Nova York Por Aqui
NOVA YORK POR AQUI
Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Gilberto SmaniottoTrezentas mil pessoas participaram da Lesbian and Gay Pride ParadeCores do arco-íris
pintam Nova York
Eles vieram de todas as partes dos Estados Unidos com uma intenção: participar da Lesbian and Gay Pride Parade. A parada começou ao meio dia de domingo e durou mais de cinco horas. Gays de todas as raças e idades coloriram a Quinta Avenida com as cores do arco-íris. Trezentas mil pessoas participaram. Teve de tudo, dos adeptos às plumas e paetês aos que você jura não terem nada a ver com isso. Pela avenida desfilaram drag-queens, sereias, barbies, gente que faz a noite das boates nova-iorquinas, famílias que apoiam os filhos gays, pais gays, casais, associações. Enfim, teve muito beijo e fanfarra no desfile que já existe há 28 anos na cidade. Essa é sem dúvida a festa mais gay de Nova York.
A marcha pelo orgulho gay
A Igreja Universalist Society, na Central Park West, começou o domingo com missa para os gays. Pendurou a bandeira do arco-íris na porta junto com uma placa, era o grande convite. Os gays da vizinhança foram em peso. Depois de rezar seguiram para a Quinta Avenida e se juntaram às outras milhares de pessoas que defendem a bandeira do grupo, ainda minoria e marginalizado. A parada gay ocupou mais de 60 quarteirões. Sob o sol forte, 34 graus centígrados, o desfile foi mostrando gente de todos os tipos.
Candidatos gays dos partidos Democrata e Republicano não perderam a grande festa, desfilaram à cata de votos. O prefeito de Nova York Rudolph Jiuliani que vai em tudo, até em reunião de condomínio, também esteve lá, com muito mais vaias do que aplausos. De mãos dadas casais homossexuais anunciavam que estavam juntos há décadas, por isso querem conquistar o direito de casar. Muitos levaram seus fiéis companheiros no colo, os cachorros. Carros alegóricos com go-go-boys imitavam a noite nova-iorquina. Advogados, juízes, professores, pilotos, e a igreja também desfilaram.
Gilberto SmaniottoEm meio à festança, a reflexão: um minuto de silêncio pelas vítimas da Aids
Um dos grupos mais aplaudidos foram os gays da Polícia de Nova York. Mais de 50 policiais fardados desceram a avenida. Na frente a velha guarda, os comandantes, levando bandeiras. Ex-combatentes de guerra do exército americano também atravessaram Manhattan. Durante as mais de cinco horas, o que se viu foi gente com pouca roupa, seios e bumbuns de fora. Mas a parada esse ano foi muito mais comportada do que no ano passado. Às duas horas da tarde todos pararam para fazer um minuto de silêncio em homenagem aos que morreram vítimas da Aids.
Bandeira brasileira e batucada
Um pequeno grupo de brasileiros também participou da Gay Parade. A bandeira verde-amarela tremulou entre os travestis, pandeiros e tamborins. O carioca Jonas, 26 anos, cinco em Nova York, desfilou sentado no capô de um carro. Ele passou a avenida vestido de sereia. Carlos, 30, outro carioca, há quatro na cidade, optou por desfilar fantasiado de mulher. Um grupo de mineiros colocou calçãozinho curto e largou a franga. Os garotos disseram que nunca ousariam fazer isso no Brasil, mas aqui se sentem mais livres.
O point gay
em Nova York
A Christopher Street no West Village é a rua de maior concentração de bares, restaurantes, teatros e lojas para gays. Ela tem história. Foi no bar Stonewall Inn, na 53 Christopher Street, que o movimento gay se revelou. Em 1969, cansados de tanta humilhação, mais de 200 gays foram à luta. Armaram barricadas e partiram corpo a corpo numa pancadaria generalizada. Carros virados e muito sangue foram o estopim para comover gays de todas as partes dos Estados Unidos. Começava aí um Movimento Nacional em defesa dos homossexuais.
Hoje Nova York tem um cenário todo dedicado aos gays. O West Village é o grande point, mas no bairro Chelsea também se concentram bares famosos que vivem cheios. A Oitava Avenida é lotada de restaurantes, boates, academias de ginástica e lojas. Mais de 10 revistas semanais especializadas com a programação para gays têm juntas uma tiragem de 550 mil exemplares mensais. O Jornal semanal Village Voice, hoje distribuído gratuitamente, sempre defendeu as causas gays. Ele é um dos jornais mais lidos na Big Apple.
Nova York tem mais de uma centena de bares, restaurantes, clubes gays e teatros. Aí vão alguns endereços:
Bares
q Splash : dois andares, vários ambientes, vídeo bar com telões. Go-go boys dançam debaixo de chuveiros. Pista de dança para as Barbies e boutique gay. Os coquetéis são preparados por bartenders praticamente nus. (50W. 17th Street, fone 212 -691 0073 ).
q Rome : No primeiro andar tem dois bares e no porão as catacumbas, onde salva-se quem puder. Go-go boys dançam depois das 10pm. ( 290 8th Avenue, fone 212-843 9688).
q Julies: Elegante piano bar para elas. Drink servido por mulheres elegantes (204E 58th Street, fone 212 -688 1294).
Restaurantes
q East of Eighth : É um dos mais procurados restaurantes do Chelsea. Excelente carta de vinho. Dois andares com jardim privativo. Tem pasta, pizza, sanduíches, peixes. Tuna salad (salada de atum) é um dos pratos mais procurados. O preço é convidativo. Com US$ 20 dá para jantar muito bem. (254W 23rd Street, fone 212 - 352 0075).
Clubes
q Ópera : Clube de Drag queens, celebridades,atores, modelos e criaturas da noite. Antes das onze entrada livre, depois, US$20. (539W 21st Street, fone 212 - 229 1619).
q The Tunnel : Esta boate tem aos sábados lugar e noite especial para gays. Vive lotada. (220 12th Avenue, fone 212 - 695 4682) Preço US$ 20.
Teatros
qMaking Pornô : A peça fala sobra a indústria pornô nos Estados Unidos. Todos os meses os atores são diferentes, eles saem dos filmes e revistas pornôs para os palcos off-broadway. (100 7th avenue, fone 212 - 239 6200) Preço: US$ 30 e US$ 35.
Fazendo teatro em Nova York
Gilberto SmaniottoVera Setta: falar inglês é essencialPara falar de escolas de teatro só tem duas formas: ou se visita todas elas, ou se conversa com quem domina o assunto. Assim, procuramos Vera Setta, 52, atriz e diretora brasileira vivendo em Nova York há mais de seis anos. Vera é alegre, falante, superextrovertida. Entre seus vários trabalhos, foi a Josefina da novela Amazônia, na rede Manchete e aqui, abriu a FTBC (First Brazilian Theater Company of New York), a primeira companhia de teatro brasileira a se apresentar na Big Apple.
Vera fala com a firmeza de quem já esteve dos dois lados da cena. Ela dirigiu Kelly Christina Nascimento, filha de Pelé, em The Last Straw ( A última Gota), apresentada aqui . Sua estréia nos palcos de Nova York foi com Um Auto Brasileiro, de Neuza Navarro, uma espécie de comédia musical onde Vera não apenas dirigiu como também atuou.
Rindo, ela conta de um teste que fez em 71 para a peça Tem Piranha na Lagoa, do diretor Grisolli, no Rio de Janeiro. Cheguei lá e fiquei olhando os outros testes. Tudo sem graça. Você tinha que subir no palco, na frente de uma multidão, e dizer seu nome e idade. Pensei: tenho que fazer algo diferente para ganhar esse papel. Subi no palco, fui dizendo meu nome e tirando a roupa. Não só ganhei o papel como também fui coroada a Rainha da Piranha. Vera também ganhou um Prêmio Mambembe, em 76, como a melhor atriz da peça Os Cigarras e os Formigas.
Agora Vera Setta está se dedicando ao piloto de Astória USA, o sitcom brasileiro rodado em Nova York. Ela ficou impressionada com o número de bons atores que apareceram para fazer os testes. Na ausência de Jodele Larcher, diretor que mora no Rio de Janeiro e precisa viajar toda semana para Nova York, ela assume as responsabilidades.Tô confiante, acho essa idéia ótima.
Conselhos úteis
Segundo Vera Setta, é bom tomar algumas providências antes de fazer suas malas com destino a terra do Tio Sam:
q Em primeiro lugar é preciso ter uma boa base de inglês. Sugere que quanto mais jovem começar a estudar, melhor. Ela diz que é um exemplo. qSó fui estudar inglês depois dos 40, até hoje não falo fluentemente. Já para meus filhos foi muito mais fácil.
q Faça cursos no Brasil antes de vir para cá. As escolas aqui são excelentes mas você terá um aproveitamento maior se já tiver alguma idéia sobre o assunto.
q Não pense que um ator se faz em 30 dias. Cursos de um mês só são válidos para quem já tem alguma bagagem.
q Não venha sonhando em trabalhar aqui. Os testes são difíceis e impessoais. Cada peça tem mais de 100 audições por dia. Nem adianta ter agente. Mas mesmo assim faça, tente, insista, não desista. Marque todos os testes que puder.
q Procure não se dividir. Coloque toda a sua energia nos estudos. Se a grana for curta e tiver que trabalhar para se manter, veja um serviço de meio turno, como garçon ou bartender. Quem trabalha pouco normalmente ganha pouco. Aprenda a viver com o mínimo para ter o máximo de tempo livre para se dedicar a profissão.
Vera Setta larga o verbo
As alternativas que o artista precisa ter para viver não me interessam. O fim justifica os meios. Não importa onde ou com quem ele vive. Muito menos o que ele tem que fazer para poder seguir sua carreira.
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O teatro serve até como uma terapia para as pessoas que querem se soltar, aprender a se liberar. Todos deveriam fazer um curso. Faz bem para a mente.
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Sempre me senti uma priviligiada com relação aos homens. Eles sempre foram muito bons pra mim. Tanto que tive épocas na vida que namorei com dois por não saber quem escolher.
Onde estudar
New York University : (PO Box 1206 Stuyvesant Station, New York NY Zip 10009-9988 USA, fax 212 995-3060)
The Julliard School: Para os amantes de Shakespeare. Faz o gênero drama. Morena, 18 anos, a filha de Vera Setta, está estudando lá ( 60 Lincoln Center Plaza, fone 212 799-5000, Fax 212 724-0263)
HB Studio : O diretor Wolf Maia e a atriz Maria Pompeu estudaram lá.( 120 Bank Street, Zip 10014 New York NY USA, fone 212 675-2370 )
Acting Studio: ( 29 East 19th Street. New York NY ZIP 10003 ,fone 212 228-2700 )
Quem é bom já nasce pronto
Gilberto SmaniottoWerner: papel principal em Astória UsaAquela antiga professora de primário, que reprovou os pequenos endiabrados irmãos Schumann porque achava os dois muito infantis (eles viviam fazendo palhaçadas) nem de longe sonhava que ali podiam estar dois excelentes comediantes.
Os gêmeos Willy e Werner, 33 anos, de Curitiba, desde criança gostavam de brincar de teatro. Inventar estórias e representar era o passatempo predileto. No colégio sempre foram um terror, o pesadelo das professoras. Mas, como já nasceram espertos, aproveitaram esse dom natural para a gozação e fizeram disso profissão. Com 12 anos a duplinha já fazia teatro cômico nos bairros da cidade. Aos 18, Willy, que havia vendido a moto para comprar os móveis para o casamento, desistiu de casar, vendeu os móveis e usou o dinheiro para fazer o primeiro curta dos manos, Piá inspirado em Charles Chaplin.
Dividindo-se entre dirigir, escrever e contracenar os garotos construiram as suas carreiras. Ano passado participaram de um seriado da CNT, Pista Dupla, onde lógico, faziam o papel de dois irmãos. Planos são o que não faltam na vida dos gêmeos. Véu de Curitiba, uma visão poética sobre a cidade, falando do fim de semana dos curitibanos, é o próximo longa, que está em projeto.
Você deve estar se perguntando o que os irmãos Schumann têm a ver com Nova York. Simples. Como leitores da coluna Nova York por Aqui, os maninhos leram a respeito dos testes que estavam sendo feitos pelo diretor Jodele Larcher, para a escolha do elenco de Astória USA. Um projeto de uma produtora particular para a TV brasileira. Werner aproveitou o passeio a Nova York, que já tinha sido planejado, para fazer o teste. E, parabéns, ele ganhou o papel principal. Willy não veio, mas não será esquecido. Um dia Bob Tramposo, personagem de Werner, vai receber a visita do irmão.
Werner é tímido quando tem que falar de si mesmo, fica sem jeito, não sabe o que dizer. Acho estranho ter que falar de mim, fico sem graça. Sugerimos então que falasse do irmão. Os dois são muito parecidos, até na hora de comprar um carro. Já compraram duas Paratis douradas por pura coincidência. Willy é casado e também tem filhas gêmeas. Werner ainda não casou, mas nessa passada por Nova York comprou para as sobrinhas duas bonecas idênticas. Só podia ser coisa de gêmeos. Welcome, Werner.
Ligados com a gente
O recado é para Margareth Debertolis, de Londrina. Ela morou em Nova York e como a gente curte muito esta crazy city. Margareth, sua meia-dica, como você disse, é uma grande dica e com certeza vai ser muito útil para a gente. Obrigado.
See you quinta, outra vez. Bye
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