NOVA YORK POR AQUI
ReproduçãoQueremos welcome!
Gente, bye-bye.
Esta é nossa última coluna na Folha.
Foram 16 anos de casamento,
quatro de Nova York e quase três escrevendo a coluna:
tudo acabou ao mesmo tempo.
É hora de mudar.
Estamos voltando para o Brasil, divorciados.
Achamos que dividir este momento da nossa vida
com os leitores seria divertido e cool - os gringos dominam o planeta de tal jeito que esta palavra é usada até pelos nordestinos quando chove no sertão.
Na coluna,
tentamos contar para vocês
o que vivemos de melhor na capital do mundo.
Na capital do mundo,
tentamos viver o melhor que podíamos.
Vivendo o casamento,
fizemos o melhor possível um para o outro,
blablablá - quem já amou sabe como é.
Nós aproveitamos a nossa parte,
esperamos que vocês tenham aproveitado
alguma coisa das mais de 100 colunas.
Na última delas,
não vamos falar das maravilhas nova-iorquinas:
vocês estão carecas de saber que aqui é o lugar do planeta
onde estão todas as mordomias já inventadas pela civilização.
Queremos que os leitores
nos imaginem como num cartão-postal,
caminhando pelo Central Park,
vestidos de negro, mantas no pescoço,
soprando o ar gelado do outono, cercados de esquilinhos.
Àqueles que nos invejavam em NY,
garantimos que aqui é bom,
mas tudo muito quadradinho,
muito americano para o gosto terceiro-mundista.
Coitadinhos dos esquilos. Devem se entediar,
obrigados a viver no parque o ano todo, a vida toda!
Agora, cortem: na semana que vem estaremos no
brasilzão velho de guerra, desempregados,
batendo pernas nas calçadas.
Calor humano, pelo menos, não vai faltar - afinal, estaremos
cercados pelos 17% de órfãos da política econômica de FHC.
Duro? Neca. É, sim, um grande desafio.
Não há melhor alegoria da esperança
de melhores tempos
do que sair daqui no outono do primeiro mundo
e desembarcar na primavera brasileira.
Please, nos desejem welcome.
Gilberto & Marinês





