NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich

Gilberto SmaniottoCena de rua, comum por aquiAmazing
East Village
Para elas, calça boca de sino ou saia sobrando tecido. Sapatos salto alto, altão. Cabelos de todas as cores e estilos. Piercings por todas as partes do corpo: orelha, nariz, boca, umbigo e...Sorry, mas cada um usa onde quer... Lábios pintados com cores fortes, muito fortes. O marrom e o azul predominam. Unhas compridas que chamam a atenção.
Para eles, calça de cintura rebaixada. Tudo arrastando. Ou muito justo, tudo apertando. Calça de exército, camiseta furada e jaqueta de couro. Cabelos arrepiados, cores a escolher. Correntes de todos os tamanhos penduradas no pescoço, nos pulsos, bolsos das calças e camisas. Brincos e piercings a perder de vista. Tatuagens? Nem se fala. No braço, peito, pescoço e rosto. Tem da borboletinha ao dragão.
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Esse é o East Village, dos hippies dos anos 60 e depois os punks. É o bairro mais boêmio de Nova York, onde o que é novo, o diferente, o surpreendente e o esquisito se encontram. Crazy, mad, However. It’s amazing.
Gilberto SmaniottoCada um com seu modelito
This is
the best
Passar por Nova York sem curtir o East Village é como ir a Roma e não visitar o Vaticano. Esta comparação é velha e parece não ter nada a ver. Mas tem. O East Village é um labirinto onde nas calçadas passa o diferente, nas escadarias sobem e descem os estranhos seres e nos porões você descobre lojas incríveis para todos os gostos, bolsos e estados de espírito.
Não perca os detalhes. Para começar, dê um look no trabalho dos grafiteiros nas paredes do bairro. Alguns estão um pouco escondidos pelos latões de lixo que se espalham pelas ruas. Mas isso já faz parte da imagem da região. Depois preste atenção nas lojas. Onde pode-se fazer tatuagem também se consertam sapatos, se vendem CDs, roupas, refrigerantes, cigarros, bijuterias, e o que você imaginar. As vitrines são sempre convidativas. Na St. Mark’s você tem a chance de comprar roupas íntimas com detalhes de anjos. Dreams and Dreams.
Miscellaneous
O Tompkins Square Park é, sem dúvida, o parque mais louco da cidade. Cada canto tem uma cena diferente com um personagem mais diferente ainda. Um toca violão, outro faz yoga. Quem joga xadrez às vezes não consegue se concentrar com o discurso do crente que grita em nome de Jesus. Ao lado, garotos cabeludos ouvem rádio a todo o volume e jogam basquete com uma cesta improvisada. O cachorro dorme em cima do homem deitado no gramado. O casal de namorados curte um beijo profundo. Quem é quem ali? It doesn’t matter.
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É uma loucura. A praça é grande mas as pessoas ficam tão perto, grudadas, fazendo coisas tão diferentes. Cada um curte do jeito que bem entende. Quer falar sozinho em voz alta. Aproveite. Quer brigar com vocês mesmo. Desabafar. It’s a free place.
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Tirar foto pode ser um problemão. A mulher lavando o menino na garupa da bicicleta fica chateada com nosso click e quase dá de cara com um poste. Foi briga na certa com esses pobres operários da notícia. Já o hippie vem com toda a pompa dizendo que podíamos aproveitar. ‘‘Quantas quiser’’, diz ele. Faz pose. Mas um detalhe, custa US$ 1 por fotografia. ‘‘É para garantir a beer do final da tarde’’, vai avisando. Cobrou pouco. Tem gente que não faz nada por menos de US$ 50.
Idade é
questão de
espírito
Lá em cima da escadaria de um dos prédios da Rua St. Mark’s, três garotos conversam animados sobre um show de Rock da pesada. Eles têm tudo a ver. Além de curtirem o mesmo grupo, não entendemos que grupo é esse, eles vestem calça de exército, camisa com desenhos de esqueleto, e piercings na orelha e nariz.
Quando a porta abre, um homem cinquentão desce as escadas com um pequeno cachorro no colo. Tinha acabado de colocar um piercing. Não no pobre cachorro, mas na orelha do lado direito do moderninho. Ele não quis muito papo e entrou direto numa limusine. Limusine por ali? Estranho, o meio de transporte da vizinhança é rollerskate e bicycle. E depois do novo visual do malandro, não tinha nada a ver entrar num carrão tão sério.Mãeeeee, eu
tenho piercing
Piercing, tattoo, piercing, tattoo . As lojas disputam a grito o freguês. Numa delas, encontramos a carioca Aline Oliveira. Estava se preparando para colocar um piercing numa das orelhas onde já tinha três furos. Aline, que veio para Nova York estudar inglês, estava comemorando os seus 18 anos e só agora pôde experimentar o gostinho de ter um. ‘‘Minha mãe não queria nem papo com esse negócio de furar a cartilagem para pôr um treco desses. Mas cheguei à conclusão de que eu gosto e esperei até agora para tentar. Please me entenda, mãeeeeee, desabafou Aline.
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Tomara mesmo. Se a mamãe Paula souber, vai ficar louca. Acontece que Aline (que foi sozinha mudar o visual), desmaiou enquanto estava perfurando a orelha, e assustou todo mundo. A menina ficou amarela, laranja, bordô. Mas não desistiu. Começou, tem que terminar. Depois de muita água e açúcar a carioca de gema disparou. ‘‘Eu sempre fui forte para essas coisas. Não sei o que aconteceu comigo. Mas que doeu, doeu’’, reclamou ela. Perguntada se faria tudo isso de novo, Aline disse que não. Mas depois de se ver no espelho, ela balançou. ‘‘Ficou maneiro’’, disse, feliz. Sem dúvida ficou.
From Minnesota
O trabalho de perfurar a orelha e escolher o acessório é feito por uma americana de Minneápolis, Minnesota. Para o marketing é a cidade do teste. Se um produto é aprovado por lá, os americanos com certeza vão gostar. Mas Sheila resolveu transferir o seu business para Nova York porque a cidade é mais louca, mais atrevida. Foi parar no East Village. Tem lugar melhor? Em apenas seis semanas já tem uma clientela boa e está concorrendo de cara com as lojas mais tradicionais. Nas paredes encheu de fotos de gente tatuada e usando piercings. Só ela tem uns 10. Um dos braços é coberto por tatuagem. Serve de amostra para quem gosta arriscar.
Lugarzinhos da hora
Se o seu negócio é tatuagem ou piercing ou qualquer outra coisa parecida, é só ficar de olho nos preços. Para colocar um na orelha custa US$ 35. Na língua varia de 30 a 60 dólares. Tem sempre um tipo de promoção. A onda de muita gente no Village é colocar no pênis por...nem perguntamos. Os donos do negócio dizem que por mês dezenas de homens resolvem inovar. Tem louco para tudo. Destes locais nem precisamos dar endereço. Eles estão espalhados pela St. Mark’s Place, entre a 2nd e a 3rd Avenue.
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Um bom cappuccino e cookies pode-se pedir no Café Pick me Up. Ali, enquanto você passa o tempo numa das mesas do lado de fora do bar, dá para curtir os músicos e seus acordeões. (145 Avenue A)
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Calças largas para homens e mulheres. Camisetas espertas e ainda blusas apertadinhas você encontra na Swish. Os vendedores são japoneses e muito simpáticos. Uma calça não sai por menos de US$ 60. (115 St. Mark’s Place)
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Roupas íntimas com motivos religiosos tem na Ian’s New York City, na 5 St. Mark’s Place.
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Camisetas com estampas de filmes famosos do cinema, personagens da televisão e brinquedos diferentes você vai encontrar na Alphabets. (115 Avenue A)
Preços da noite
de Nova York
Quanto custa uma cerveja nos bares e boates no Paraná? Enquanto você pensa, vamos falando sobre os preços daqui. Uma cerveja em Nova York custa US$ 4, mais US$ 1 que você tem de deixar para o bartender. É a gorjeta (tip). Uma garrafinha de água, versão menor do que a garrafinha normal sai nas boates US$ 3,75. Por esses preços às vezes da vontade de não deixar tip algum, mas os bartenders não têm culpa e dependem desta gorjeta para viver.
Para entrar em alguns bares você paga de US$ 5 a US$ 10, quando a música é eletrônica. Quando tem algum tipo de apresentação varia muito. Pode chegar a US$ 15, mas com direito a um drink. Boates cobram em média US$ 20. Se desejar fumar e sua carteira de cigarros está vazia, vai desembolsar US$ 4 para ter uma novinha. Na rua o cigarro custa em média US$ 2,75.POR AÍ E POR AQUI
Obrigado pelas mensagens sobre a ausência da coluna, na semana passada, e antes disso, pelos votos de feliz Páscoa.
See you next quarta again. Bye.
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