Nova York Por Aqui
NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Um prefeito
quase artista
O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, 54 anos, não se cansa de impressionar os moradores da Big Apple com suas múltiplas habilidades. Polêmico por seu jeito enérgico e determinado de administrar, Rudy, que não aceita opiniões contrárias as dele, é sem dúvida um sujeito único. O New York Times costuma definir o prefeito como o melhor e o pior de Nova York, combinando seu excepcional talento e implacável energia.
A mais recente peripécia de Giuliani foi montar uma exposição de fotografias, tiradas por ele, é claro, na galeria de arte Leica, no Village. As 23 fotos da mostra, devidamente assinadas pelo novo artista, foram feitas de dentro do helicóptero da polícia, entre 96 e 98. São vistas da cidade com detalhes para as pontes e o perfil da ilha.
Rudy diz que o trabalho é uma prova do amor que ele tem por Nova York e que o dinheiro arrecadado com a venda das fotos, com valor médio de US$ 500, será doado ao New Yorker for Children, uma instituição que cuida de crianças. Cada foto tem edição limitada de 50 cópias. A das Torres Gêmeas ao anoitecer é a mais cara da mostra, custa US$ 950. Não tem nada de especial, mas tem o toque do famoso prefeito.
Giuliani, que também já deu provas de sua capacidade de fazer humor, participando de um programa de TV vestido de mulher, também está escrevendo um livro infantil chamado What will you be? Go ahead Major Giuliani.
Rudy para os íntimos
Rudy nasceu no Brooklyn e é neto de imigrantes italianos. Filho único de família católica, por pouco não foi padre. Harold e Helen, os pais do prefeito, embora muito religiosos, sempre sonharam em ter uma big family e eles tinham esperança de que o jovem Rudy lhes desse muitos netinhos.
O pai de Giuliani era dono de um bar e a mãe, apesar de sonhar em ser professora, virou dona de casa. Ela foi também uma spelling champion - campeã de soletrar palavras em inglês.
Harold, que morreu de câncer há 17 anos, acreditava que a vida era uma série de testes de caráter, amizade e respeito. Para ele, o verdadeiro amigo era aquele que estava ao seu lado chorando nos velórios e funerais, não em festas de aniversários ou casamentos.
Ser médico, advogado, padre, piloto e jornalista eram algumas das opções de carreira de Rudy, que acabou se formando em Direito, em 1967.
Giuliani se casou duas vezes. A primeira, em 1968, com sua prima-segunda, Regina Peruggi. O casamento foi anulado depois de 14 anos de convivência. O motivo? Regina era muito tímida e não gostava de spotlights. A segunda vez, em 1984, com Donna Hanover, assim como ele, também divorciada e sem problemas com o brilho da vida pública.
A primeira candidatura de Rudolph Giuliani para a prefeitura de Nova York foi em 1989. Ele foi derrotado por David Dinkins, o primeiro prefeito negro da cidade. Giuliani foi eleito em 1993 e está agora no segundo mandato.
Na mira dos
políticos brasileiros
Os candidatos brasileiros para as próximas eleições estão de olho na prefeitura de Nova York. Tem fila de políticos esperando a chance de conversar com Giuliani. O ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, já passou pelo gabinete de Rudy. Mas muitos outros nomes estão ainda à espera, como o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz. Eles fazem questão de registrar o encontro para depois mostrar tudo no horário político da TV. Cidade mais limpa, índice de violência caindo rapidamente conquistam votos na certa, e esse é o perfil de Nova York.
ARTE
Violência
com delicadeza
Crimes, estupros e assassinatos. A artista plástica carioca Rosana Palazyan, 35 anos, tem uma maneira muito particular de falar sobre violência. Quando entramos na galeria George Adams, em Midtown, onde Rosana apresentava as obras Bedtime Stories - Pequenas Histórias Para (não) Contar, a sensação era que estávamos no lugar errado. Poderia ser um ambiente negro, depressivo, com fotos ou figuras macabras. Mas pelo contrário, a mostra era leve e iluminada como um quarto de bebê.
Através de elementos delicados, como travesseiros, bonecas de pano e cuequinhas de garotos, com suaves e quase impercebíveis bordados, a artista retrata fatos verdadeiros da violência urbana. São histórias que apareceram estampadas nas primeiras páginas de jornais brasileiros. A aparência frágil das obras não diminui sua capacidade de chocar, pelo contrário, as torna ainda mais devastadoras.
Um pequeno travesseiro rosa mostra a vida de duas meninas que foram raptadas por um lobo com roupas de homem. Elas ficaram presas numa casa, foram violentadas e acabaram morrendo de fome. Um ano depois os corpinhos das meninas foram encontrados enterrados no jardim dos fundos. Isso aconteceu em 1996, no Rio de Janeiro.
Rosana começou a trabalhar com o tema violência em 90, logo depois que o irmão foi morto por um ladrão de carros. A artista diz que não pretende mudar o mundo, mas quer que as pessoas vejam que algo precisa ser feito.
Em outubro, as obras de Rosana estarão em São Paulo, durante o período da Bienal Internacional de Artes, na galeria Thomas Cohn. Os trabalhos dela estão avaliados entre US$ 5.000 e US$ 10.000.
Copa do
Mundo na
América
Eles não estão nem aí para a World Cup, mas quando estão, até arriscam um palpite. Vai dar Brasil, Itália ou Estados Unidos. Do you believe it? E assistir aos jogos pela televisão aqui na América é barra. Falta emoção para os narradores da ESPN, que nem gritam gooooool. E na Univision, canal hispânico, só se sabe o placar de vez em quando. Parece que eles querem evitar a poluição visual e decidiram não colocar nada na tela a não ser os jogadores.
País da
alegria ou
da alergia?
A primavera trouxe as flores e com elas a beleza, o perfume e o pólen que enlouquece muita gente. De acordo com pesquisas recentes do Marist Institute for Public Opinion, 36% dos americanos têm algum tipo de alergia. O inimigo número um são as árvores, flores e gramados, que são abundantes nesta época do ano, fazendo mal para 27% de alérgicos. O segundo lugar ficou para as drogas e medicamentos com 19%, e o terceiro, com 17%, é o pó da casa, a famosa sujeirinha sobre os móveis.
Tem brasileiro
na Argentina
Ao contrário do Consulado Brasileiro, que é um cubículo, o da Argentina funciona num prédio de três andares com salas grandes e espaçosas. Tem lugar até para exposições de arte. E os argentinos acolhem artistas do mundo todo. Desta vez tem a coleção particular de fotografias do diplomata Joaquim Paiva, que também é fotógrafo. São 40 trabalhos de 15 brasileiros. Entre eles, Sebastião Salgado e Mário Cravo Neto. Joaquim começou a coleção há 20 anos e hoje tem mais de 1.650 imagens de 130 fotógrafos brasileiros. São desde fotos jornalísticas até fotos de arte. (Consulado da Argentina - 12 West 56th Street. Fone: 212 603-0440).
Depois do Tony
Automaticamente depois que um astro de cinema ganha um Oscar ele recebe alguns zeros a mais no seu cachê para estrelar um novo filme. Na Broadway não é diferente. Os shows que não levam um Tony não ganham zeros adicionais na arrecadação da bilheteria. Depois da festa de entrega do prêmio deste ano, alguns espetáculos já definiram o dia em que vão fechar as cortinas para sempre. No mínimo, seis dos 32 espetáculos já estão dizendo bye bye. Entre eles, The Diary of Anne Frank, The Sunshine Boys, 1776 e The Scarlet Pimpernel.
ANOTE NA AGENDA
Summer Film
Festival 98
Sanduíches são indispensáveis para os nova-iorquinos nesse grande piquenique que acontece no Bryant Park todas às segundas-feiras no início da noite. Eles abrem um toalhão no gramado, acendem velinhas e curtem o filme ao ar livre. No Brasil a gente costuma dizer que é farofada, mas aqui o negócio tem seu charme. São funcionários engravatados dos escritórios de Midtown que param atrás da Public Library para curtir um cineminha. Na lista dos filmes estão: An Affair to Remember, Holiday, How to Marry a Millionaire, It Should Happen to You, Stage Door, Breakfast At Tiffanys.
New York
Restaurant Week
Essa oportunidade é imperdível. Que tal almoçar nos restaurantes mais caros da Big Apple pagando só US$ 19,98? A chance é para quem estiver por aqui na semana que vem. Restaurantes como Union Square Café, Daniel, Gramercy Tavern, Aquavit, Aureole, Oceana, San Domenico, Picholine, elogiados e recomendados pelo Zagat Survey, abrem suas portas para a grande promoção. No Aureole, cozinha americana, o serviço é sublime, o jardim é maravilhoso e os pratos são impecáveis. Geralmente o preço do jantar para uma pessoa fica por volta de US$ 70, o mesmo preço do almoço no francês La Cote Basque. It is your chance to choose the best one.
Ligados com a gente
Por hoje é só. A gente volta na próxima quarta, mostrando mais um pouquinho da Big Apple. See you.
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