NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Reprodução

Curitiba e seu ‘‘ligeirinho’’ no New York Times

Gilberto Smaniotto

A Rua 46 em Nova York, comemorando a Independência

Gilberto Smaniotto

Camisas muito brasileiras. Ai, saudade da terrinha

Gilberto Smaniotto

Brasileiros na disputa de uma coxinha, pastel, empada...

Gilberto Smaniotto

A cantora Joana com a bandeira do Brasil: orgulho verde-amarelo

Gilberto Smaniotto

O engraxate Murilo di Vangô mostra seu CD: 10 anos de trabalho duro




Curitiba é modelo
para Nova York
A sugestão é do New York Times desse domingo, 6 de setembro. O jornal fez um estudo e chegou à conclusão que Nova York poderia ficar bem melhor se copiasse de outros lugares algumas idéias consideradas eficientes. Foram mostradas 12 sugestões. Nove delas vêm de cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles, Chicago, São Francisco e Cambridge. Uma vem de Londres e outra de Curitiba.
Rápido o
suficiente
O ‘‘ligeirinho’’ da capital do Paraná é apontado como um dos mais eficazes do mundo. Com o título ‘‘Parece com um ônibus mas funciona como metrô’’, a reportagem sugere para o Department of Transportation of New York trazer a idéia para a Big Apple, onde o rápido nunca é rápido o suficiente.
O New York Times deu detalhes de como funciona o sistema de cilindros e contou que os ônibus futurísticos transportam 2,3 milhões de curitibanos todos os dias. O jornal ilustra a reportagem com fotos e diz que trazer o ‘‘ligeirinho’’ seria um boom para Nova York, pela rapidez, baixo uso de combustível e baixo índice de poluição. Chama aatenção pela facilidade de acesso para os deficientes físicos, tanto na hora de entrar como sair dos ônibus, e para o desenho dos cilindros horizontais que dão proteção em dias de tempo ruim. E tempo ruim é o que não falta no inverno nova-iorquino.
Imigrantes fazem
a Festa da
Independência
Eram apenas duas da tarde desse domingo, quando a gerente Regina da Silva O’Connor, do restaurante Empório Brazil, da Rua 46, avisava: ‘‘Não tem mais feijão tropeiro. Já se foram 500 pratos.’’ A fila de brasileiros e americanos para entrar no restaurante era enorme. Ainda sobrava frango com catupiri.
Nesta festa para comemorar a independência, vieram ‘‘brazucas’’ de todos os cantos dos Estados Unidos. Queriam matar a saudade da feijoada, do pão de queijo, do pastel, coxinha, croquete e empadinha. Só numa barraca foram vendidos 6 mil salgadinhos. Era uma via-sacra de gente querendo dar uma mordida. Pedro, Paulo, Maria, todos chegaram com o estômago a mil. Um estômago já acostumado com a invasão de hambúrgeres e batatas fritas, típicos da cozinha do Tio Sam.
Saudade da terrinha
Nas barracas armadas em toda a extensão da Little Brazil, filas enormes para disputar uma caipirinha, um guaraná, um vatapá. Também pudera, não é sempre que os mais de 600 mil brasileiros que vivem nos Estados Unidos têm comida típica da terrinha. Ainda mais num encontro como este, de conterrâneos que deixaram o Brasil tentando uma vida melhor na América. Milhares de pessoas passaram pela 46 neste domingo. Já é o 14º ano que a rua é enfeitada com bandeiras brasileiras e americanas para festejar o dia da Independência do Brasil.
Big party
Nada de desfile de estudantes, bandas ou militares. Festa de 7 de setembro por aqui é bem diferente. Só para desfilar, ou melhor, caminhar da Broadway até a Quinta Avenida às 3 horas da tarde, gastava-se em média 50 minutos. O mesmo trajeto, num dia normal, pode ser feito em apenas sete.
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No palco armado na Madison Avenue era a vez de Joana cantar para os brasileiros. Mais tarde veio o grupo baiano Asa de Águia. O ator José Wilker e o roqueiro Supla também estavam lá.
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Inferno era passar pelas barracas e tentar comprar alguma coisa. De um lado filas, do outro mais filas. A multidão participava de rodas de samba, capoeira e pagode. Até aquele negócio de segura o tchan rolou na festa. Garotas requebravam imitando o concurso do Domingão do Faustão.
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Caíram como luva as camisetas para os brasileiros que vivem no dilema ficar ou voltar. ‘‘Êta saudade’’, ‘‘Um dia eu volto’’, ‘‘O que ainda eu estou fazendo por aqui?’’, eram mensagens saudosistas para quem vive na corda bamba.
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Os colombianos, peruanos e mexicanos não são bobos. Aproveitaram a onda para mostrar sua música e seus costumes. A festa do Brasil virou internacional. Havia representantes de toda América Latina. Um Deus nos acuda musical.
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Agências de viagem ofereciam pacotes turísticos para a terra encantada. Até a LBV estava lá arrecadando fundos para os carentes da região. Era a ocasião perfeita para pôr a criatividade em prática e fazer uma graninha extra.


Da graxa ao CD
O engraxate carioca Murilo Di Vangô, 49 anos, foi para a festa vender seu CD. Quando chegou em Nova York, dez anos atrás, Murilo só trazia US$ 100 no bolso, poucas roupas na mala e muita esperança no coração. Ele, como tantos outros seguindo a trilha dos sonhos, veio atrás de uma vida melhor.
Foi engraxando sapatos na capital do mundo que Murilo conseguiu guardar dinheiro para comprar um apartamento no Rio de Janeiro e ainda gravar um CD com músicas de sua própria autoria. Foi uma homenagem à Seleção Brasileira. Pena que a Seleção não foi penta. Isso atrapalhou muito os negócios.
Murilo fez mil cópias que custaram US$ 8 mil. Mas desânimo não é com ele. Com sua ginga carioca vai tentando vender para os amigos e para quem nunca viu. ‘‘Trabalhei duro para realizar este sonho. Foram mais de 10 anos engraxando sapatos 10 horas por dia, mas valeu.’’
Nem o prefeito
deixou de aparecer
Se o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, se candidatasse ao governo de algum Estado brasileiro, já estaria eleito só pelos votos dos imigrantes nos Estados Unidos. Ele não perde uma festa. Nem mesmo num domingo turbulento. É que no sábado, durante uma passeata de 6 mil jovens negros no Harlem, houve um confronto com mais de 3 mil policiais - quase um para cada dois participantes. O bairro negro virou campo de batalha. Latas, garrafas, cadeiras e quinquilharias voaram para todos os lados. Cerca de 20 policiais ficaram feridos.
O prefeito, na sua passada rápida pela festa, foi aclamado pelos brasileiros. A apresentadora do evento, Teresinha Sodré, não disfarçou. Parecia uma adolescente deslumbrada, tiete de carteirinha.
Giuliani disse que se sentia feliz em comemorar o dia da Independência do Brasil. E ele tinha que estar feliz mesmo. Não é de hoje que os turistas brasileiros invadiram Nova York. Eles consomem de tudo. Nas compras só ficam atrás dos turistas japoneses por US$ 1.
Uma rua chamada Brasil
A notícia não é mais novidade. A escola de Samba Império Serrano vai para Sapucaí mostrando ‘‘Uma Rua Chamada Brasil’’. É uma homenagem aos brasileiros que moram aqui.
O carnavalesco Mário Borriello aproveitou o encontro para convidar o prefeito para desfilar na escola. Giuliani ainda não deu resposta, mas mais de 200 brasileiros da terra do Tio Sam já confirmaram presença. Vão voar para o Rio em fevereiro. Tudo para que o enredo fique mais autêntico.
ANOTE NA AGENDA
New York City Opera
Do dia 10 deste mês até 22 de novembro, o New York City Opera no Lincoln Center estará a todo vapor. Entre os espetáculos, ‘‘Tosca’’ de Verdi, ‘‘Carmina Burana’’ de Orff e o ‘‘Barbeiro de Sevilha’’ de Rossini. (Os preços variam de US$ 20 a US$ 80. Fone: 212 - 870 5570. O Lincoln Center fica na 63rd Street com Columbus Avenue).
Plácido Domingo
Plácido Domingo abre a temporada de ópera do Metropolitan Opera, no dia 28. Na noite de Gala tem Sansão e Dalila. Vai ser uma festa em homenagem ao tenor pelos seus 30 anos de sucesso. Com ele estará se apresentando a meio-soprano Olga Borodina. Os tickets já estão à venda. O preço? De US$ 250 até US$ 850. (O Metropolitan Opera também fica no Lincoln Center e o telefone é 212-362 6000).
Mercedes Sosa
A cantora argentina Mercedes Sosa passa em outubro por Nova York para mostrar o seu mais recente CD, ‘‘Al Despertar’’. Com 22 quilos a menos, Mercedes se recupera de uma depressão que acabou afastando-a dos palcos. Ela ficou cinco meses de cama sem poder andar. (Mercedes Sosa in Concert - 10 de outubro no Avery Fisher Hall do Lincoln Center. Box Office 212 875 5030. Center Charge 212 721 6500).
Virgin Megastore
Passar por Nova York sem passar pela Virgin não vale. Primeiro apareceu uma em plena Times Square. Gigantesca. Agora tem outra na Rua 14 com a Broadway (Union Square). São dois andares com tudo o que rola no mundo da música e vídeo. O bom desta nova loja é que não precisa ficar esperando para ouvir os CDs. Tem fone de ouvido de sobra.




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