Nova York Por Aqui
NOVA YORK POR AQUI
By Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Winnie the Pooh
mora em Nova York
Don Hamerman, 1997Winnie the Pooh, o verdadeiroDá para acreditar? A Inglaterra está brigando com Nova York por causa de um ursinho de pelúcia. É verdade. Winnie the Pooh, o ursinho dourado, louco por mel das estórias de Wall Disney, é inglês e tem mais de 70 anos.
O verdadeiro Pooh e seus quatro amigos, Tigger, Piglet, Kanga e Eeyone, vivem na Big Apple há mais de meio século. Agora os ingleses os querem de volta.
Gwyneth Dunwoody, membro do parlamento britânico, alega que os bichinhos estão tristes e por isso têm que voltar à terra natal. O prefeito Rudolph Giuliani contra ataca dizendo que eles estão bem. Se a aparência não é das melhores, é por causa da idade.
Pooh e sua turma nunca foram lavados ou consertados a pedido de seu criador, o escritor A. A. Milne. Ele acreditava que os bichinhos deveriam parecer naturais. Como se uma criança ainda estivesse brincando com eles.
Winnie the Pooh e seus amiguinhos estão em exposição permanente no The Donnell Library Center, que tem a maior coleção de livros infantis dos Estados Unidos. São mais de 100 mil exemplares em 50 línguas diferentes.
Segundo especialistas em estórias para crianças, o boneco de Pooh é um dos mais importantes objetos da literatura infantil do século 20. Mais de um milhão de pessoas visitam os bichinhos por ano. Enquanto a briga rola, se você quer dar uma olhadinha nos bonecos originais, a entrada é gratuita. Só não esqueça de assinar o livro de visitantes. (The Donnell Library Center, The Central Childrens Room, Second Floor. 20 West 53rd Street, phone 212 621 0618).
Era uma vez...
Tudo começou em Londres, em 1921, quando Milne comprou o ursinho Pooh de presente de aniversário para o filho Christopher Robin. Os outros bichinhos também foram dados ao garoto entre 1920 e 1922.
O escritor costumava divertir o menino contando estórias. Ele usava os bichinhos de pelúcia como inspiração.
Da brincadeira com o filho nasceram as aventuras na floresta dos 100 acres. Quando começou a escrever eram só três bonecos: o ursinho Pooh, o porquinho Piglet, e o burrinho Eeyore, acompanhados da sábia coruja e do coelho imaginários.
Mais tarde vieram Kanga, a mamãe canguru com o pequeno Rooh, e Tigger, o tigre. Eles foram cuidadosamente escolhidos por Milne, que precisava de novas fontes de inspiração, para completar o grupo.
Em 1947, Pooh e os amiguinhos vieram para os Estados Unidos a pedido da editora americana, E. P. Dutton. Foi um tour de 10 anos para a divulgação das estórias infantis na América.
Rooh, o pequeno canguru, não veio. Foi perdido entre as árvores pelo cachorro da família, que o levou para um passeio e nunca o trouxe de volta.
Após a morte de Milne, em 1956, Christopher e a mãe venderam os bichinhos para a editora Dutton, e esta, em maio de 1987, doou a bicharada para a Biblioteca Pública de Nova York. Ela acreditava que era o lugar perfeito para manter viva a lembrança de Pooh e seus amiguinhos.
Pooh na Disney
A Disney continuou as estórias de Winnie the Pooh e sua turma na floresta dos 100 acres. Todo sábado de manhã, na ABC, tem uma nova aventura.
A personalidade de cada personagem continuou a mesma, mas a aparência mudou. Pooh e seus amiguinhos ficaram mais coloridos. No lugar do cinza e marrom dos bichinhos originais, veio muito laranja, azul e rosa. Pooh ficou mais gordinho e ganhou uma camiseta vermelha. A Disney também construiu os bonecos do coelho e da coruja, que no começo eram só desenhos.
Além de livros e vídeos, a companhia produz os bonecos dos personagens em todos os tamanhos. Tem também camisetas, agendas, papel de carta, louças, relógios, e toda a parafernalha que pode ser vendida com a carinha da bicharada. Recentemente, a Disney lançou uma coleção dos bonecos na versão original, só que inteirinhos, sem as mordidas do cachorro.
ANOTE NA AGENDA
Circus
O restaurante brasileiro Circus, na Lexington, era chamado pelo jornalista Paulo Francis de a Embaixada da Culinária do Brasil em Nova York. O jornal New York Times o classificou como o melhor restaurante brasileiro por aqui. Sem dúvida é bom. Fomos até lá porque um casal de amigos de São Paulo, em férias na Big Apple, sentiu falta da comida de casa.
Tem sopa de feijão, feijoada, frango a passarinho, guaraná brasileiro, mousse de maracujá. Os preços vão de US$ 15 a US$ 25 o prato. Com entrada e sobremesa chega a US$ 50 por pessoa. O tempero é excelente, o atendimento muito bom. Uma coisinha ruim: a mousse é muito pequena (talvez nós sejamos gulosos, mas se fosse maior seria melhor).
( Circus - 808 Lexington Avenue - entre a 62nd e 63rd Streets. Tem almoço especial de segunda a sexta, do meio-dia até às 5 da tarde, e jantar todos os dias, até a
meia-noite. Fone: 212-223-2965).
Começou a Artexpo 98
Artistas, colecionadores, negociantes e divulgadores do mundo inteiro têm um encontro marcado esta semana. É a 20ª Artexpo em Nova York. É uma boa oportunidade para trocar idéias, conquistar um espaço, vender arte.
São pinturas, esculturas, gravuras, móveis, arte em vidro e cerâmica, decorativa e computadorizada, ou seja, da pintura clássica a computação gráfica. A cada feira novos artistas são introduzidos, novas obras apresentadas, novos estilos e tendências comentados.
Este ano, a Artexpo tem 600 expositores de 25 países diferentes e espera arrecadar em torno de US$ 60 milhões em vendas. Os dias 5 e 6 são só para negociantes, e de 7 a 9 é aberta ao público. Ingressos US$ 12. (Jacob Javits Center, Eleventh Avenue com 34th Street, fone: 1-800-331-5706)
MILKSHAKE
Homeless, eu?
Na onda de não colocar nada fora, na semana que passou, nosso amigo estacionou o carro no Village, bairro boêmio da cidade, e se escorou num poste em frente a uma dessas lojinhas onde a mulher dele comprava algumas bugigangas. De supetão um casal lhe ofereceu uma sacola com roupas e algumas coisitas mais.
Acontece que, de tênis, abrigo e camisão ele parecia não estar vestido adequadamente para a região. Com a cara amassada pelo final de semana, ganhou roupas quase novas do guarda-roupa dos nova-iorquinos. Homeless aqui também pode andar bem vestido. Fashion is fashion.
Guerra contra
estacionamento
ilegal
Que está sobrando dinheiro na prefeitura de Nova York não é novidade, mas agora o prefeito quer mais, mais e mais. Por isso está declarada a guerra contra o estacionamento ilegal. No ano passado foram arrecadados mais de US$ 350 milhões em multas. Esse ano a batalha é para conseguir US$ 12 milhões extras. Para que isso aconteça a prefeitura está contratando mais guardas de trânsito e empresas de crédito para registrar quem não paga as multas. E vem muito mais por aí: o preço do estacionamento nos meters, os relógios de rua, vai passar de US$ 1, para US$ 1,5 a hora. Andar de carro em Manhattan? Forget it.
SÓ ACONTECE POR AQUI
Arquivo FolhaEncontros
perigosos
Era uma tarde morna de um dia nublado, quando Barbara Arrastabia, 54 anos, conheceu Albert Backus, 71. Os dois estavam num cemitério de Nova Jersey, visitando o túmulo dos respectivos companheiros. Depois de alguns olhares solitários e palavras de consolo, pintou o romance. Foram meses lindos de muito cinema e pipoca.
Esta podia ter sido uma estória de amor com final feliz, só que Backus se apaixonou novamente. Talvez por outra frequentadora do cemitério. Não se sabe. Mas o que todos ficaram sabendo, é que Arrastabia não se conformou. Armada de estilete e tinta spray, a mulher abandonada foi à luta.
Pobre Backus. A vida dele virou um inferno. Não podia mais ir ao cinema com a nova amada porque Arrastabia atacava o seu caminhãozinho Chevrolet vermelho. Nem o túmulo da falecida esposa escapou. Arrastabia riscava e pintava tudo de branco.
Temendo por sua segurança pessoal, Backus deu queixa à polícia. Arastabia negou tudo. Disse que não tinha idade para essas coisas. Os homens ficaram de olho na mulher por cinco dias, mas não viram nada. Inconformado, Backus pediu ajuda ao genro. E juntos bolaram um plano para pegar a danada.
Era quarta-feira à noite e como de costume Backus e a nova namorada foram ao cinema. O genro ficou escondido no estacionamento com a máquina fotográfica na mão. Depois de 45 minutos de espera lá estava ela, pintando os vidros da Chevrolet.
Por causa das provas, Arastabia foi presa e só conseguiu ser liberada depois de prometer ao juiz que ia esquecer Backus. Coisas do amor. He drives her crazy.
POR AQUI & POR AÍ
Por hoje é só. See you next week. Bye Bye
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