NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
The Cloisters
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoVista do Rio Hudson e do €€The Cloisters€€. Nem parece que estamos em Manhattan...Sábado para nós é um dia especial. Para você também? Pois é no sábado que a gente escolhe um ponto da cidade e vai até ele para saber um pouco de tudo o que está rolando por lá. Desta vez o alvo foi o extremo norte de Manhattan, quase no finzinho da ilha. Mais um pouco estávamos no Bronx, o único bairro de Nova York que é no continente.
A idéia foi conhecer o The Cloisters, uma extensão do Metropolitan Museum dedicado somente à arte medieval. Não nos arrependemos. Ele fica numa colina, no meio de um parque com árvores de copas largas e jardins com flores exóticas. A vista é de cartão-postal. Não parece ser na Manhattan do stress, da correria, dos neons da Broadway e dos arranha-céus, mas é.
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoSão Cristóvão, do Vale do Danúbio (Alemanha, 1510-1520)Longe da rota da maioria dos turistas e longe dos museus da Big Apple - que estão em ruas bem conhecidas e movimentadas como a Quinta Avenida, Central Park West e Broadway - poucos sabem que às margens do Rio Hudson, cercado pelo Fort Tryon Park, pode-se encontrar mais do que apenas uma exposição de quadros, esculturas e tapeçarias da idade média. O próprio prédio do museu faz parte da exposição.
The History
Tudo começou com o escultor americano George Grey Barnard, (1863-1938), estudante de Rodin. Barnard abriu um museu de arte medieval somente com as peças de sua própria coleção, o qual chamou de Barnard’s Cloisters . Ele queria que os americanos, especialmente os jovens escultores, conhecessem e aprendessem com a arte da idade média.
Em 1924, John Rockefeller Jr. (1874-1960), um fascinado pela arte do passado, comprou o pequeno museu e deu tudo de presente ao Metropolitan. Junto com o presentinho também foram 40 obras da sua coleção particular.
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoThe Trie Cloister Garth no início da primavera
(arcadas trazidas do sul da França, 1500)Três anos depois, o museu-mãe decidiu que precisava de um espaço maior para abrigar a exposição de arte medieval. Novamente o Sr. Rockefeller surpreendeu, doando quase 70 acres de terra ao norte de Manhattan, onde hoje é o Fort Tryon Park. Para ele não foi nada já que era dono de parte da cidade.
Neste lugar especial, no meio do verde do parque, foi construída a nova sede do museu. Um exemplo raro de arquitetura medieval, com paredes de pedras, portas de madeira maciça, arcadas e fabulosos jardins internos.
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoRelicário, santuário de Elizabeth da Hungria, 1325The gardens
O museu ganhou o nome de The Cloisters porque foi construído com partes originais de cloisters medievais. Chama-se Cloister um pátio cercado por galerias ou passagens arqueadas. É o coração de um mosteiro. Normalmente situado no local mais ensolarado, tem ligação física e psicológica com a capela e outras áreas domésticas. São espaços de meditação, conversa, descanso e, é claro, jardins.
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoArcadas vindas de um mosteiro da França do final do século 13Sentar em um dos bancos do The Cloisters em Manhattan é esquecer da vida. No lugar mais alto da ilha pode-se ver de longe a Washington Bridge que liga Nova York a Nova Jersey, curtir os barcos que passam pelo Hudson, e perceber que numa cidade louca sempre tem lugar para se construir alguma coisa em homenagem à natureza.
Nos jardins do museu são encontradas mais de 250 espécies de plantas cultivadas na idade média e nos tempos modernos. Tem de tudo: repolho, cenoura, ervas aromáticas e muitas árvores frutíferas. Todas foram catalogadas de acordo com seu uso na culinária, medicina e magia. Um pé de pera é a grande atração. Ele foi plantado em 10 de junho de 1940 e foi podado de forma a crescer como se fosse um castiçal. As fontes também são comuns nestas áreas, já que a água é parte essencial de cada jardim medieval.
Atenção aos detalhes
Ao visitar este museu não olhe apenas para as esculturas e os quadros pendurados nas paredes. Preste atenção também na própria parede. O prédio foi construído com partes originais de igrejas e mosteiros da Europa. O domo da capela Fuentidue¤a veio da Espanha (1175-1200). Os vitrais da capela gótica são da Áustria e França (1200-1210). A fonte central do Cloister de Cuxa também é francesa.
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoFonte do The Cuxa Cloister no início da primavera (arcadas da França
de 1130-1140)Esculturas de santos estão espalhadas pelo prédio. São Cristóvão, o padroeiro dos motoristas no Brasil, é da Alemanha, (1510-1520). Mas o museu também tem outras versões de diferentes artistas. Caminhando pelo local encontramos jóias dos séculos 13 e 14, livros com detalhes em ouro, objetos religiosos usados nas celebrações eucarísticas e tapetes. Os de unicórnio, que representam a captura do animal, vieram de Bruxelas e foram confeccionados em 1500.
Como chegar lá
O subway, o metrô de Nova York, é o mais rápido e eficiente meio para se chegar até o The Cloisters. É só pegar o metrô ‘‘A’’ e parar na 190th Street. Depois você pode escolher: ou atravessa o Fort Tryon Park caminhando ou entra num ônibus M4. A passagem para o metrô e ônibus é US$ 1,50 cada uma, mas se você usar o Metrocard, o mesmo ticket vale para os dois. Miniaturas
Metropolitan Museum of Art/DivulgaçãoThe Annunciation (óleo sobre tela, 1406-1444)Esta é para baixinhos e grandinhos. A loja FAO Schwarz, na Quinta Avenida, tem uma coleção de miniaturas de carros de encher os olhos. Vai do antigo Volkswagen Cabriolet, modelo conversível, de 1951, até as Ferraris de hoje. Tem Corvettes, Mercedes, Lamborghinis, Porsches e BMWs por US$ 30.
Bonequinhos orelhudos
Mas a sensação do momento é o Teletubbie. Um bonequinho engraçado, personagem de um show da TV inglesa. O que chama a atenção da garotada é que ele tem uma tela de TV na barriga e uma antena na cabeça. São quatro personagens diferentes, um de cada cor. Vermelho, amarelo, azul e verde. Dipsy, Laa-Laa, Tinky Winky e Po estão deixando os pais completamente loucos.
Nas lojas de brinquedos de Nova York tem fila para os pequenos conseguirem os bichinhos. Turistas ingleses fazem de tudo para ter um. Na Inglaterra eles sumiram e quando aparecem são vendidos a preço de ouro. Nos Estados Unidos o boneco acabou de chegar e na FAO foram vendidos mais de 500 em meia hora. O preço varia de US$ 30 a US$ 50.
Esta parece ser mais uma febre igual a do boneco Elmo - aquele que sente cócegas. No natal de 96, a procura foi tanta que no câmbio negro ele subiu de US$ 30 para US$ 200. Poor daddy.
Seinfeld
E eles se foram. O programa de TV mais amado pelos americanos se despediu na quinta-feira. Seifeld e sua turma foram para a cadeia por não ajudar um indivíduo que estava sendo assaltado. No julgamento da turminha, deu para rever cenas de tudo o que eles aprontaram durante os nove anos de programa. Foram considerados culpados e terminaram no xadrez.
Quase 80 milhões de americanos assistiram ao seriado na quinta-feira passada. Milhões ligaram de volta para a NBC pedindo replay. Muitos porque queriam ver de novo e outros porque perderam o último episódio. Hoje à noite tem mais Seinfeld por aqui. Bis, bis, please.
Clubes de Comédia
E para quem quer ouvir boas piadas e se divertir muito a dica é Carolines. Pelo clube já passaram nomes famosos como Jay Leno em 1983, hoje dono de um dos talk shows mais assistidos por aqui e também Jerry Seinfeld, que em 1987 apareceu nos palcos do clube para depois virar astro de TV. O clube abre de segunda à segunda. Tickets de US$ 10 a US$ 25. Para o jantar tem pasta e sanduíches ao estilo americano. (Broadway & 49th Street - Fone 212 757-4100). The Empire State Building is Blue
Os americanos já esperavam, mas não acreditaram. ‘‘A voz de ouro’’ se calou. Foi comoção geral. Em Times Square os nova-iorquinos e os turistas paravam nas calçadas para ver as notícias no telão gigante. Nos bares as TVs estavam ligadas nos especiais já preparados muito tempo antes de a notícia chegar. O Empire State Building, um dos prédios mais famosos do mundo, acendeu luzes azuis na sua torre para homenagear o ‘‘Old Blue Eyes’’. No Patsy’s da Rua 56, o bar e restaurante preferido do cantor, o proprietário durão disse que chorou pela primeira vez na vida, abraçado a uma antiga foto dele com Frank. Sinatra curtiu muito aquele local na década de 50.
Corrida às bancas de jornais
O New York Post foi o primeiro jornal de Nova York a chegar às bancas trazendo na capa a morte de Frank Sinatra. ‘‘Morre uma Lenda’’ mostrou cinco páginas com a trajetória do cantor e ator e as últimas notícias de Los Angeles. Mais de 120 mil exemplares chegaram às bancas dos cinco bairros de Nova York às 7 da manhã, oito horas depois da morte do ídolo americano. Em 1995, o jornal também foi o primeiro a divulgar o veredito de O.J.Simpson.POR AÍ & POR AQUI
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