Nova York Por AquiBy Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich




Gilberto Smaniotto

Paranaenses André Moreno e Paulo Medeiros na Ronda da Caridade

Gilberto Smaniotto

The Thinker, 1880, de Auguste Rodin

Gilberto Smaniotto

The Three Shades, 1881-86, de Auguste Rodin

(Divulgação Brooklyn Museum)

Bedouins, circa (1905-06), de John Singer Sargent

Brooklyn Museum/Divulgação

Fresh Air (1878), de Winslow Homer

Solomon R. Guggenheim Museum/Divulgação

Harley-Davidson
- Estados
Unidos, 1969 -
(1993 - réplica)

Solomon R. Guggenheim Museum/Divulgação

Megola
Sport - Alemanha,
1922



Paranaenses
ajudam os homeless
de Nova York
A maioria não quer nem saber de fotos. Deitados nas portas das igrejas de Manhattan eles consideram o flash uma invasão de privacidade. Alguns homeless (sem-teto) se alteram, ficam nervosos e falam com ar de doutores sobre os direitos do cidadão americano. Outros são violentos. ‘‘This is America, man. You can’t take any picture’’, grita um mendigo bem vestido, capaz de dar inveja a qualquer cidadão comum.
Toda semana essas pessoas recebem a visita dos paranaenses Paulo Medeiros, 28 anos, e André Moreno, 24, que fazem parte da Legião da Boa Vontade nos Estados Unidos. O pequeno grupo da LBV, nove pessoas, tem parada obrigatória na Quinta Avenida e na Madison, endereços chiques da cidade. Americanos e imigrantes sem casa para morar adotaram as portas de lojas e igrejas como sendo suas. Só à noite, porque durante o dia, eles desaparecem pelo mundo afora.
Numa igreja da famosa Fifth Avenue, um dos endereços mais caros do planeta, em frente à loja da Disney, os paranaenses e seus colegas oferecem sopa, pão, suco e roupas para os homeless. Era sexta-feira, 11 horas da noite, e a turminha da rua estava esperando pela visita. Eles sabem que o grupo não falha. Paulo é de Maringá e mora em Nova York há seis meses. André nasceu em Cianorte e vive na Big Apple há um ano.
‘‘Eu nasci na LBV. Meus pais sempre fizeram parte da Legião. Já trabalhei no Uruguai, Bolívia, Paraguai e Argentina’’, disse André, antes de partir para as ruas na ‘‘Ronda da Caridade’’, como é chamada a via sacra. ‘‘Cada país tem seus pobres, sua gente abandonada. Os americanos também têm os seus. Eles podem ser menos carentes de alimentos e vestuário, mas são muito mais carentes na parte espiritual. Por isso, muitos que vivem nas ruas, estão ali porque querem estar’’, explica.
Paulo conta que não é fácil conquistar a confiança destas pessoas. Muitos levam meses até aceitar a primeira sopa. ‘‘Sempre é uma surpresa. Você não sabe quem vai encontrar pela frente. Temos que ter muito cuidado, mas eu me sinto realizado fazendo isso. Acho que ajudando os outros, não importa onde, as coisas podem mudar’’, completa.
A LBV atua em Nova York desde 1986 e recebe ajuda de mais de 5 mil voluntários dos Estados Unidos. Neste final de semana inaugurou sua nova sede. Fica no 383 da Quinta Avenida, pertinho do Empire State Building. (Fone: 212 481 1004)
ANOTE NA AGENDA
Rodin nos
jardins do
Rockefeller Center
O Rockefeller Center, na Quinta Avenida com a 50th Street, muda a decoração conforme a estação. Pela primeira vez na história, o jardim, entre os enormes prédios, recebe uma exposição das obras do mestre francês Auguste Rodin (1840-1917). São oito esculturas, incluindo ‘‘The Thinker’’, de 1880, e ‘‘The Three Shades’’ de, 1881-86.
Ao contrário do Brasil, onde as filas davam voltas nos quarteirões da Pinacoteca do Estado de São Paulo e a segurança era de dar inveja ao Presidente Clinton em visita à China, aqui tem gente que passa a mão nas obras, não acreditando que elas estão ali, ao ar livre, numa combinação perfeita entre arbustos e arranha-céus. Tem aqueles que passam horas contemplando as obras e muitos fazem a mesma pergunta. São verdadeiras?
Todas as esculturas, que vão ficar ali até dia 31 de agosto, fazem parte do acervo da Fundação Iris e B. Gerald Cantor. Ela tem 75 anos e ele morreu em 1996, aos 79 anos. Juntos eles conseguiram reunir mais de 750 esculturas e desenhos do artista, numa coleção considerada a maior do mundo. Com o passar do tempo, o casal foi doando as obras para museus de vários países. Iris contou que o sonho do marido era dividir a beleza do trabalho de Rodin com o mundo todo.
Aquarelas no Brooklyn
O Museu de Arte do Brooklyn fica mais longe, e talvez por isso tenha menos movimento que os museus de Manhattan. Os frequentadores também são diferentes. Nada de jovens turistas com sede de ver o mundo em três horas. A maioria dos visitantes tem mais idade e menos pressa. Mas se você é daqueles que realmente curtem arte, a distância não vai impedi-lo de aparecer por lá.
Entre as exposições deste mês está ‘‘Masters of Color and Light: Homer, Sargent, and the American Watercolor Movement’’. As aquarelas são trabalhos delicados e extremamente sensíveis a luz. Por isso, muitas destas obras não são mostradas ao público há décadas. O museu possui uma coleção permanente de 800 trabalhos, mas somente 141 fazem parte da mostra.
A exposição está em ordem cronológica, apresentando dois séculos dos mestres da cor e da luz, entre eles: Thomas Sully (1783-1872), Winslow Homer (1836-1910), Thomas Eakins (1844-1916), e John Singer Sargent (1856-1925). (Masters of Color and Light, Brooklyn Museum of Art, 200 Eastern Parkway, fone: 718 638 5000, até 23 de agosto, US$ 4).


A arte da motocicleta
As duas rodas sempre estiveram presentes em nossas vidas, através da famosa bicicleta da infância ou mais tarde da poderosa moto. Mas como surgiu a primeira motocicleta? Como elas foram mudando com o tempo? As respostas estão na ‘‘The Art of The Motorcycle’’, no Guggenheim Museum. O conhecido prédio, em forma de aspiral, mostra a evolução dessas máquinas dentro de um contexto histórico e cultural.
Da primeira bicicleta com motor a vapor, criada pelo francês Michaux Perreaux, em 1868, até as moderníssimas motos de hoje, que quase voam, balanceadas por computador. São 130 anos de história e mais de 100 modelos, como uma réplica da Harley Davidson do filme ‘‘Sem Destino’’, um cult da geração paz e amor. As originais usadas pelos atores Dennis Hopper e Peter Fonda não existem mais. Uma foi roubada um dia antes da estréia do filme, em 1969, e a outra foi destruída durante as gravações.
Os anos 90, final de século e milênio, ganharam uma sala especial, toda escura. Iluminadas como astros, lá estão a Aprilla 6.5, a MV Agusta F4, capaz de atingir a velocidade de 275 km/h, e ainda a Ducatti M900, a preferida do piloto Airton Senna.
De quebra tem filmes sobre motocicletas e debates com quem curte duas rodas. O ator e diretor Dennis Hopper é um dos convidados especiais. (Solomon R. Guggenheim Museum, 1071 Fifth Avenue, na altura da 89th Street, fone: 212 423 3500, até 20 de setembro, US$ 12).
Texas Texas
Os americanos são loucos por barbecue, carne assada, do jeito deles, é claro. No lugar do nosso churrasco, fazem a festa com esse prato. O carro chefe são as costeletas, ribs, de porco ou de gado. Nas comemorações americanas, como no dia 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos, é sagrado assistir à queima de fogos de artifício saboreando um barbecue, com os amigos, of course.
No coração de Nova York, em Times Square, fica o Texas Texas, um bom exemplo da cozinha americana. Lá você encontra barbecue com batatas cozidas. A rede de restaurante, inspirada também na culinária sulista, mistura ainda um bom creme de espinafre e feijão frito para dar mais água na boca. O preço médio por pessoa fica por volta de US$ 30, incluindo a sobremesa. (1600 da Broadway com a 48th Street. Fone: 212 956 0427).
MILKSHAKE
Princesa Madonna
Madonna está gravando um novo clipe na Europa. Desta vez, num hotel de Londres, imitando a cena real dos últimos momentos de vida da Princesa Diana, filmada pelas câmeras de segurança do Hotel Ritz em Paris. Será um mix de imagens da cantora e da princesa. Segundo jornais londrinos, Madonna deve usar o aniversário da morte de Diana para lançar ‘‘Substitute for Love’’. E neste final de semana a cantora foi vista dando um role por Manhattan com a pequena, nem tão pequena assim, Lourdes. Mamãe Madonna fez questão de mostrar as comemorações de quatro de julho para a filhona.
Criminalidade em queda
Desde 1992 o índice de criminalidade vem caindo em Nova York. Nestes seis primeiros meses do ano, o número de homicídios diminuiu 24% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O número de roubos e arrombamentos também foi reduzido em 10%. A receita do prefeito Giuliani é mais policiamento nas ruas. O que Nova York não conseguiu diminuir ainda foi o número de estupros. Nos primeiros seis meses cresceu 0,6%.
Bodyguard
Para melhorar ainda mais os vencimentos dos policiais, a prefeitura tem um programa especial onde os cidadãos comuns, que precisam de segurança em eventos privados, podem ter um policial do seu lado. O custo? Quase US$ 30 a hora. Mas eles vão preparados até com colete à prova de bala. Cerca de 12 mil policiais já estão na lista da prefeitura para qualquer chamado dos nova-iorquinos. É um trabalho extra superespecial.
Companhia de dança
de Maringá leva
prêmio na Big Apple
O Ballet Regina Mundi, de Maringá, impressionou público e jurados no New York Alliance Festival neste fim de semana, no teatro do hotel de luxo Waldorf Astória. ‘‘Nós vencemos pela diversidade. Nosso estilo é diferente. Dançamos tango, música espanhola, balé clássico, moderno e contemporâneo’’, explica Roseli El Ghezz, fundadora do grupo.
A Companhia apresentou oito coreografias e todas foram premiadas. Levou dois troféus por categoria: Super Ouro, Ouro, Super Prata e Prata. Mas não ficou só nisso, também levou melhor traje, cenário, coreografia e cabelo. Entre as peças apresentadas estavam Dança Espanhola, Mulheres no Gueto e Sono.
O New York Alliance Festival tem seis anos e até o ano passado somente americanos e canadenses podiam participar. Foi a primeira vez que um grupo brasileiro esteve presente. Eles chegaram até aqui com a ajuda de empresários de Maringá. Congratulations.


POR AQUI & POR AÍ
Você também pode dar dicas de reportagem. Escreva para a gente. Todas as mensagens estão sendo respondidas por e-mail. See you quarta again. Bye, bye.
E mail: [email protected]

mockup