NOVA YORK POR AQUI
Gilberto Smaniotto & Marinês Utteich
Tá chegando
o verão
Enquanto vocês estão aí passando um friozinho, nós aqui já estamos vivendo o verão. Oficialmente ele chega sábado, mas nas ruas e parques o nova-iorquino já começou a tirar a roupa, quer dizer, já está vestindo menos. Até que enfim! Porque a primavera deste ano não deixou a gente sair muito à vontade, de camiseta e calça curta. Agora a temperatura está aumentando e o sol já é forte, e mais forte ainda é a vontade de ficar na rua. A cidade está cheia de gente. Turistas de todo mundo desembarcam por aqui. Do Brasil os vôos chegam lotados. Parte do blablablá nas esquinas é em português.
Nós vamos invadir sua praia
A praia de Manhattan não tem areia e não faz ondas, mas dá para surfar. Como? Com roller no asfalto do Central Park. Banho de sol é o grande charme por aqui. No gramadão sempre tem espaço para mais um. A paisagem é curiosa. Milhares de nova-iorquinos branquelas espichados sob o sol. Eles brilham, torram da manhã à noite. Aqui o sol nasce às 5 e meia e desaparece quase às 9. Na cidade que também dita a moda os modelitos nas ruas são estranhos. É comum ver homens de calção com sapato e meia social. Mulheres de tailleur com tênis colorido. Eles não tem desculpa. Usam porque acham normal. Elas já se defendem dizendo que usam esse modelito só para caminhar na rua, quando entram nos edifícios trocam o velho tênis por um sapato social.Nova York no verão
sem gastar um tostão
É muito fácil se divertir em Nova York no verão sem precisar gastar. Shows de dança, música, teatro e cinema podem ser vistos em vários pontos da cidade sem que você tenha que colocar a mão no bolso. Veja algumas dicas:
Central Park - No verão a programação do Central Park é intensa. Esta semana tem música brasileira no pedaço. Estão por aqui Daúde e a Banda Ara Ketu sacudindo a cidade com a música bahiana (domingo, às 4 da tarde). Para conhecer a programação completa, não só do Festival Brasileiro mas também Espanhol, Americano e Irlandês. Ligue para Central Park Summer Stage information, 212-360-2777. (Os shows acontecem na altura da Rua 72).
vv
Bryan Park - Para quem gosta dos clássicos do cinema, o Bryan Park oferece a oportunidade não só de ver o filme, mas também de conhecer o que é o cinema sob as estrelas. Leve um cobertor, pipocas e refrigerante, deite no chão e aproveite o espetáculo da tela gigante com boa qualidade de som e imagem. A sessão de filmes acontece todas as segundas-feiras durante o verão, no início da noite. ‘‘King Kong’’ passa dia 4 de agosto e ‘‘Cantando na Chuva’’ no dia 25 . (Informações 212-512-5700, Sexta avenida entre as Ruas 41 e 42 ).
vv
Lincoln Center - O verão do lado de fora das salas de espetáculos do Lincoln Center também promete. Durante todo o mês de agosto você pode curtir dança e jazz da melhor qualidade sem pagar nada. Para abrir a temporada, tem dias 7 e 8, Paul Taylor Dance Company. O Ballethic of Atlânta, que combina dança africana com clássica, se apresenta dia 20. Nos shows de jazz estarão, Diane Shuur e Buddy Collette dia 10 de agosto, Kimati Dinizulu, 13 de agosto e Maynard Ferguson dia 22. O último final de semana foi reservado para o Brazilfest’97. Margareth Menezes e outros brasileiros estarão fazendo a festa. Eles se apresentarão acompanhados por grupos Gospel. Dia 31 é o dia especial para as crianças, com shows de artistas canadenses. (O Lincoln fica na Broadway com a Rua 65 - informações 212-875-5108 ) Filas de
primeiro
mundo
Se você acha que fila é coisa de terceiro mundo,está enganado. Aqui também tem e das grandes. Não estamos falando das filas prazerosas, aquelas para pagar mais barato os ingressos dos shows da Broadway ou para assistir a pré-estréia de um filme. Essas são opcionais, fica quem quer. Estamos falando de serviços. Aquelas coisinhas chatas que todos detestam mas tem que fazer. Os campeões da demora são o correio e o caixa eletrônico. Se precisar usar um destes serviços por aqui, faça como os americanos, leve um livro pra ler, ajuda o tempo passar.
Falta gente pra gente falar.
Uma das coisas mais chatas dos Estados Unidos é a falta de vendedores nas lojas, de atendentes nos bancos e postos da gasolina. Acredite, se você não gosta de um ‘‘bom de papo’’ falando no seu ouvido sobre a qualidade daquela grife que ele quer lhe empurrar , é muito pior não ter ninguém para dar uma informação. Nos bancos então nem se fala. São quatro ou cinco caixas e depois vire-se com os telefones instalados nas agências. Eles são lotados de gravações. Disque o um para saber do cheque roubado. Disque o dois para saber qual o número vai ter de discar, para saber o que você vai querer saber. Sente, não fique irritado, de meia hora antes de sua paciência estourar.Hércules nas ruas de Nova York
A Disney preparou uma grande festa para o lançamento de seu novo filme Hércules, que estréia dia 27. Os personagens desfilaram pelas ruas de Nova York em carruagens iluminadas, fazendo a alegria da criançada. No carro de abertura vieram esportistas de todo mundo. Entre eles, Emerson Fittipaldi e Isabela Sabatinni. Mas se de um lado tudo era festa, do outro nem tanto. A algumas quadras do brilho, um grupo de trabalhadores protestava contra o trabalho escravo. Distribuía panfletos dizendo que no Haiti a Disney paga 28 centavos a hora de trabalho e na Tailândia 14 centavos apenas. Também as lojas vizinhas da mega-store não estavam muito felizes. Elas tiveram que apagar seus luminosos para o desfile passar. Problemas a parte, o espetáculo foi de encher os olhos. A peruca de Hércules é de deixar Sansão morrendo de inveja. E sem dúvida, a Rua 42 ficou muito mais bonita depois que a Disney se mudou pra lá.‘‘Valdir e Rute’’, o
curta de Curitiba
O diretor e produtor curitibano Elói Pires Ferreira, 41 anos, está em Nova York preparando os últimos detalhes do curta ‘‘Valdir e Rute,’’ todo rodado em 35mm, em Curitiba. Depois de finalizado no Rio e São Paulo, o som do filme está tendo o toque final nos estúdios da Sound One. Elói, que já dirigiu e produziu em 1990 o curta ‘‘Vamos Juntos Comer Defunto’’, uma crônica que fala do olhar da criança sobre a morte, está agora entusiasmado com o novo trabalho. ‘‘O filme é uma ficção sobre a vida de um casal catador de papel, que vive na periferia de Curitiba. Fala da falta de oportunidades, da situação dessa gente marginalizada’’, explica. Um fogão de seis bocas, objeto de desejo da personagem principal, é o fio condutor da estória que vai mostrar um pouco de Curitiba pela ótica do casal.
A arte da sétima arte
‘‘Valdir e Rute’’ tem roteiro do paranaense Altenir Silva, o ‘‘bolinha’’ que também escreve para o programa ‘‘Você Decide’’, da Rede Globo. Tem nos papéis principais a atriz Maria Adélia como Rute e Tupaceretan Matheus como Valdir. Para produzir o curta foram gastos R$ 73 mil. A lei de incentivos fiscais do município contribuiu com R$ 45 mil e outros patrocinadores, entre eles a Editora FTD de São Paulo, contribuiram com R$ 16 mil. O diretor Elói Ferreira abriu mão do cachê para continuar o projeto. ‘‘Agora literalmente preciso passar a sacolinha na tentativa de arrecadar fundos para pagar a finalização do trabalho’’, lembra o diretor. Se a sua empresa quer contribuir com a arte feita no Paraná, por que não patrocinar um trabalho sério como este. O filme vai ser lançado no Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul. Good Luck .Na semana que vem você vai ficar sabendo um pouco da vida dos paranaenses que vieram para os Estados Unidos para estudar teatro. Eles fazem de tudo para poder pagar os estudos. Entregam Pizza, trabalham em lojas e até lavam vidros de carros. São os paranaenses de ‘‘Olho na Broadway’’.
See you quinta again. Bye.
[email protected]

mockup