938, que trata simbolicamente da vida, morte, artes e civilização ao mesmo tempo, é outra atração da mostra.
(Solomon R. Guggenheim Museum - 1071 Fifth Avenue - 88th Street)
Por Aqui & Por Aí
Malas Prontas?
Nós ainda não mudamos os ponteiros dos relógios daqui, mas depois que vocês adiantaram os ponteiros daí, no sábado passado, nossa diferença de horário passou a ser de apenas 2 horas. Vocês, como sempre, continuam na frente.
E o frio? Não assusta. Nova York, este ano, não tem cara de inverno. Apesar do friozinho, menos de zero grau, não é nada que os paranaenses da gema não consigam tirar de letra. Até parece que estamos no Sul do Brasil.
Se você pensava em curtir uma neve, se danou. Neste winter ela está tímida, só aparece de vez em quando e é muito fraquinha. No domingo deu o ar da graça, mas tudo foi muito rápido. Quem quer ver a branquinha pintar a cidade, vai ter de ir para algum outro estado americano, de preferência, mais para o norte.
See you. Bye [email protected]





