NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Nossa eterna Pimentinha

Divulgação
Nana Caymmi: a diva, mesmo gripada, homenageia Elis com boa música e bom humor em NYMuitos gringos arriscando português. Muitos brasileiros falando inglês. Esse era o clima em frente à casa de espetáculos Town Hall, na sexta-feira, antes do show ‘‘Lembrando Elis’’ - um Tributo a Elis Regina, na voz de Nana Caymmi. Foi a primeira homenagem feita à cantora fora do Brasil.

Maristela Monticeli
O cantor Paulo Ricardo, a namorada Tânia e a cantora Marília Barbosa, no show ‘‘Lembrando Elis’’O quente da noite foi o encontro dos músicos Hélio Delmiro, na guitarra, Luizão Maia, no baixo, e Paulo Braga na bateria. Esses são os garotos cinquentões da banda original da Pimentinha. Eles não tocavam juntos desde a morte da cantora, em 1982. O grupo deixou claro que os anos podem passar, mas a harmonia fica. O uruguaio Hugo Fattoruso, no piano, velho conhecido dos músicos brasileiros, completou o quarteto.

Maristela Monticeli
A cantora Bebel Gilberto, depois do show: saudade de ElisA noite começou animada, com casa lotada, cheinha de quarentões. Gente nova e afinadíssima, como Vanessa Falabella e Barbara Mendes, e as veteranas Bebel Gilberto e Marília Barbosa mataram a saudade do público cantando antigos sucessos como ‘‘Asa Branca’’, ‘‘O Bêbado e o Equilibrista’’ e ‘‘Fascinação’’. Os instrumentistas Zé Luis, sax, e Darci, trombone, também deram uma palhinha de arrepiar.

Divertido mesmo ficou quando Nana Caymmi apareceu. Gripadérrima, espirando e quase sem voz, se ela não cantou o que tem de melhor, com certeza manteve o astral lá em cima. Um pouco atrapalhada, não perdeu o bom humor. Começou dizendo que o palco era escuro e ela não conseguia ler a ordem do programa, mas que estava tudo bem. Comentou que as canções eram do tempo da Bíblia, quando Noé chegou com os bichos, por isso não lembrava das letras na ponta da língua. E encerrou com um: ‘‘onde vocês vão com tanta pressa’’, para os músicos, que rapidinho diminuiram o compasso. Enfim, uma noite brasileira de boa música e bom humor como não se vê por aqui com frequência. We are sure that Elis loved it.
Panquecas e lua-de-mel
E quem estava na cidade esta semana, e também foi recordar Elis, era Paulo Ricardo, ex-RPM e ex-Luciana Vendramini. Passou a semana em Nova York, na casa de um amigo, com a atual, Tânia. Paulo contou que só veio a passeio, uma espécie de lua-de-mel. Não tinha em mente nada em especial, só curtir a namorada e comer panquecas. ‘‘Adoro panquecas. De todos os tipos, de todos os jeitos’’, disse ele. Quanto ao show, achou legal que tenham lembrado Elis e até tentou cumprimentar Nana depois do espetáculo, mas desistiu porque o camarim estava muito concorrido. ‘‘Se vocês conseguirem falar com ela, digam que estive aqui e deixei um beijo’’, gritou antes de sair. We tried but it wasn’t easy.
JVC Jazz Festival
E em breve tem mais música brasileira em Nova York. André Alves, o mesmo que produziu o show um tributo a Elis Regina, traz em junho João Gilberto, Maria Bethânia, Gal Costa e The Brazilian Jazz Ensemble, com João Bosco, Egberto Gismonti, Leny Andrade e Toninho Horta. São quatro shows. Os dois primeiros no Carnegie Hall e os outros dois no Avery Fisher Hall, nos dias 19, 20, 23 e 24. É o JVC Jazz Festival 98. (Carnegie Hall, 57th Street e Seventh Avenue, fone 212-247-7800, Avery Fisher Hall, Broadway e 65th Street, fone 212-721-6500).
Atravessando fronteiras
Pensou em show com música brasileira, pensou em André Alves. Mas, enfim, quem é esse cara? Ele é tímido, suave, não gosta de aparecer - nem Jô Soares conseguiu levá-lo para o programa - mas é um cearense de garra que veio pra América disposto a vencer. Criador da The Brazilian Beat, o trabalho dele é trazer um pouco da música verde-amarela para a terra do Tio Sam.
André, 35, chegou em Nova York há 15 anos. Ainda não estava muito certo do que queria. Estudou ciências políticas, relações exteriores e hotelaria. E foi trabalhando em hotéis como o Sheraton, Plaza e Península, que descobriu que gostava mesmo era de lidar com o público. Era um prato cheio. Gente de todos os lugares do mundo. Gente de todos os tipos. Ali estava a oportunidade de conhecer muitos músicos e cantores.
Entre um contato e outro, André começou a trabalhar com Tim Jonhson, que morreu em março do ano passado. Tim foi um grande divulgador da música brasileira em Nova York. Foi com ele que André encontrou seu caminho. Mostrar o Brasil nos Estados Unidos através da música.
Entre uma promoção e outra, André pode ser encontrado todas às segundas à noite no Café Wha, onde mantém um show há dois anos, sempre com a casa cheia. Nomes de artistas consagrados, como Caetano Veloso, Djavan, Marisa Monte, e muitos outros ainda em busca da consagração, estão anotados no caderninho dele. Como ele mesmo diz, ‘‘a música brasileira é um excelente produto’’. What means good business. (Café Wha 115 Macdougal, fone 212 254 3706, The Brazilian Beat, fone 212 957 9183).
Tickets 24 horas
Comprar tickets para teatros, cinemas, shows e eventos esportivos vai ficar mais fácil a partir do mês que vem. A cidade vai ganhar 65 máquinas iguais aos caixas automáticos dos bancos. Na tela você escolhe o que quer ver e onde quer sentar. Elas só aceitam cartões de crédito, o limite é de quatro ingressos por cartão, e vão funcionar 24 horas. Um detalhe: o ingresso vai ter um acréscimo de US$ 3 pelos serviços da ETM - Entertainment Ticket Machines. Os cambistas é que não gostaram muito da novidade. Welcome to the new era.Nova York destruída...
De novo?
Você já percebeu como os hollywoodianos gostam de destruir Nova York? Qualquer negócio que faça mal para o planeta vem direto para cá. No filme Independence Day, entre os locais destruídos pelos extraterrestres, estava Manhattan. Em ‘‘Duro de Matar’’, com Bruce Willis, parte da Central Park West foi para os ares. A barata gigante de ‘‘Os Homens de Preto’’ também estava por aqui. E por aí afora.
Na sexta começou Deep Impact, de Steven Spielberg, a celebridade mais bem paga do mundo do entretenimento. A queda de um meteoro na Terra provoca um grande maremoto que destrói a costa atlântica dos Estados Unidos e parte da África. A Ponte do Brooklyn vira nada e, é claro, a Casa Branca, em Washington, também já era. O ator Morgan Freeman, que faz o papel do presidente americano no filme, disse numa entrevista na TV que odeia quando os autores e diretores escolhem como alvo a Nova York que ele tanto gosta.
Mas não pára por aí. Dia 20 chega ‘‘Godzilla’’. Com um pezinho maior que quatro vagões de trem, ele mostra que tamanho é documento. Arrasa parte da Big Apple. Entra no trânsito caótico de Manhattan e vai esmagando carrinho por carrinho, até parar na Bolsa de Valores. Com tanto problema que a Bolsa teve no fim de 97 só faltava essa. Muito antes de se saber o dia da estréia do filme ‘‘Godzilla’’ no cinema a cidade já estava lotada de cartazes. Em julho do ano passado já podíamos assistir nas telas o trailer do novo filme. Size does matter.
Japoneses em busca de Godzilla
Enquanto o pequeno ‘‘Godzilla’’, o blockbuster mais aguardado para este verão, não pintar no Japão, os japoneses estão desembarcando em Nova York direto para os locais que o monstro destrói no filme. A idéia deste tour é de uma agência de Tóquio e está rendendo milhões. Eles passam um dia inteiro perambulando pela cidade atrás dos passos do monstro. Coisa de japonês.
Guerra dos táxis
É uma aventura andar de táxi em Nova York. Os motoristas se comportam como se estivessem num dos filmes de Mad Max em busca de combustível. Mas eles são necessários. Só que hoje, quarta-feira, por causa de uma briga entre motoristas e prefeitura, os doze mil táxis que circulam na cidade vão parar. Os taxistas dizem não suportar mais as imposições injustas da prefeitura.
Novas leis, que podem começar a vigorar no final do mês, vão complicar a vida desses trabalhadores. Cinco pontos negativos na carteira de motorista suspende a licença de trabalho por 30 dias, e oito pontos anula a licença. Se o passageiro fumar dentro do táxi, o motorista paga a conta. A multa é de US$ 150. Eles também perdem o direito de trabalhar se forem pegos com arma de fogo, faca ou estilete dentro do carro, mesmo que aleguem ser para segurança pessoal. E aí por diante.
Dá para imaginar Manhattan sem os tradicionais carros amarelinhos costurando no trânsito? Difícil. Se todos realmente pararem, vai ser um inferno. A Big Apple se movimenta pelos metrôs, ônibus e táxis, muitos táxis. What mess!
Entendendo a ilha
Ok, Manhattan é o paraíso dos que gostam de caminhar. Dirigir seu próprio carro não é a melhor opção. O trânsito é lento, vaga para estacionar não existe e estacionamento pago é muito caro. Então, já que vamos andar é bom ter em mente três coisinhas bem simples que vão facilitar o passeio.
• A Quinta Avenida divide a cidade em leste e oeste e a numeração dos prédios começa por ela. Assim, 5West 46th Street fica a alguns metros do lado oeste da Quinta Avenida e 5East 46th Street fica a alguns metros do lado leste.
• Para os nova-iorquinos, downtown não é o centro da cidade. Downtown significa apenas ‘‘sul’’ e uptown significa ‘‘norte’’.
• À noite evite andar por ruas desertas. Dê preferência às mais movimentadas e bem iluminadas. Recentes estatísticas dizem que a criminalidade da cidade continua diminuindo, mas não tem porquê dar mole pro azar.Amazon and Biodiversity

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O indigenista brasileiro Sidney Possuelo com membros da tribo ZoO Museu de História Natural de Nova York começou neste sábado a mostrar Amazon, o filme indicado ao Oscar de melhor documentário do ano, dirigido por Kieth Merril.
Mais do que 45 minutos de imagens bonitas, Amazon traz um pouco da vida que cerca o Rio Amazonas. Plantas, peixes, animais, insetos e tribos indígenas na rotina do seu dia-a-dia na selva. A viagem começa nas águas geladas dos Andes e rola até o Brasil.
Enquanto a câmera desliza pela imagem única da floresta, o narrador nos conta sobre o encontro de dois homens da medicina. De culturas completamente diferentes, o curandeiro Julio Mamani, da tribo Callawaya, e o botânico americano Mark Plotkin dividem o mesmo interesse pelas plantas da amazônia. Descobrir suas qualidades medicinais é a meta dos dois .
O documentário Amazon chega junto com o novo projeto do museu, a exibição permanente sobre biodiversidade. Hall of Biodiversity abre ao público no dia 30, mostrando a variedade e interdependência das coisas que vivem na Terra. Mais uma vez está em pauta a defesa do nosso planeta, o combate a extinção de animais e a esperança de uma vida mais saudável para o homem. (American Museum of Natural History, Central Park West com 79th Street, fone 212-769-5000). POR AQUI & POR AÍ
Por hoje é só. Voltamos na quarta que vem.
See you. Bye
E mail: [email protected]

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