Nova York Por Aqui
NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Patrícia Braga
O jornalista Sérgio Vilas Boas numa estação de metrô do TremN
Reprodução
Reprodução
O Mapa de Manhattan e a linha N - a amarela que vem do Queens...
Gilberto Smaniotto
Um
telefone
público de
Nova York
e suas
particularidades
de final
de semana
Os Estrangeiros do Trem N
Um romance-reportagem do jornalista Sérgio Vilas Boas, 32 anos, é a dica desta semana. Sérgio morou em Nova York em 93 e 94, e mergulhou no universo dos brasileiros que vieram para a terra do Tio Sam em busca de dinheiro, liberdade e uma vida melhor.
Por aqui ele conviveu com personagens da maior comunidade brasileira fora do Brasil. Hoje são cerca de 600 mil brazucas. Calcula-se que cerca de um terço desse total esteja na região metropolitana de Nova York.
Numa mistura de romance de ficção, reportagem e ensaio, Os Estrangeiros do Trem N é resultado de uma ampla pesquisa. Vilas Boas entrevistou mais de 100 imigrantes brasileiros, que lhe falaram de seus temores, angústias, sonhos e prazeres. O livro acaba de receber o Prêmio Jabuti 1998, na categoria reportagem.
O autor, que acabou de se mudar para São Paulo, conversou com o Nova York Por Aqui, via telefone e e-mail. Leia os principais pontos da entrevista.
Por que Os Estrangeiros do Trem N?
Sérgio Vilas Boas - O Trem N liga o bairro de Astoria (Queens) a Coney Island (Brooklyn), atravessando toda a metade sul de Manhattan. Em Astoria vivem muitos brasileiros, juntamente com hispânicos, que estão em toda parte, italianos, indianos e gregos. O Trem N é muito usado por brasileiros e por um monte de gente de diversas partes do mundo. Eu próprio fui passageiro diário do N durante o período em que morei em Nova York. Dele, extraí uma amostra vívida do multiculturalismo nova-iorquino.
Qual é o perfil do brasileiro que vem para a América?
Sérgio Vilas Boas - De modo geral, é um indivíduo de classe média ou média-pobre, que esteve desempregado no Brasil um bom tempo até resolver imigrar. Além dos aspectos econômicos, praticamente todos os meus entrevistados relataram alguma história de desilusão ou conflitos existenciais: opção sexual malresolvida, desavenças familiares, separações, perdas de pessoas muito queridas, desejo de libertar-se de algum tipo de opressão. Todos, sem exceção, afirmam que o Brasil é o melhor país do mundo, muita embora os tenha expulsado em face da hiperinflação, da recessão, do desemprego, da corrupção e dos desmandos, principalmente no governo Sarney, que foi a gota dágua para a maioria deles.
Esse perfil mudou muito dos anos 80 para os anos 90?
Sérgio Vilas Boas - Acho que não. O Plano Real é um plano bem-sucedido, numericamente falando. Mas não em termos qualitativos. As grandes cidades estão repletas de desempregados se virando como podem ou vivendo à beira da exclusão. Com inflação baixa, as pessoas podem planejar um pouco melhor a vida, mas não há muito o que planejar. O mercado de trabalho só oferece oportunidades para pessoas mais qualificadas, mesmo assim de um modo bastante restrito. Além disso, o impulso de imigrar é inerente aos seres humanos, desde que existam conflitos. Sejam eles, econômicos, sociais, políticos ou existenciais. As pessoas sempre vão de um lugar para outro acreditando que podem melhorar de vida.
Dólar ainda é a palavra chave para estes brazucas?
Sérgio Vilas Boas - Sim. É o motivo principal da vida deles. Ou, por outro lado: o motivo mais publicamente assumido. Os brazucas querem fazer uma boa grana e voltar para o Brasil. Mas a realidade é muito diferente do sonho. Há uma minoria que tem objetivos bastante concretos sobre o que fazer com o dinheiro que ganham.
Os brasileiros fazem dinheiro como faziam no passado? Vale a frase Na América ninguém morre de fome.
Sérgio Vilas Boas - Fazer dinheiro nos Estados Unidos nunca foi fácil. O imigrante que exerce atividades de baixa qualificação trabalha longas jornadas por dia, sem descanso. Ganham mais do que ganhariam num trabalho de nível médio no Brasil, só que pagam um preço alto por isso. Nesse aspecto, não mudou nada. Mas em momentos de recessão na economia americana, como os que ocorreram nos governos Reagan e Bush, os imigrantes clandestinos começam a disputar trabalho com os legalizados e até com cidadãos americanos, em geral negros pobres e marginalizados. No momento, a economia americana vive um superávit de empregos. Pelo menos é o que Washington diz. Não sei até que ponto esse aquecimento na economia se reflete nas perspectivas dos imigrantes ilegais. Quanto à frase, acho que ela continua válida e de uso corrente entre os brasileiros.
Solidão e saudade são palavras muito presentes na vida dos imigrantes, que muitas vezes vivem em guetos que tentam imitar o país de origem. Como os brasileiros lidam com isso?
Sérgio Vilas Boas - De fato, são as palavras que mais ouvi dos brazucas. Os chamados guetos são mesmo uma tentativa de formar pequenos brasis dentro da América. Os italianos de Little Italy e os chineses de Chinatown, por exemplo, fizeram isso para sobreviver em paz com seus corações. A diferença é que se guetizaram de uma maneira organizada, formal. Constituíram associações e clubes. Os brasileiros, não. Certamente porque os brasileiros emigram pensando em voltar. Os brazucas têm uma vida bastante provisória, e isto afeta o modo como se organizam (ou como não se organizam). De qualquer forma, comércios, restaurantes, night clubs,
futebol no parque e outras atividades de forte representação do cotidiano e da cultura brasileiros significam uma forma de organização social própria, ainda que indiretamente.
A discriminação incomoda os brazucas?
Sérgio Vilas Boas - Muito. Acima das leis de garantia dos direitos individuais e dos argumentos racionais, hoje existe um coro de vozes nos países de primeiro mundo que acusam a imigração (legal ou ilegal) de ser a causa de seus problemas sociais, étnicos e até econômicos. Não é só nos EUA. Na Europa também. Na prática, porém, o fechamento das fronteiras revelou-se ineficiente. A vida de um estrangeiro não é fácil em lugar nenhum do mundo. Pior ainda quando o estrangeiro é imigrante pobre e clandestino.
Voltar ou não voltar, eis a questão. Os brasileiros que hoje estão arrumando as malas estão voltando vitoriosos ou derrotados?
Sérgio Vilas Boas - É difícil dizer o que é vitória e o que é derrota. Para muita gente, principalmente entre os amigos e familiares dos brazucas, ser vitorioso significa voltar com os bolsos cheios de dólares. De fato, vários brasileiros conseguem isso. Mas são raros os que sabem o que fazer com o dinheiro ganho com tanto suor. A decisão de permanecer nos EUA ou de partir de volta para o Brasil é fundamental. Aqueles que não têm clareza sobre que fazer da vida sofrem mais, porque a qualidade de vida depende de uma escolha. E toda escolha implica ganhos e perdas. Resta saber o que cada um está disposto a perder. Por outro lado, voltar sem dólares mas com um diploma de graduação da New York University ou da Columbia University pode ser mais vitorioso do que comprar casas, carros e outros bens. Tudo depende do ponto de vista e dos planos de cada um.
Quais foram os personagens que o Sérgio Vilas Boas não vai mais esquecer?
Sérgio Vilas Boas - Todos os que estão no livro. Os brasileiros e não-brasileiros também. Os reais e os ficcionais. Os que conheci pessoalmente e os que só existem em palavras. O universo brazuca da Big Apple é fascinante. Colhi histórias fantásticas e relatos emocionantes, os quais adaptei conforme convinha ao projeto do livro.
Nice Job! Passageiros do Trem N, da Editora Rocco, está disponível nas livrarias por R$ 32,00.
Warner.
MILKSHAKE
Mr. President
Primary Colors, a estória de um mulherengo governador de um estado do sul dos Estados Unidos que concorre a presidência foi lançado num momento oportuno. Clinton cada dia esta mais enrolado com suas façanhas amorosas. E ele que se cuide, John Travolta tem pinta de presidente.
O filme Primary Colors, que também tem Emma Thompson, como a primeira dama, está em terceiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos. Perde para o relançamento de Grease - Nos Tempos da Brilhantina, também com John Travolta, ainda quando ele rebolava, e Olivia Newton-John.
Titanic continua líder absoluto. São 15 semanas em primeiro, mais do que os filmes Tootsie e Um Tira da Pesada que ficaram 13 semanas no topo. Isso, 15 anos atrás.
Em quarto lugar vem O Homem da Máscara de Ferro, com Leonardo DiCaprio, que aliás, no papel de rei, esta parecendo uma garotinha de 12 anos de idade. Uma rainha. Cute, cute.
Zíper do Presidente
Nota 10 para a New York Sport Club, que tem 36 academias em Manhattan e região. Esta semana ela publicou um anúncio nos principais jornais, mostrando que tem uma sede em cada canto da cidade. Para variar, o tema misturou a inauguração dos novos locais com o escândalo do Presidente Americano. Diz a chamada: Nós estamos abrindo mais do que o zíper do Presidente Clinton.
Temperatura recorde
Cinco dias depois da forte neve que veio com a primavera em Nova York a temperatura na Big Apple neste sábado disparou. Chegou a 83 graus fahrenheit ou quase 26 graus centígrados, batendo a temperatura de 75 graus em 1949. Que loucura!!!! Um dia é frio, com muita neve, outro dia é quente com um supersol. Haja resistência. Crazy days.Bronzeamento artificial
Parques cheios, ruas lotadas, sorvete à vontade e os nova-iorquinos que geralmente são branquinhos estavam bronzeados. São Francisco na Califórnia e Miami na Flórida sempre foram os lugares preferidos para buscar uma corzinha, mas agora o bronzeamento artificial mais do que nunca está resolvendo o problema. Hoje Nova York está cheia desses locais para pegar uma cor rápida. Essas casas sim estão abrindo mais do que o zíper do presidente. Business and business.
Cenas da cidade
O click poderia ser do parque cheio de gente tomando um sol. Da criançada brincando feliz. Do vendedor de rua dando graças a Deus. Até que enfim ele pode vender água e refrigerante de novo porque é primavera-verão. Mas a gente escolheu o telefone público de Nova York e suas particularidades de final de semana. A cada ligação, garrafas ou latinhas acabam sendo deixadas no telefone, mudando completamente o visual.
Mad abou you
Depois que Seinfeld, o siticom mais amado pelos americanos, deu bye bye para a NBC, por que Jerry Seinfeld achou que a criação dele deveria terminar em alta, as redes de tevê estão ficando loucas na hora de negociar salários com os atores.
Paul Raise e Helen Hunt - que recebeu o Oscar de melhor atriz pela atuação no filme Melhor é Impossível- são os astros de Mad Abou You, também da NBC. O sitcom conta a vida de um jovem casal em Nova York.
Até outro dia, os dois atores recebiam cada um, US$ 250 mil por episódio. Antes do Oscar, Helen havia pedido um aumentinho. Queria US$ 1 milhão por capítulo. Depois de muita negociação e a NBC com medo de perder mais este programa, conseguiu fechar um acordo pagando US$ 750 mil por episódio. Sorte da NBC, porque se Helen tivesse certeza que ganharia mesmo a estatueta, o valor de longe não seria este. They are mad about money.
Step by Step
E quem está superpreocupado com o fim do Step by Step é o leitor Marcelo Bendotti, de Cascavel. Ele é fã do programa que ainda pode ser visto na Warner, mas que não passa mais nos Estados Unidos. Marcelo quer a ajuda de outros fãs. Ele está levantando uma bandeira de S.O.S para segurar o Step no ar, e acredita que se o público mandar cartas pedindo que o programa continue, pode mudar o rumo das coisas. Afinal de contas a audiência é fundamental. Aí vão dois endereços que Marcelo encontrou para quem quer entrar nessa luta e mandar recados para os responsáveis pelo Step .
Step by Step
Attn: Publicity Department
Miller-Boyett-Warren Productions
300 Television Plaza
Building 140
Burbank, CA 91505
Leslie Moonves
CBS Television
51 West 57th Street
New York, NY, USA 10019.
Boa sorte, Marcelo. E para lembrar, o Step by Step vai ao ar todas as sextas-feiras às 21h30 pela Warner.POR AQUI E POR AÍ
Nosso e-mail: [email protected]
Até quarta. Bye.





