Nova York Por Aqui
NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Gay Parade98
sacode a Big Apple
Gilberto SmaniottoA bandeira gay se agiganta em plena Quinta AvenidaOs americanos lutam duro pelos direitos civis dos homossexuais há mais de 30 anos. Sempre em junho, milhares saem às ruas num desfile que já se tornou uma grande festa. A Quinta Avenida é coberta por uma bandeira com as cores do arco-íris, símbolo do movimento. Domingo passado, o desfile Orgulho Gay parou a cidade. Foram mais de cinco horas. Cerca de 600 mil pessoas. Às 14 horas em ponto fizeram um minuto de silêncio para homenagear as vítimas da Aids.
Gilberto SmaniottoAté o cachorrinho entrou na onda...Gays e simpatizantes desceram Manhattan pela Quinta até a Christopher Street, o ponto G da cidade. Eles foram parar em frente ao Bar Stonewall, o símbolo da resistência. Foi lá que, em 1969, dezenas de gays, lésbicas e travestis, cansados da pressão da polícia nova-iorquina, lutaram com socos, pontapés e fizeram uma guerra com pedras, garrafas e porretes para defender os seus direitos.
Gilberto SmaniottoDrags e travestis desfilam em carro abertoGente de
todas as partes
A cidade coloriu. Eles foram com tudo mostrar quem são e levaram com eles todos os que de uma forma ou outra não se opõem a isso. Entre musculosos e casais abraçadinhos, defendendo o casamento de homossexuais, estava a mãe de um garoto tímido, de 16 anos, desfilando abraçada nele com uma camisa dizendo. Meu filho é gay e eu me orgulho sim. Uma outra ala trouxe cartazes escritos: Nossos filhos são OK do jeito que eles são. Um velho levava no peito a placa Pai orgulhoso. Dos policiais aos bombeiros gays. Das escolas às universidades. Foram todos muito aplaudidos pela platéia.
Gilberto SmaniottoCasal gay defende o casamento homossexualDesfilaram também senadores, deputados e candidatos ao governo do Estado de Nova York. Gays ou não, mas todos de olho nesse oásis de eleitores. Eles foram para as ruas distribuindo panfletos e apertando a mão de todo mundo.
Este ano o número de igrejas participantes também foi maior do que no ano passado. São gays que pertencem a grupos católicos, episcopais, mormons e metodistas. Judeus gays também foram às ruas. Homossexuais da terceira idade com bandeiras diziam: Quanto mais envelheço, melhor eu fico. Um coral Gospel e outro com 200 gays emocionaram a platéia cantando hinos de paz e amor. Até um cachorro desfilou levando uma bandeirinha arco-íris, e ninguém se atreveu a perguntar se ele era apenas simpatizante.
Ritmo
brasileiro faz
a festa gay
Eles eram quase 100, e ao passar pela Quinta Avenida foram formando um grupo ainda maior. Terminaram com festa e com quase 300 pessoas vestindo verde-amarelo. É o maior grupo brasileiro de todos os desfiles gays em Nova York, comemorava Sérgio Santos, um dos diretores do Rainbow Group, um grupo sério que nasceu não só para fazer festas, mas para auxiliar os brasileiros que moram nos Estados Unidos e estão contaminados com o vírus da Aids.
Quase todos os telejornais de Nova York deram destaque para as fantasias brasileiras e para a animação dos brazucas. Sem dúvida, o público que assistia ao desfile pôde sambar com o toque da bateria. Cada um do seu jeito, of course.
O abre alas chocou. Quatro rapazes nus usavam apenas plumas e paetês verdes e amarelos. A Miss Gay América/Brasil, Carlos Mesabarba, escolhida numa festa no ano passado, também entrou na avenida vestindo as cores brasileiras. Teve porta-bandeira e tudo mais. Parecia mesmo um Carnaval.
Protestos
de sempre
O único incidente do desfile desse ano aconteceu na altura da 41st Street. Um grupo de ativistas tentou impedir a participação do prefeito Giuliani, alegando que ele tem ignorado o crescimento da violência contra os gays. Os 17 homens e três mulheres se acorrentaram fazendo uma parede para barrar a passagem do prefeito. Eles foram todos parar na cadeia, mas horas depois voltaram à festa.
Dica de
quem defende
a causa
O ex-marinheiro Flávio Alves, autor do livro Toque de Silêncio - Uma História de Homossexualidade na Marinha do Brasil está pedindo asilo político para o governo Americano, alegando que era perseguido por suas declarações no livro que chocou a Marinha. Agora ele vive em Nova York e deu algumas dicas para o público gay se divertir na cidade.
Onde ir:
Splash Bar/Disco - Vários ambientes com bares e pista de dança - 50 West 17th Street - fone: 691 0073
Julies Bar - Pista de dança para o público feminino - 204 East 58th Street Fone: 688 1294
Townhouse Bar - Piano Bar, três ambientes para o público masculino - 236 East 58th Street. Fone: 754 4649
Onde comer:
Che 2020 - 149 8th Avenue Fone 243 2020
Eighteenth & Eighth - 159 8th Avenue. Fone: 242 5000
East of Eighth - 254 West 23rd Street. Fone: 352 0075
Flávio Alves ainda recomenda o Gay Center para todo tipo de informação, palestras, exposições, e biblioteca. Fica na 208 West 13rd Street - Fone: 620 7310
MILKSHAKE
DiCaprio again
Enquanto o mundo do cinema corre atrás de Leonardo para estrelar novas produções (o último foi o italiano Aurélio Di Laurentis que ofereceu US$ 23 milhões para ele participar de Adeus às Armas, de Ernest Hemingway), tem mais um livro na praça falando do garoto. Desta vez, o escritor Douglas Thompson deixa o astro contar com detalhes a vida dele. Tem entrevistas com a família e particularidades do tempo em que DiCaprio vivia nos guetos de Hollywood. Entre as confissões, ele conta que não era popular na escola, ou melhor, não era uma pessoa de escola e que uma das grandes coisas que ele sabe fazer muito bem é imitar os outros. E sabe quem ele gosta de imitar? Michael Jackson. O garoto também é capa da Playgirl de julho, mas com roupinha, é claro.
Lavando
roupa suja
Desde que o casal Bruce Willis e Demi Moore resolveu informar ao mundo que estava se separando, todos só falam da dupla. Eles estão nos jornais, revistas e programas de TV. Os americanos podem até votar pela Internet, numa pesquisa que tenta descobrir quem perde mais com a separação. Ele, ela, as filhas ou os negócios. Este pode ser o maior ti-ti-ti do final da década. Por que tanto? Tem muito dinheiro em jogo, não é comum dois atores hollywoodianos ficarem juntos tanto tempo ou Bruce se apaixonou por outra mulher, versão mais nova de Demi, como comentam por aí? Quem souber que responda.
E respostas é o que não faltam para a babá das filhas de Bruce e Demi. Apesar de ter assinado um compromisso de que nunca diria nada a respeito da vida pessoal do casal, Kim Tannahill já andou pondo a linguinha para fora. Em fevereiro deste ano, a babá, num processo trabalhista, contou que o casamento dos astros já tinha acabado desde junho de 97 e que por causa disso eles não davam a mínima para as filhas, Rumer Glenn, 9 anos, Scout Larue, 7, Tallulah Belle, 4. Eles, em contrapartida, processaram a empregada por quebrar o acordo.
Os tablóides americanos estão se deliciando com o problema, dando detalhes do temperamento e personalidade dos dois atores da linha de frente de Hollywood. Ele recebe por filme US$ 20 milhões, e ela, em torno de US$ 12. Juntos têm uma fortuna em propriedades e são sócios do Planet Hollywood.
Soccer game
Não sabemos como foi por aí, mas por aqui apareceu mais a loira do Ronaldinho na arquibancada do que a partida de futebol. Pode até ser bonitinha, mas deixar de mostrar a comemoração do gol no campo para mostrar a cara da Ronaldinha, aí já é brincadeira. Até o comentarista da Univision, canal hispânico que também transmite os jogos para os Estados Unidos, se irritou com a atenção dispensada a ela e perguntou: Para quem interessa a Ronaldinha? Alguém respondeu: Talvez para os brasileiros. Para completar, o narrador desabafou: É preocupante onde o nosso futebol vai parar.
Escolhendo
onde parar
O jornal New York Post testou 100 parquímetros em diversos pontos da cidade. São aquelas maquininhas que contam quanto tempo você está estacionado num mesmo local. Elas trabalham com moedas. A intenção era checar se os aparelhinhos estavam funcionando corretamente. Resultado: um em cada quatro parquímetros está passando a mão no bolso dos nova-iorquinos. Chega a lesar o motorista em até 10 minutos, ou pior, por causa do erro podem ser multados em até US$ 55.
Por outro lado a pesquisa descobriu que dos 100 aparelhinhos testados, 46 estão dando tempo a mais. Varia de 20 segundos a 12 minutos. Somente 20 aparelhos estavam funcionando corretamente. O jornal até deu os endereços de onde é melhor estacionar. Do jeito que os nova-iorquinos são pão-duros, vai ter fila nessas vagas. Go ahead, new yorkers .
Nossa pesquisa
E o Nova York por Aqui mandou um recado para o New York Post. Que tal uma pesquisa para saber quantos telefones da cidade engolem moedas? Haja quarters, aquelas de US$ 0,25. Chega a ser insuportável a maratona para encontrar um telefone que não passe a gente para trás. Aguardamos a pesquisa. Enquanto isso, vamos ficar longe dos telefones públicos. Aqui, em cada canto tem um, mas se não funciona não adianta. Falhas de primeiro mundo.
POR AQUI & POR AÍ
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